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‘Quero resgatar a Ferrari para poder resgatar a memória do meu pai’

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Bruno Lazar, herdeiro de carro abandonado no pátio de Santo André, busca final feliz para história


Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

22/06/2020 | 07:00


 “Mais do que resgatar a Ferrari, quero resgatar a memória do meu pai”. São com essas palavras que o empresário Bruno Lazar, 34 anos, resume o sentimento de querer retirar a Ferrari Dino 208 GT4, que pertencia ao pai, Ferry Lazar, e que está abandonada em um pátio de veículos de Santo André como sucata. Ferry morreu em 2014, aos 65 anos.

Ainda que o carro esteja corroído pelo tempo, Bruno disse ter interesse em restaurar toda a classe da lenda italiana e montá-la, nem que seja peça por peça, pois só assim sentirá que realmente fez jus ao brilhantismo de seu pai, que considera um homem à frente de seu tempo.

“Minha intenção é mais do que retirar o carro do pátio. Minha intenção é resgatar uma das únicas memórias que me mantêm ligado ao meu pai. É uma maneira de pedir perdão ao Ferry e de terminar de maneira bonita um episódio que me causou tristeza durante muito tempo”, disse Bruno. Para chegar a essa etapa pessoal, o empresário tem conversado com advogados e busca meios de tentar rever os custos das diárias do veículo, que está no pátio desde 2010.

Emocionado, Bruno admitiu que não teve uma boa relação com o pai, mas que prefere esquecer o passado. O que não quer, assegurou, é que a história se repita com a Ferrari, há tanto tempo abandonada em um cemitério de veículos da região. “Meu maior medo é de que o desgaste da Ferrari pelo tempo acabe desgastando a única relação sentimental que mantenho com meu pai.”

O Diário contou, em primeira mão, a história da Ferrari Dino 208 GT4, em reportagem veiculada em 8 de setembro de 2015. Desde então, a sina do icônico automóvel, cuja marca é um cavalo rampante, rompeu as fronteiras do Grande ABC. E foi a partir da repercussão nacional da reportagem do Diário que Bruno voltou a ter contato com o veículo, do qual seu pai mais gostava. “Só fiquei sabendo da morte de meu pai exatamente por causa das matérias (jornalísticas) que foram feitas da Ferrari. Se não fosse isso, talvez nunca soubesse”, disse.

Nem tudo são más lembranças, garantiu Bruno. Ele relatou o episódio em que andou no possante italiano em plena Avenida Paulista, na Capital, em 1999. Em meio aos prédios cinzas, símbolo da imponência econômica do Estado mais rico do País e acostumado a trânsitos congestionados, Bruno relembrou a felicidade que o tomou ao estar ao lado do pai. “Ele tinha acabado de arrumar a Ferrari. Aí, passou nas redondezas da Paulista e nós demos uma volta. Foi a última vez que vi o carro e uma das poucas vezes que tive contato com Ferry na adolescência.” À época, Bruno tinha 13 anos.

De família romena, Ferry Lazar chegou no Brasil no início dos anos 1980, após fugir das mazelas da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Já em São Paulo, prosperou como empresário no ramo de acrílico, sendo um dos pioneiros do material no País.

ESTADO FÍSICO
Na semana passada, a equipe do Diário voltou ao pátio de veículos que abriga a Ferrari. O carro segue em estado precário. Sua lataria apresenta falhas na pintura, está enferrujada em diversas partes. Os bancos também apresentam deterioração.

 

Dono perdeu a Ferrari Dino 208 GT4 ao tentar mudar sua cor
Foi exatamente por querer pintar a Ferrari Dino que Ferry Lazar viu o carro ser levado para o pátio de Santo André em março de 2010, onde se encontra até então. Com intenção de modificar a cor do automóvel, que originalmente era azul, Ferry foi até uma oficina para pintá-la de amarelo, sua cor favorita, no ano de 2002.

Quando retornou à oficina para retirar o possante, percebeu que não só sua Ferrari, mas como toda a oficina havia sumido. Inconformado, Ferry Lazar decidiu investigar por conta própria o paradeiro de sua Ferrari. Foi em 2003 que Ferry encontrou um automóvel bem semelhante, porém, já na sua cor predileta, o amarelo, com outro dono e decidiu levar a situação à polícia, que acabou iniciando investigação.

O delegado relatou que a Ferrari, agora na cor amarela, se encontrava em posse de Ariovaldo Vicentini, que se disponibilizou para ajudar a elucidar o imbróglio. O delegado suspeitou de que poderia se tratar de adulteração de veículo, crime previsto em lei e que Ferry Lazar e Vicentini foram vítimas de um possível golpe.

Para retirar o veículo italiano do pátio de Santo André, Bruno Lazar teria que pagar algo em torno de R$ 124 mil. No Detran-SP, o veículo ainda aparece com restrição judicial. Ferry Lazar comprou o veículo em 1985. Sites especializados indicam que modelo semelhante pode ser avaliado em 65,9 mil libras esterlinas, quase R$ 425 mil.

Em entrevista ao site UOL, Kauê Barbosa, gerente de pós-vendas da Via Italia, representante da Ferrari no Brasil, estimou que pode passar de R$ 1 milhão o custo para restauro completo do automóvel, considerando a dificuldade em encontrar as peças originais, já que o carro é antigo.



