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Um homem. Um ideal. Um relato comovente

Esta é a história de um trabalhador-sindicalista do Grande ABC que veio da roça, voltou para a roça, retornou a São Bernardo, batalhador de uma causa e amante da música, do futebol, de uma boa prosa


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

08/07/2020 | 00:01


“A história de um homem não cabe em um livro.”

Cf. José Fernandes, protagonista desta publicação, em conversa com Memória.

“Quem não vai gostar (do livro) é o (Jair) Bolsonaro (presidente da República)".

Idem.

O poderoso Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, outrora Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, nasceu como associação. A assembleia de fundação foi realizada, em 1959, em plena Rua Marechal Deodoro, no Sindicato dos Marceneiros.

A luta pelo abono de Natal – o 13º salário dos dias atuais – começou na região na década de 1940, mas somente as grandes empresas atenderam à reivindicação dos trabalhadores.

Em agosto de 1963 o presidente João Goulart esteve em São Bernardo para inaugurar a Escola Técnica Industrial Lauro Gomes. Nos três discursos que fez – na própria ETI, na Câmara Municipal e no Tênis Clube – ele reafirmou o compromisso de colocar em prática “as reclamadas reformas de base”.

São informações que constam do livro Camarada Fernandes, dos jornalistas Gonzaga do Monte e Júlio Tavares, produção editorial da Coopacesso, cooperativa/editora com sede em Santo André.

O livro conta a jornada de um metalúrgico do Grande ABC que teve vários nomes:

Zezinho Fernandes (da infância em Minas Gerais).

Soldado depois cabo Fernandes (na juventude em São Paulo).

O nome de um dos avós foi usado como pseudônimo quando na clandestinidade.

O hoje simplesmente Zé Fernandes se orgulha de dizer que é comunista. Aos 87 anos, mora desde 1952 em São Bernardo, com algumas saídas temporárias e estratégicas, longas ou rápidas, quando perseguido pela repressão política.

Quando os militares tomaram o poder, em 1964, ele estava na União Soviética e soube detalhes do golpe pela rádio Bandeirantes, “sintonizada pelo potente aparelho da escola para estrangeiros mantida pelo governo soviético em Moscou”.

A memória oral utilizada pelos autores na elaboração do livro é alicerçada por uma documentação pessoal e social que identifica quem foram Anacleto Potomatti, Lino Ezelino Carneil, Orisson de Castro e Alcides Borsai, os quatro da primeira diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Todos comunistas.

Naquele tempo, ao lado das grandes montadoras, funcionavam em São Bernardo indústrias que hoje não existem mais, casos da Mercantil Suíça, Varan Motores, Multibrás e Simca. Tudo isso está no livro do camarada Fernandes.

Antonio Possidonio escreveu A Capital do Automóvel: na Voz dos Operários. Zé Fernandes, lúcido, culto, letrado forjado na vida, segue esse ritmo.

A formação são-bernardense ganha registro precioso na visão de um peão que testemunhou: “na região do ABC, a organização dos trabalhadores repercutiu na periferia e estimulou a população a criar associações de bairro, com o fortalecimento dos movimentos sociais”.

Camarada Fernandes: onde tem um comunista, tem o partido. Biografia do sindicalista José Fernandes.

Autores: Gonzaga do Monte e Júlio Tavares.

Produção editorial: Coopacesso (Cooperativa de Trabalho Acesso Cultural Educacional Sustentável Solidária) = >www.coopacesso.org 

Consultoria e revisão de texto: Solange do Espírito Santo.

Consultoria: Lurdinha do Monte Carmelo.

Arte final: Leonardo J. D. Campos.

News Seller há 55 anos

Quinta-feira, 8 de julho de 1965; edição 374-A

Manchete – Paço Municipal de Santo André será realidade

Já estão praticamente encerrados os serviços de “desurbanização” da Praça 4º Centenário, onde será construído o Paço Municipal, em área de 25 mil m².

Em 8 de julho de...

1915 – Comissão formada por moradores do Alto da Serra (Paranapiacaba) percorre a região a fim de angariar donativos em favor das vítimas da seca do Nordeste brasileiro.

1920 – Num domingo, depois de discutirem numa bodega de pedreira em Ribeirão Pires, Romão Gomes agrediu com uma foice o colega de trabalho Sebastião Machado, fugindo a seguir. O agredido foi atendido no hospital de misericórdia de São Paulo.

Nota – Ao dar a notícia, o Estadão descrevia o cotidiano do lazer dos canteiros de Ribeirão Pires um século atrás.

1975 – Ney Matogrosso (ex-Secos e Molhados) estreia no Teatro Municipal de Santo André. Estava lançado o seu primeiro LP solo.

Hoje

Dia do Panificador ou do Padeiro; padroeira: Santa Isabel (cuja data é 4 de julho).

