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Medo do coronavírus derruba adesão à vacina

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Campanha de imunização contra gripe, que termina amanhã, não atingiu os públicos-alvos


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

28/06/2020 | 23:02


A campanha de vacinação contra a Influenza (gripe) termina amanhã e, até sexta-feira as prefeituras do Grande ABC ainda não haviam alcançado a meta de imunização de 90% dos públicos-alvo – idosos, crianças de 6 meses a 6 anos, gestantes, trabalhador de saúde, puérperas, indígenas e adultos de 55 a 59 anos.

De acordo com as administrações municipais, o grupo mais vacinado foi o de idosos, e os que menos compareceram para aplicação da dose foram adultos entre 55 e 59 anos, e gestantes. O cenário, porém, é avaliado por especialistas como reflexo da pandemia, já que com a chegada da Covid-19, a população que ficou em isolamento físico evitou também a ida aos postos de saúde e tendas de campanha, sobretudo pelo medo de contaminação, mesmo com algumas cidades do Grande ABC oferecendo sistema de drive thru, no qual o morador não precisa descer do carro.

Mas não foram apenas vacinas da campanha contra a gripe que perderam força. Outras imunizações previstas no calendário do Ministério da Saúde, especialmente para bebês e crianças, também tiveram baixa adesão, mesmo que nenhuma cidade tenha cessado o serviço. A queda no comparecimento às unidades de saúde chegou a 50%.
Diante do cenário, a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lançaram, no último dia 13, cartilha digital destinada aos profissionais da saúde, além de gestores da área, denominada Pandemia Covid-19: o que muda na rotina das imunizações. O documento destaca a importância da vacinação de rotina mesmo durante a crise sanitária e apresenta orientações sobre como manter e fortalecer a ação de saúde pública – o download pode ser feito nos sites sbim.org.br, sbp.com.br e unicef.org.br.

Vice-presidente da SBIm e coordenadora científica da cartilha, Isabella Ballalai explica que a motivação para criar o documento se deu, justamente, pela baixa aderência às vacinações neste período de pandemia. “Tivemos uma queda na cobertura vacinal, não só no mundo, mas também em todo o Brasil, o que deixa o País vulnerável a novos surtos de outras doenças”.

Segundo Isabella, faltou orientação adequada à população e também aos profissionais de saúde sobre como lidar com a imunização, já prevista em calendário, diante de uma crise sanitária. A especialista destaca ainda que não é só o novo coronavírus que está circulando entre nós. “O sarampo continua crescendo no País, assim como outras doenças. A Covid-19 é o foco de todos hoje e precisamos mostrar para as pessoas que outros riscos existem e, muitos deles, são preveníveis por vacina”, reforça, pontuando ainda que, enquanto o mundo deseja uma dose que combata o novo coronavírus, as pessoas estão deixando de lado a manutenção das imunizações já existentes e que evitam que outras doenças voltem a circular e contaminar em massa.

Presidente do departamento de imunizações da SBP e integrante da comissão técnica para revisão dos calendários vacinais da SBIm, Renato Kfouri lembra que o Brasil já vinha de um movimento de queda progressiva nas coberturas vacinais. A consequência mais imediata foi a perda, em 2019, do certificado de eliminação do sarampo, conquistado pouco menos de três anos antes.

“A volta do sarampo foi um retrocesso inaceitável, extremamente frustrante para todos que atuaram ao longo de décadas para alcançar a conquista. Agora, temos um longo caminho a percorrer. Esperamos que a publicação (da cartilha) venha contribuir para que o mesmo não aconteça com outras enfermidades, como a poliomielite (paralisia infantil), por exemplo”, afirma.
Segundo Kfouri, a cobertura vacinal tem sido alvo de discussão, sobretudo do motivo pelo qual a aderência vem caindo. Entretanto, o especialista destaca que, seja por fake news, falta de preocupação ou dificuldade com os horários disponíveis nos postos de saúde, deixar de se vacinar é como porta de entrada para que doenças voltem a contaminar maior número de pessoas. “Deixar uma corte de crianças desprotegidas, por exemplo, será propiciar uma situação de um boom de suscetíveis muito grande, ou seja, quando aparece um caso ou outro de uma doença, o vírus encontra um campo favorável de disseminação”, reforça. 