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‘Quero resgatar a Ferrari para poder resgatar a memória do meu pai’

Bruno Lazar, herdeiro de carro abandonado no pátio de Santo André, busca final feliz para história

Daniel Tossato
Do Diário do Grande ABC

22/06/2020 | 07:00


 “Mais do que resgatar a Ferrari, quero resgatar a memória do meu pai”. São com essas palavras que o empresário Bruno Lazar, 34 anos, resume o sentimento de querer retirar a Ferrari Dino 208 GT4, que pertencia ao pai, Ferry Lazar, e que está abandonada em um pátio de veículos de Santo André como sucata. Ferry morreu em 2014, aos 65 anos.

Ainda que o carro esteja corroído pelo tempo, Bruno disse ter interesse em restaurar toda a classe da lenda italiana e montá-la, nem que seja peça por peça, pois só assim sentirá que realmente fez jus ao brilhantismo de seu pai, que considera um homem à frente de seu tempo.

“Minha intenção é mais do que retirar o carro do pátio. Minha intenção é resgatar uma das únicas memórias que me mantêm ligado ao meu pai. É uma maneira de pedir perdão ao Ferry e de terminar de maneira bonita um episódio que me causou tristeza durante muito tempo”, disse Bruno. Para chegar a essa etapa pessoal, o empresário tem conversado com advogados e busca meios de tentar rever os custos das diárias do veículo, que está no pátio desde 2010.

Emocionado, Bruno admitiu que não teve uma boa relação com o pai, mas que prefere esquecer o passado. O que não quer, assegurou, é que a história se repita com a Ferrari, há tanto tempo abandonada em um cemitério de veículos da região. “Meu maior medo é de que o desgaste da Ferrari pelo tempo acabe desgastando a única relação sentimental que mantenho com meu pai.”

O Diário contou, em primeira mão, a história da Ferrari Dino 208 GT4, em reportagem veiculada em 8 de setembro de 2015. Desde então, a sina do icônico automóvel, cuja marca é um cavalo rampante, rompeu as fronteiras do Grande ABC. E foi a partir da repercussão nacional da reportagem do Diário que Bruno voltou a ter contato com o veículo, do qual seu pai mais gostava. “Só fiquei sabendo da morte de meu pai exatamente por causa das matérias (jornalísticas) que foram feitas da Ferrari. Se não fosse isso, talvez nunca soubesse”, disse.

Nem tudo são más lembranças, garantiu Bruno. Ele relatou o episódio em que andou no possante italiano em plena Avenida Paulista, na Capital, em 1999. Em meio aos prédios cinzas, símbolo da imponência econômica do Estado mais rico do País e acostumado a trânsitos congestionados, Bruno relembrou a felicidade que o tomou ao estar ao lado do pai. “Ele tinha acabado de arrumar a Ferrari. Aí, passou nas redondezas da Paulista e nós demos uma volta. Foi a última vez que vi o carro e uma das poucas vezes que tive contato com Ferry na adolescência.” À época, Bruno tinha 13 anos.

De família romena, Ferry Lazar chegou no Brasil no início dos anos 1980, após fugir das mazelas da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945). Já em São Paulo, prosperou como empresário no ramo de acrílico, sendo um dos pioneiros do material no País.

ESTADO FÍSICO
Na semana passada, a equipe do Diário voltou ao pátio de veículos que abriga a Ferrari. O carro segue em estado precário. Sua lataria apresenta falhas na pintura, está enferrujada em diversas partes. Os bancos também apresentam deterioração.

 

Dono perdeu a Ferrari Dino 208 GT4 ao tentar mudar sua cor
Foi exatamente por querer pintar a Ferrari Dino que Ferry Lazar viu o carro ser levado para o pátio de Santo André em março de 2010, onde se encontra até então. Com intenção de modificar a cor do automóvel, que originalmente era azul, Ferry foi até uma oficina para pintá-la de amarelo, sua cor favorita, no ano de 2002.

Quando retornou à oficina para retirar o possante, percebeu que não só sua Ferrari, mas como toda a oficina havia sumido. Inconformado, Ferry Lazar decidiu investigar por conta própria o paradeiro de sua Ferrari. Foi em 2003 que Ferry encontrou um automóvel bem semelhante, porém, já na sua cor predileta, o amarelo, com outro dono e decidiu levar a situação à polícia, que acabou iniciando investigação.

O delegado relatou que a Ferrari, agora na cor amarela, se encontrava em posse de Ariovaldo Vicentini, que se disponibilizou para ajudar a elucidar o imbróglio. O delegado suspeitou de que poderia se tratar de adulteração de veículo, crime previsto em lei e que Ferry Lazar e Vicentini foram vítimas de um possível golpe.

Para retirar o veículo italiano do pátio de Santo André, Bruno Lazar teria que pagar algo em torno de R$ 124 mil. No Detran-SP, o veículo ainda aparece com restrição judicial. Ferry Lazar comprou o veículo em 1985. Sites especializados indicam que modelo semelhante pode ser avaliado em 65,9 mil libras esterlinas, quase R$ 425 mil.

Em entrevista ao site UOL, Kauê Barbosa, gerente de pós-vendas da Via Italia, representante da Ferrari no Brasil, estimou que pode passar de R$ 1 milhão o custo para restauro completo do automóvel, considerando a dificuldade em encontrar as peças originais, já que o carro é antigo.

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