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Bares e restaurantes preferem não abrir

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


09/07/2020 | 07:00


A maioria de restaurantes e bares da cidade de São Paulo preferiu continuar fechada, mesmo após o sinal verde dado pela Prefeitura. Pesquisa feita na capital na segunda na e terça-feira com 140 estabelecimentos aponta que 80% dos bares e 59% dos restaurantes não abriram as portas. E pretendem continuar assim, de acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SP).

Os estabelecimentos podem funcionar entre 11 horas e 17 horas e é proibido colocar mesas na calçada. Oito em cada dez bares afirmaram não ser possível reabrir com esse horário e 55% disseram que a proibição de mesas na calçada afeta o negócio.

Percival Maricato, presidente da Abrasel em São Paulo, aponta vários fatores para explicar a baixa adesão à retomada. "Há muita insegurança da parte dos empresários: a Prefeitura vai voltar atrás, o cliente vai aparecer?", questiona.

Além disso, ele ressalta as restrições ao horário de funcionamento que tornaram operação mais cara e o faturamento muito menor em relação a períodos de normalidade. Do jeito que foi feito, diz Maricato, ficou inviabilizado o negócio para os estabelecimentos que servem café da manhã, pizzarias e bares, estes dois últimos com maior concentração do movimento no período noturno. "O que queremos é que abertura pelo período de seis horas seja flexibilizada, de acordo com o perfil do estabelecimento, com os bares à noite, por exemplo", diz.

Saúde

Para o empresário Facundo Guerra, sócio do Grupo Vegas, com seis bares fechados espalhados pela cidade, entre os quais os icônicos Riviera e Cine Joia, a questão da reabertura envolve outros aspectos. "Não vou reabrir porque os bares são vetores de transmissão do vírus e só vou retomar quando puder levar a minha mãe, de 70 anos, para jantar", diz o empresário.

Além da questão ética, Guerra lembra da financeira. Ele conta que, nos seis bares, demitiu mais de 200 pessoas, desmobilizou as equipes. Para retomar, teria de investir em treinamento e adaptações num momento em que o Grupo Vegas está com caixa negativo. "Muitos bares que vão tentar retomar agora vão acabar quebrando porque não há garantias de que esse investimento necessário à reabertura tenha retorno, o público não está respondendo."

Ele destaca que o horário de funcionamento não é adequado nem para bares nem restaurantes, porque 70% do movimento ocorre à noite.

Esse é o desafio enfrentado por Gabriel Pinheiro, dono da Pizzaria Villa Roma Bistrô, com uma unidade nos Jardins e outra no Tatuapé. A maioria da clientela é de pessoas que trabalham nas imediações. Agora, como estão em home office, a freguesia diminuiu muito. "Só para almoço não vamos reabrir."

Para manter a marca ativa na cabeça dos clientes, o restaurante está trabalhando por meio de serviço entrega (delivery) e, mesmo assim, com prejuízo. "Delivery representa 20% do meu faturamento."

Maricato diz que 60% dos estabelecimentos aderiram ao delivery, que é um "respiro", mas não resolve o problema. Nas suas contas, desde o início da pandemia 50 mil estabelecimentos deixaram de funcionar definitivamente no Estado. Isso representa cerca de 300 mil trabalhadores na rua, muitos deles microempresários.

Fraqueza

Os bares e restaurantes que reabriram desde segunda-feira tiveram movimento muito fraco, segundo a Abrasel. Por isso, o tradicional Rei do Filet, com duas unidades na capital, continuou com os salões fechados e só atendendo por delivery.

Carlos Henrique de Freitas, sócio do restaurante, que está há 106 anos no mercado, está adiando a reabertura. "É muita exigência para pouco cliente. O povo está com medo, está sem dinheiro e não sei se vale a pena voltar. Estamos devendo empréstimos e no limite do cheque especial, infelizmente o nosso restaurante está mais para o não vai do que vai."

Alex Atala, dono dos restaurantes Dalva e Dito e do D.O.M, informa por meio de nota, que não tem data prevista para reabertura das unidades.