Estudo quer desvendar baixa cobertura vacinal

Com a queda na cobertura vacinal crescendo a cada ano, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e o Ministério da Saúde estão realizando, em conjunto, estudo sobre as causas da queda nas imunizações, algo constatado não só no Brasil, mas em várias partes do mundo. O resultado, segundo a pediatra e especialista em Saúde do Unicef, Francisca Maria Andrade, está para sair nas próximas semanas, porém, ainda sem data determinada.

A especialista explica que, antes mesmo de a Covid-19 aparecer e inibir a presença das pessoas nas unidades de saúde, muitos municípios brasileiros estavam com as coberturas vacinais abaixo das ideais para o controle das doenças. No entanto, com a chegada do novo coronavírus a queda se tornou mais evidente. “O Unicef tem mantido contato com os municípios que participam da iniciativa da plataforma nos centros urbanos para monitorar e avaliar estas coberturas vacinais e, as primeiras informações indicam que houve uma redução na procura pelas vacinas, porém ainda não é possível precisar com detalhes”, pontua.

Francisca reforça que, se as pessoas não se vacinam, ou não imunizam aqueles pelos quais são responsáveis, como crianças e outros grupos vulneráveis, estão correndo risco de contrair doenças que poderiam ser “facilmente evitadas”, e também colocam outras pessoas da comunidade em risco.

“Isso acontece pela falta da proteção coletiva ou de rebanho, que existe quando algumas pessoas são indiretamente protegidas pela vacinação de outras, o que acaba beneficiando a saúde de toda a comunidade. Quando ocorre esta proteção coletiva, a doença se tornará cada vez mais rara, às vezes desaparecendo completamente da comunidade, porém é necessário que a cobertura da população vacinada seja de pelo menos 95% para a maioria da vacinas”, explica.

Enquanto a pandemia do novo coronavírus estiver em evidência, a orientação da especialista, portanto, é para que as famílias mantenham contato com os serviços de saúde da comunidade para saber se a vacinação está funcionando normalmente e, em caso afirmativo, manter o calendário em dia, tomando todos os cuidados necessários para que não leve consigo outras doenças, como é o caso da Covid-19. “É importante que os municípios disponibilizem um telefone para que as famílias possam tirar as dúvidas sobre quando e onde levar seus filhos para atualizar o calendário de vacinação”, orienta Francisca.
 



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Medo do coronavírus derruba adesão à vacina

Campanha de imunização contra gripe, que termina amanhã, não atingiu os públicos-alvos

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

28/06/2020 | 23:02


A campanha de vacinação contra a Influenza (gripe) termina amanhã e, até sexta-feira as prefeituras do Grande ABC ainda não haviam alcançado a meta de imunização de 90% dos públicos-alvo – idosos, crianças de 6 meses a 6 anos, gestantes, trabalhador de saúde, puérperas, indígenas e adultos de 55 a 59 anos.

De acordo com as administrações municipais, o grupo mais vacinado foi o de idosos, e os que menos compareceram para aplicação da dose foram adultos entre 55 e 59 anos, e gestantes. O cenário, porém, é avaliado por especialistas como reflexo da pandemia, já que com a chegada da Covid-19, a população que ficou em isolamento físico evitou também a ida aos postos de saúde e tendas de campanha, sobretudo pelo medo de contaminação, mesmo com algumas cidades do Grande ABC oferecendo sistema de drive thru, no qual o morador não precisa descer do carro.

Mas não foram apenas vacinas da campanha contra a gripe que perderam força. Outras imunizações previstas no calendário do Ministério da Saúde, especialmente para bebês e crianças, também tiveram baixa adesão, mesmo que nenhuma cidade tenha cessado o serviço. A queda no comparecimento às unidades de saúde chegou a 50%.
Diante do cenário, a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) lançaram, no último dia 13, cartilha digital destinada aos profissionais da saúde, além de gestores da área, denominada Pandemia Covid-19: o que muda na rotina das imunizações. O documento destaca a importância da vacinação de rotina mesmo durante a crise sanitária e apresenta orientações sobre como manter e fortalecer a ação de saúde pública – o download pode ser feito nos sites sbim.org.br, sbp.com.br e unicef.org.br.

Vice-presidente da SBIm e coordenadora científica da cartilha, Isabella Ballalai explica que a motivação para criar o documento se deu, justamente, pela baixa aderência às vacinações neste período de pandemia. “Tivemos uma queda na cobertura vacinal, não só no mundo, mas também em todo o Brasil, o que deixa o País vulnerável a novos surtos de outras doenças”.

