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Procura por dados pessoais e bancários sobe 108% na pandemia

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Com mais pessoas com acesso às redes, criminosos migram para meio virtual; golpe da maquininha é frequente na região


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

22/06/2020 | 23:55


Durante o isolamento físico, boa parte da população passou a utilizar aplicativos para fazer compras. No entanto, o crescimento no acesso às ferramentas on-line saltou os olhos não somente dos lojistas, mas, também, dos criminosos, que utilizaram o meio como forma de praticar golpes em maior quantidade. Além disso, o aumento de cadastros na internet serviu como facilitador para que fraudes fossem aplicadas. 

Segundo levantamento feito pela Refinaria de Dados – empresa especializada na coleta e análise de informações digitais –, no período entre 20 de março e 18 de maio, a procura de informações pessoais e bancárias de brasileiros na dark web (internet obscura) cresceu 108% em relação ao mesmo período do ano anterior, com número de buscas diárias alcançando 19,2 milhões.

O Diário recebeu, em uma semana, mais de 20 reclamações sobre fraudes em aplicativos de celular, todas praticadas no mesmo estilo. Uma das vítimas foi a designer gráfico Gabriela dos Santos, 24 anos, que teve R$ 5.000 roubados de sua conta bancária. Como mora com sua mãe, que pertence ao grupo de risco da Covid-19, a moradora do Centro de Santo André passou, durante o isolamento físico, a fazer compras on-line, com intuito de proteger a saúde de ambas.

No dia 7 de maio, para que não tivesse de se expor indo ao supermercado, a mãe de Gabriela pediu que a filha fizesse o pedido dos mantimentos através do aplicativo de celular. A jovem lembra que, em duas compras anteriores, teve problemas com diferença de valor, já que, ao fazer o pagamento virtual pelo cartão de crédito, os produtos em falta nos estabelecimentos – e substituídos –, ocasionavam em divergência no total e ela acabava completando o valor no recebimento da mercadoria.

“No dia do golpe, quando o pedido estava saindo do mercado, o motoboy mandou mensagem dizendo que não tinha um dos produtos e que teve diferença no valor”, relembrou, afirmando que, como já havia passado pela situação, não desconfiou da má-fé. “Quando desci (na portaria) para buscar as compras, o entregador me contou que tinha pago a diferença no cartão de débito dele. Eu disse que não tinha problema e que buscaria o dinheiro, mas ele falou que, como foi no débito, precisava que eu fizesse o pagamento da mesma forma, mas na hora nem percebi o golpe”, contou Gabriela.

Com o cartão da mãe, a jovem não conseguiu ver o valor que estava sendo cobrado, já que o homem informou que o visor da máquina estava quebrado. Estranhando o fato de que o entregador estava com mais um homem na motocicleta – o que não é comum –, a jovem disse que fez o pagamento rapidamente. “Na sequência, minha mãe tentou fazer uma transferência e deu errado. Quando ela foi olhar o extrato bancário, tinham sido cobrados R$ 5.000 da conta dela”, lamentou.

A jovem contou que, no desespero, ligou no banco, rede do aplicativo e foi à unidade do supermercado em que tinha sido feita a compra. “Depois soubemos que isso (golpe) está acontecendo com muita frequência durante a pandemia. Publiquei meu caso nas redes sociais, o que teve um grande alcance, e acabei descobrindo que meu vizinho foi vítima do mesmo homem”, alertou Gabriela, que teve o valor reembolsado.

Especialista dá dicas para não cair em cilada

Se quer privacidade, não esteja na web. A frase, ouvida com frequência por internautas, não serve só para fotos, mas traduz cenário temido por todos: o de ser vítima de golpes cibernéticos, sobretudo financeiros. A verdade é que, mesmo que os riscos sejam amplamente divulgados, é cada vez mais comum escutar histórias de dados pessoais roubados. 

Para realizar a pesquisa que apontou aumento da buscas das informações pessoais e bancárias de brasileiros na dark web, entre 20 de março e 18 de maio, a Refinaria de Dados analisou sites marketplaces (ferramenta de loja virtual) da dark web, conforme explicou o diretor de informação e sócio da empresa, Gregório Gomes. 

Responsável pela coleta das informações, Gomes alertou que, diariamente, cerca de 150 milhões de ataques virtuais são feitos no mundo, sendo 23% (ou 34,5 milhões) os chamados phishing – prática que se vale do uso de e-mails ou mensagens de texto falsas que induzem o usuário a inserir informações pessoais.

“É aquele caso clássico onde vemos pessoas acessando links, seja a partir de mensagens ou e-mails, que foram aparentemente enviados por banco ou entidade que confiam. Induzem o usuário a inserir dados pessoais com a falsa intenção de completar cadastro ou similar”, alertou.