Procurada para saber se os poucos bares e restaurantes que reabriram estão seguindo as normas, a Prefeitura informou, por nota, que "a fiscalização do cumprimento dos protocolos se dá por auto-tutela do próprio setor". Na segunda e ontem não houve autuações.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Bares e restaurantes preferem não abrir


09/07/2020 | 07:00


A maioria de restaurantes e bares da cidade de São Paulo preferiu continuar fechada, mesmo após o sinal verde dado pela Prefeitura. Pesquisa feita na capital na segunda na e terça-feira com 140 estabelecimentos aponta que 80% dos bares e 59% dos restaurantes não abriram as portas. E pretendem continuar assim, de acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SP).

Os estabelecimentos podem funcionar entre 11 horas e 17 horas e é proibido colocar mesas na calçada. Oito em cada dez bares afirmaram não ser possível reabrir com esse horário e 55% disseram que a proibição de mesas na calçada afeta o negócio.

Percival Maricato, presidente da Abrasel em São Paulo, aponta vários fatores para explicar a baixa adesão à retomada. "Há muita insegurança da parte dos empresários: a Prefeitura vai voltar atrás, o cliente vai aparecer?", questiona.

Além disso, ele ressalta as restrições ao horário de funcionamento que tornaram operação mais cara e o faturamento muito menor em relação a períodos de normalidade. Do jeito que foi feito, diz Maricato, ficou inviabilizado o negócio para os estabelecimentos que servem café da manhã, pizzarias e bares, estes dois últimos com maior concentração do movimento no período noturno. "O que queremos é que abertura pelo período de seis horas seja flexibilizada, de acordo com o perfil do estabelecimento, com os bares à noite, por exemplo", diz.

Saúde

Para o empresário Facundo Guerra, sócio do Grupo Vegas, com seis bares fechados espalhados pela cidade, entre os quais os icônicos Riviera e Cine Joia, a questão da reabertura envolve outros aspectos. "Não vou reabrir porque os bares são vetores de transmissão do vírus e só vou retomar quando puder levar a minha mãe, de 70 anos, para jantar", diz o empresário.

Além da questão ética, Guerra lembra da financeira. Ele conta que, nos seis bares, demitiu mais de 200 pessoas, desmobilizou as equipes. Para retomar, teria de investir em treinamento e adaptações num momento em que o Grupo Vegas está com caixa negativo. "Muitos bares que vão tentar retomar agora vão acabar quebrando porque não há garantias de que esse investimento necessário à reabertura tenha retorno, o público não está respondendo."

Ele destaca que o horário de funcionamento não é adequado nem para bares nem restaurantes, porque 70% do movimento ocorre à noite.

Esse é o desafio enfrentado por Gabriel Pinheiro, dono da Pizzaria Villa Roma Bistrô, com uma unidade nos Jardins e outra no Tatuapé. A maioria da clientela é de pessoas que trabalham nas imediações. Agora, como estão em home office, a freguesia diminuiu muito. "Só para almoço não vamos reabrir."

Para manter a marca ativa na cabeça dos clientes, o restaurante está trabalhando por meio de serviço entrega (delivery) e, mesmo assim, com prejuízo. "Delivery representa 20% do meu faturamento."

Maricato diz que 60% dos estabelecimentos aderiram ao delivery, que é um "respiro", mas não resolve o problema. Nas suas contas, desde o início da pandemia 50 mil estabelecimentos deixaram de funcionar definitivamente no Estado. Isso representa cerca de 300 mil trabalhadores na rua, muitos deles microempresários.

Fraqueza

Os bares e restaurantes que reabriram desde segunda-feira tiveram movimento muito fraco, segundo a Abrasel. Por isso, o tradicional Rei do Filet, com duas unidades na capital, continuou com os salões fechados e só atendendo por delivery.

Carlos Henrique de Freitas, sócio do restaurante, que está há 106 anos no mercado, está adiando a reabertura. "É muita exigência para pouco cliente. O povo está com medo, está sem dinheiro e não sei se vale a pena voltar. Estamos devendo empréstimos e no limite do cheque especial, infelizmente o nosso restaurante está mais para o não vai do que vai."

Alex Atala, dono dos restaurantes Dalva e Dito e do D.O.M, informa por meio de nota, que não tem data prevista para reabertura das unidades.

Procurada para saber se os poucos bares e restaurantes que reabriram estão seguindo as normas, a Prefeitura informou, por nota, que "a fiscalização do cumprimento dos protocolos se dá por auto-tutela do próprio setor". Na segunda e ontem não houve autuações.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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