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Queda de raio reduz 88,5% com isolamento

Com menos poluição, ilhas de calor perderam força, o que dificultou formação de tempestades


Anderson Fattori

03/07/2020 | 00:01


A queda de raios no Grande ABC diminuiu 88,53% de março a junho em comparação ao mesmo período de 2019, de 6.350 para 728 incidentes. Um dos principais fatores que justificam o número é a quarentena, decretada em 24 de março no Estado, que fez a poluição reduzir pelo menos 20% na Grande São Paulo. Os dados são do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e foram levantados a pedido do Diário.

“A poluição afeta a formação de partículas de gelo que dão origem aos raios dentro das tempestades”, explicou Osmar Pinto Júnior, coordenador do Elat/Inpe. “O ar é 80% composto de oxigênio e nitrogênio e quando mistura com a poluição, acaba diferenciando a formação das nuvens, que são as responsáveis pela formação das descargas elétricas”, detalhou Mario Longato, gestor da escola Politécnica da USCS (Universidade Municipal de São Caetano).

Além disso, as ilhas de calor – alta concentração de asfalto e concreto somada à falta de áreas verdes, o que resulta no aumento das temperaturas – foram menos tensionadas. “A fumaça do carro, por exemplo, deixa o calor mais intenso, mas a quarentena acabou derrubando esta temperatura, evitando, inclusive, a formação de tempestades”, afirmou Longato.

Pinto Júnior ponderou que, embora a queda da poluição seja uma das justificativas, a redução absoluta no número de raios também depende de outros fatores, a exemplo de umidade e temperaturas. Segundo ele, o clima deste ano está mais seco em relação a 2019.

Longato avalia que, conforme as atividades são retomadas em toda Região Metropolitana, a tendência é que as descargas elétricas no solo voltem a ocorrer com mais frequência. “Teremos o novo normal que os especialistas estão dizendo, mas a ação humana nociva ao meio ambiente, como a emissão de gases poluentes pelos veículos e indústrias, continuará a mesma.”

A região, vale lembrar, é propensa ao fenômeno, pois está próxima ao Litoral e conta com a Represa Billings, que impactam diretamente na quantidade de nuvens e, consequentemente, na formação de raios.

CUIDADOS
Quando há a formação de raios em determinada região, eles tendem a cair em lugares mais altos, tais como árvores e prédios, que atraem o fenômeno. Portanto, a recomendação é evitar ficar no topo destes lugares durante tempestades. Também é essencial evitar o uso de objetos metálicos longos, caso esteja na rua, além de não empinar pipas. A orientação é sempre buscar abrigo.

Se estiver dentro de casa, o ideal é evitar o uso de telefone fixo, permanecer longe de tomadas e canos, janelas e portas metálicas e tocar equipamentos ligados à rede elétrica. 



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Queda de raio reduz 88,5% com isolamento

Com menos poluição, ilhas de calor perderam força, o que dificultou formação de tempestades

Anderson Fattori

03/07/2020 | 00:01


A queda de raios no Grande ABC diminuiu 88,53% de março a junho em comparação ao mesmo período de 2019, de 6.350 para 728 incidentes. Um dos principais fatores que justificam o número é a quarentena, decretada em 24 de março no Estado, que fez a poluição reduzir pelo menos 20% na Grande São Paulo. Os dados são do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e foram levantados a pedido do Diário.

“A poluição afeta a formação de partículas de gelo que dão origem aos raios dentro das tempestades”, explicou Osmar Pinto Júnior, coordenador do Elat/Inpe. “O ar é 80% composto de oxigênio e nitrogênio e quando mistura com a poluição, acaba diferenciando a formação das nuvens, que são as responsáveis pela formação das descargas elétricas”, detalhou Mario Longato, gestor da escola Politécnica da USCS (Universidade Municipal de São Caetano).

Além disso, as ilhas de calor – alta concentração de asfalto e concreto somada à falta de áreas verdes, o que resulta no aumento das temperaturas – foram menos tensionadas. “A fumaça do carro, por exemplo, deixa o calor mais intenso, mas a quarentena acabou derrubando esta temperatura, evitando, inclusive, a formação de tempestades”, afirmou Longato.

Pinto Júnior ponderou que, embora a queda da poluição seja uma das justificativas, a redução absoluta no número de raios também depende de outros fatores, a exemplo de umidade e temperaturas. Segundo ele, o clima deste ano está mais seco em relação a 2019.

Longato avalia que, conforme as atividades são retomadas em toda Região Metropolitana, a tendência é que as descargas elétricas no solo voltem a ocorrer com mais frequência. “Teremos o novo normal que os especialistas estão dizendo, mas a ação humana nociva ao meio ambiente, como a emissão de gases poluentes pelos veículos e indústrias, continuará a mesma.”

A região, vale lembrar, é propensa ao fenômeno, pois está próxima ao Litoral e conta com a Represa Billings, que impactam diretamente na quantidade de nuvens e, consequentemente, na formação de raios.

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Quando há a formação de raios em determinada região, eles tendem a cair em lugares mais altos, tais como árvores e prédios, que atraem o fenômeno. Portanto, a recomendação é evitar ficar no topo destes lugares durante tempestades. Também é essencial evitar o uso de objetos metálicos longos, caso esteja na rua, além de não empinar pipas. A orientação é sempre buscar abrigo.

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