No período de análise, a Refinaria de Dados afirmou que, nas mensagens fraudulentas disparadas no território brasileiro, foi possível observar crescimento significativo de menções à palavras-chave, sendo 39% delas utilizando ‘Covid’. Além desta, também foi usada a palavra ‘auxílio’, aumentando de 2% antes do isolamento físico, para 36%, e ‘Caixa’ (de 12% para 33%).

Segundo Gomes, os dados são retirado de sites com baixa segurança, ou em compras on-line – que também teve crescimento durante a pandemia. Como dica, a orientação da Refinaria de Dados é para que as pessoas se atentem ao remetente das mensagens. “Quando o remetente for número comum e desconhecido, não clique nos links”, alertou Gomes. 

Usuários acessam a ‘dark web’ para roubar e vender informações

O acesso mais convencional à internet é chamado de surface (do inglês, superfície), no qual estão hospedados os sites e serviços amplamente usados no mundo, como plataformas de bancos, de jogos e de notícias. Tudo o que pertence a este grupo, mas não é acessado por qualquer usuário, é conhecido por deep web. Por fim, existe a dark web, que possuí acesso restrito, deixa poucos rastros e quase todo seu conteúdo é ilegal. Justamente nesta terceira faixa que os criminosos atuam.

Gestor da Escola Politécnica da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Mario Eugenio Longato explica que “navegar neste mundo obscuro não é tarefa trivial”, sobretudo porque, conforme explica o professor, para acessar informações nestes ambientes são necessários “segurança e conhecimento, para que o feitiço não se volte contra o feiticeiro”. 

O professor afirma que hackers invadem celulares, computadores, servidores e aproveitam falhas de segurança para roubar dados. Depois vendem as informações na dark web às pessoas que se interessem em colocar vírus, roubar identidade e aplicar golpes. “Compram estas informações normalmente com bitcoin ou outra moeda virtual”, revelou.

Conforme Longato, na internet obscura o acesso é diferente, mas é possível achar “de tudo”. “Encontramos até mesmo coisas legais do ponto de vista governamental. Mas temos informações de todo o tipo, como venda de armas, assassinos de aluguel, bizarrices etc”, explica o professor.

Presidente do Sinpcresp (Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo), Eduardo Becker destaca que aplicativos e redes sociais são os mais comuns de ter os dados violados. “Para identificar os crimes temos duas metodologias. Uma a manual, quando o indivíduo faz a denúncia; outra é a utilização de robôs que fazem buscas por palavras-chave utilizadas em crimes, normalmente, de racismo, injúria, homofobia, apologia ao uso de drogas e crime, pornografia infantil, entre outros”, explicou.



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Procura por dados pessoais e bancários sobe 108% na pandemia

Com mais pessoas com acesso às redes, criminosos migram para meio virtual; golpe da maquininha é frequente na região

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

22/06/2020 | 23:55


Durante o isolamento físico, boa parte da população passou a utilizar aplicativos para fazer compras. No entanto, o crescimento no acesso às ferramentas on-line saltou os olhos não somente dos lojistas, mas, também, dos criminosos, que utilizaram o meio como forma de praticar golpes em maior quantidade. Além disso, o aumento de cadastros na internet serviu como facilitador para que fraudes fossem aplicadas. 

Segundo levantamento feito pela Refinaria de Dados – empresa especializada na coleta e análise de informações digitais –, no período entre 20 de março e 18 de maio, a procura de informações pessoais e bancárias de brasileiros na dark web (internet obscura) cresceu 108% em relação ao mesmo período do ano anterior, com número de buscas diárias alcançando 19,2 milhões.

O Diário recebeu, em uma semana, mais de 20 reclamações sobre fraudes em aplicativos de celular, todas praticadas no mesmo estilo. Uma das vítimas foi a designer gráfico Gabriela dos Santos, 24 anos, que teve R$ 5.000 roubados de sua conta bancária. Como mora com sua mãe, que pertence ao grupo de risco da Covid-19, a moradora do Centro de Santo André passou, durante o isolamento físico, a fazer compras on-line, com intuito de proteger a saúde de ambas.

No dia 7 de maio, para que não tivesse de se expor indo ao supermercado, a mãe de Gabriela pediu que a filha fizesse o pedido dos mantimentos através do aplicativo de celular. A jovem lembra que, em duas compras anteriores, teve problemas com diferença de valor, já que, ao fazer o pagamento virtual pelo cartão de crédito, os produtos em falta nos estabelecimentos – e substituídos –, ocasionavam em divergência no total e ela acabava completando o valor no recebimento da mercadoria.

“No dia do golpe, quando o pedido estava saindo do mercado, o motoboy mandou mensagem dizendo que não tinha um dos produtos e que teve diferença no valor”, relembrou, afirmando que, como já havia passado pela situação, não desconfiou da má-fé. “Quando desci (na portaria) para buscar as compras, o entregador me contou que tinha pago a diferença no cartão de débito dele. Eu disse que não tinha problema e que buscaria o dinheiro, mas ele falou que, como foi no débito, precisava que eu fizesse o pagamento da mesma forma, mas na hora nem percebi o golpe”, contou Gabriela.