Segundo Isabella, faltou orientação adequada à população e também aos profissionais de saúde sobre como lidar com a imunização, já prevista em calendário, diante de uma crise sanitária. A especialista destaca ainda que não é só o novo coronavírus que está circulando entre nós. “O sarampo continua crescendo no País, assim como outras doenças. A Covid-19 é o foco de todos hoje e precisamos mostrar para as pessoas que outros riscos existem e, muitos deles, são preveníveis por vacina”, reforça, pontuando ainda que, enquanto o mundo deseja uma dose que combata o novo coronavírus, as pessoas estão deixando de lado a manutenção das imunizações já existentes e que evitam que outras doenças voltem a circular e contaminar em massa.

Presidente do departamento de imunizações da SBP e integrante da comissão técnica para revisão dos calendários vacinais da SBIm, Renato Kfouri lembra que o Brasil já vinha de um movimento de queda progressiva nas coberturas vacinais. A consequência mais imediata foi a perda, em 2019, do certificado de eliminação do sarampo, conquistado pouco menos de três anos antes.

“A volta do sarampo foi um retrocesso inaceitável, extremamente frustrante para todos que atuaram ao longo de décadas para alcançar a conquista. Agora, temos um longo caminho a percorrer. Esperamos que a publicação (da cartilha) venha contribuir para que o mesmo não aconteça com outras enfermidades, como a poliomielite (paralisia infantil), por exemplo”, afirma.
Segundo Kfouri, a cobertura vacinal tem sido alvo de discussão, sobretudo do motivo pelo qual a aderência vem caindo. Entretanto, o especialista destaca que, seja por fake news, falta de preocupação ou dificuldade com os horários disponíveis nos postos de saúde, deixar de se vacinar é como porta de entrada para que doenças voltem a contaminar maior número de pessoas. “Deixar uma corte de crianças desprotegidas, por exemplo, será propiciar uma situação de um boom de suscetíveis muito grande, ou seja, quando aparece um caso ou outro de uma doença, o vírus encontra um campo favorável de disseminação”, reforça. 

Estudo quer desvendar baixa cobertura vacinal

Com a queda na cobertura vacinal crescendo a cada ano, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e o Ministério da Saúde estão realizando, em conjunto, estudo sobre as causas da queda nas imunizações, algo constatado não só no Brasil, mas em várias partes do mundo. O resultado, segundo a pediatra e especialista em Saúde do Unicef, Francisca Maria Andrade, está para sair nas próximas semanas, porém, ainda sem data determinada.

A especialista explica que, antes mesmo de a Covid-19 aparecer e inibir a presença das pessoas nas unidades de saúde, muitos municípios brasileiros estavam com as coberturas vacinais abaixo das ideais para o controle das doenças. No entanto, com a chegada do novo coronavírus a queda se tornou mais evidente. “O Unicef tem mantido contato com os municípios que participam da iniciativa da plataforma nos centros urbanos para monitorar e avaliar estas coberturas vacinais e, as primeiras informações indicam que houve uma redução na procura pelas vacinas, porém ainda não é possível precisar com detalhes”, pontua.

Francisca reforça que, se as pessoas não se vacinam, ou não imunizam aqueles pelos quais são responsáveis, como crianças e outros grupos vulneráveis, estão correndo risco de contrair doenças que poderiam ser “facilmente evitadas”, e também colocam outras pessoas da comunidade em risco.

“Isso acontece pela falta da proteção coletiva ou de rebanho, que existe quando algumas pessoas são indiretamente protegidas pela vacinação de outras, o que acaba beneficiando a saúde de toda a comunidade. Quando ocorre esta proteção coletiva, a doença se tornará cada vez mais rara, às vezes desaparecendo completamente da comunidade, porém é necessário que a cobertura da população vacinada seja de pelo menos 95% para a maioria da vacinas”, explica.

Enquanto a pandemia do novo coronavírus estiver em evidência, a orientação da especialista, portanto, é para que as famílias mantenham contato com os serviços de saúde da comunidade para saber se a vacinação está funcionando normalmente e, em caso afirmativo, manter o calendário em dia, tomando todos os cuidados necessários para que não leve consigo outras doenças, como é o caso da Covid-19. “É importante que os municípios disponibilizem um telefone para que as famílias possam tirar as dúvidas sobre quando e onde levar seus filhos para atualizar o calendário de vacinação”, orienta Francisca.
 

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