Santos do Dia

Procópio de Citópolis

Papa Adriano III

ÁQUILA E PRISCILA. Casal contemporâneo de São Paulo, fabricante de tendas como ele, que dizia: meus colaboradores em Cristo Jesus



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Um homem. Um ideal. Um relato comovente

Esta é a história de um trabalhador-sindicalista do Grande ABC que veio da roça, voltou para a roça, retornou a São Bernardo, batalhador de uma causa e amante da música, do futebol, de uma boa prosa

Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

08/07/2020 | 00:01


“A história de um homem não cabe em um livro.”

Cf. José Fernandes, protagonista desta publicação, em conversa com Memória.

“Quem não vai gostar (do livro) é o (Jair) Bolsonaro (presidente da República)".

Idem.

O poderoso Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, outrora Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, nasceu como associação. A assembleia de fundação foi realizada, em 1959, em plena Rua Marechal Deodoro, no Sindicato dos Marceneiros.

A luta pelo abono de Natal – o 13º salário dos dias atuais – começou na região na década de 1940, mas somente as grandes empresas atenderam à reivindicação dos trabalhadores.

Em agosto de 1963 o presidente João Goulart esteve em São Bernardo para inaugurar a Escola Técnica Industrial Lauro Gomes. Nos três discursos que fez – na própria ETI, na Câmara Municipal e no Tênis Clube – ele reafirmou o compromisso de colocar em prática “as reclamadas reformas de base”.

São informações que constam do livro Camarada Fernandes, dos jornalistas Gonzaga do Monte e Júlio Tavares, produção editorial da Coopacesso, cooperativa/editora com sede em Santo André.

O livro conta a jornada de um metalúrgico do Grande ABC que teve vários nomes:

Zezinho Fernandes (da infância em Minas Gerais).

Soldado depois cabo Fernandes (na juventude em São Paulo).

O nome de um dos avós foi usado como pseudônimo quando na clandestinidade.

O hoje simplesmente Zé Fernandes se orgulha de dizer que é comunista. Aos 87 anos, mora desde 1952 em São Bernardo, com algumas saídas temporárias e estratégicas, longas ou rápidas, quando perseguido pela repressão política.

Quando os militares tomaram o poder, em 1964, ele estava na União Soviética e soube detalhes do golpe pela rádio Bandeirantes, “sintonizada pelo potente aparelho da escola para estrangeiros mantida pelo governo soviético em Moscou”.

A memória oral utilizada pelos autores na elaboração do livro é alicerçada por uma documentação pessoal e social que identifica quem foram Anacleto Potomatti, Lino Ezelino Carneil, Orisson de Castro e Alcides Borsai, os quatro da primeira diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Todos comunistas.

Naquele tempo, ao lado das grandes montadoras, funcionavam em São Bernardo indústrias que hoje não existem mais, casos da Mercantil Suíça, Varan Motores, Multibrás e Simca. Tudo isso está no livro do camarada Fernandes.

Antonio Possidonio escreveu A Capital do Automóvel: na Voz dos Operários. Zé Fernandes, lúcido, culto, letrado forjado na vida, segue esse ritmo.

A formação são-bernardense ganha registro precioso na visão de um peão que testemunhou: “na região do ABC, a organização dos trabalhadores repercutiu na periferia e estimulou a população a criar associações de bairro, com o fortalecimento dos movimentos sociais”.

Camarada Fernandes: onde tem um comunista, tem o partido. Biografia do sindicalista José Fernandes.

Autores: Gonzaga do Monte e Júlio Tavares.

Produção editorial: Coopacesso (Cooperativa de Trabalho Acesso Cultural Educacional Sustentável Solidária) = >www.coopacesso.org 

Consultoria e revisão de texto: Solange do Espírito Santo.

Consultoria: Lurdinha do Monte Carmelo.

Arte final: Leonardo J. D. Campos.

News Seller há 55 anos

Quinta-feira, 8 de julho de 1965; edição 374-A

Manchete – Paço Municipal de Santo André será realidade

Já estão praticamente encerrados os serviços de “desurbanização” da Praça 4º Centenário, onde será construído o Paço Municipal, em área de 25 mil m².

Em 8 de julho de...

1915 – Comissão formada por moradores do Alto da Serra (Paranapiacaba) percorre a região a fim de angariar donativos em favor das vítimas da seca do Nordeste brasileiro.

1920 – Num domingo, depois de discutirem numa bodega de pedreira em Ribeirão Pires, Romão Gomes agrediu com uma foice o colega de trabalho Sebastião Machado, fugindo a seguir. O agredido foi atendido no hospital de misericórdia de São Paulo.

Nota – Ao dar a notícia, o Estadão descrevia o cotidiano do lazer dos canteiros de Ribeirão Pires um século atrás.

1975 – Ney Matogrosso (ex-Secos e Molhados) estreia no Teatro Municipal de Santo André. Estava lançado o seu primeiro LP solo.

Hoje

Dia do Panificador ou do Padeiro; padroeira: Santa Isabel (cuja data é 4 de julho).

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