Com o cartão da mãe, a jovem não conseguiu ver o valor que estava sendo cobrado, já que o homem informou que o visor da máquina estava quebrado. Estranhando o fato de que o entregador estava com mais um homem na motocicleta – o que não é comum –, a jovem disse que fez o pagamento rapidamente. “Na sequência, minha mãe tentou fazer uma transferência e deu errado. Quando ela foi olhar o extrato bancário, tinham sido cobrados R$ 5.000 da conta dela”, lamentou.

A jovem contou que, no desespero, ligou no banco, rede do aplicativo e foi à unidade do supermercado em que tinha sido feita a compra. “Depois soubemos que isso (golpe) está acontecendo com muita frequência durante a pandemia. Publiquei meu caso nas redes sociais, o que teve um grande alcance, e acabei descobrindo que meu vizinho foi vítima do mesmo homem”, alertou Gabriela, que teve o valor reembolsado.

Especialista dá dicas para não cair em cilada

Se quer privacidade, não esteja na web. A frase, ouvida com frequência por internautas, não serve só para fotos, mas traduz cenário temido por todos: o de ser vítima de golpes cibernéticos, sobretudo financeiros. A verdade é que, mesmo que os riscos sejam amplamente divulgados, é cada vez mais comum escutar histórias de dados pessoais roubados. 

Para realizar a pesquisa que apontou aumento da buscas das informações pessoais e bancárias de brasileiros na dark web, entre 20 de março e 18 de maio, a Refinaria de Dados analisou sites marketplaces (ferramenta de loja virtual) da dark web, conforme explicou o diretor de informação e sócio da empresa, Gregório Gomes. 

Responsável pela coleta das informações, Gomes alertou que, diariamente, cerca de 150 milhões de ataques virtuais são feitos no mundo, sendo 23% (ou 34,5 milhões) os chamados phishing – prática que se vale do uso de e-mails ou mensagens de texto falsas que induzem o usuário a inserir informações pessoais.

“É aquele caso clássico onde vemos pessoas acessando links, seja a partir de mensagens ou e-mails, que foram aparentemente enviados por banco ou entidade que confiam. Induzem o usuário a inserir dados pessoais com a falsa intenção de completar cadastro ou similar”, alertou.

No período de análise, a Refinaria de Dados afirmou que, nas mensagens fraudulentas disparadas no território brasileiro, foi possível observar crescimento significativo de menções à palavras-chave, sendo 39% delas utilizando ‘Covid’. Além desta, também foi usada a palavra ‘auxílio’, aumentando de 2% antes do isolamento físico, para 36%, e ‘Caixa’ (de 12% para 33%).

Segundo Gomes, os dados são retirado de sites com baixa segurança, ou em compras on-line – que também teve crescimento durante a pandemia. Como dica, a orientação da Refinaria de Dados é para que as pessoas se atentem ao remetente das mensagens. “Quando o remetente for número comum e desconhecido, não clique nos links”, alertou Gomes. 

Usuários acessam a ‘dark web’ para roubar e vender informações

O acesso mais convencional à internet é chamado de surface (do inglês, superfície), no qual estão hospedados os sites e serviços amplamente usados no mundo, como plataformas de bancos, de jogos e de notícias. Tudo o que pertence a este grupo, mas não é acessado por qualquer usuário, é conhecido por deep web. Por fim, existe a dark web, que possuí acesso restrito, deixa poucos rastros e quase todo seu conteúdo é ilegal. Justamente nesta terceira faixa que os criminosos atuam.

Gestor da Escola Politécnica da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Mario Eugenio Longato explica que “navegar neste mundo obscuro não é tarefa trivial”, sobretudo porque, conforme explica o professor, para acessar informações nestes ambientes são necessários “segurança e conhecimento, para que o feitiço não se volte contra o feiticeiro”. 

O professor afirma que hackers invadem celulares, computadores, servidores e aproveitam falhas de segurança para roubar dados. Depois vendem as informações na dark web às pessoas que se interessem em colocar vírus, roubar identidade e aplicar golpes. “Compram estas informações normalmente com bitcoin ou outra moeda virtual”, revelou.

Conforme Longato, na internet obscura o acesso é diferente, mas é possível achar “de tudo”. “Encontramos até mesmo coisas legais do ponto de vista governamental. Mas temos informações de todo o tipo, como venda de armas, assassinos de aluguel, bizarrices etc”, explica o professor.

Presidente do Sinpcresp (Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo), Eduardo Becker destaca que aplicativos e redes sociais são os mais comuns de ter os dados violados. “Para identificar os crimes temos duas metodologias. Uma a manual, quando o indivíduo faz a denúncia; outra é a utilização de robôs que fazem buscas por palavras-chave utilizadas em crimes, normalmente, de racismo, injúria, homofobia, apologia ao uso de drogas e crime, pornografia infantil, entre outros”, explicou.

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