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Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Flexibilização permite abertura por quatro horas, mas estabelecimentos ignoram regra


Flavia Kurotori
do Diário do Grande ABC

20/06/2020 | 00:26


O decreto que começou a valer na segunda-feira autoriza que comércios não essenciais funcionem por até quatro horas diárias. Porém, o Diário observou que a regra não tem sido obedecida, sobretudo nas áreas periféricas. O descumprimento pode fazer com que a contaminação pelo coronavírus avance nas próximas semanas, resultando no endurecimento da quarentena.

Em Santo André, onde o comércio de rua pode funcionar das 11h às 15h, a equipe de reportagem flagrou estabelecimentos abertos além do horário permitido na região da Avenida Itamarati, na Vila Curuçá, e no entorno do Terminal da Vila Luzita. Barbearias e salões de cabeleireiros, que não estão autorizados a abrir nesta fase da flexibilização, foram vistos funcionando, seja a meia porta ou totalmente abertos.

Sem saber que falava com a equipe de reportagem, a funcionária de loja de roupas na Avenida Itamarati informou que o local ficado aberto das 10h às 17h. “Tem cliente que só pode vir de manhã ou de tarde, então acabamos estendendo porque eles pedem”, disse.

Na Avenida Boa Vista, no bairro de mesmo nome em São Caetano, algumas lojas não essenciais, como de vestuário e calçados, foram flagradas ultrapassando o horário permitido. Vendedora de loja de calçados afirmou que funciona das 11h às 15h, como manda o decreto, mas por volta das 15h30 ainda estava de portas abertas. “Dependendo do caso, se o cliente pede, esperamos um pouco.”

Situação similar foi observada na Rua Almeida Leme, no Parque São Bernardo, na cidade homônima. Atendente de loja de artigos infantis disse ao Diário, por telefone, que funciona das 11h às 15h. “Mas eu fico aqui até as 17h para o caso de aparecer alguém, até porque, também estou vendendo máscaras. É só falar comigo que atendo”, relatou.

As associações comerciais pedem que o decreto seja obedecido. “Temos receio que esses abusos por parte de alguns causem retrocesso e façam todos pagarem pelo erro de uma minoria”, assinalou Pedro Cia Júnior, presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial e Santo André).

“De nada adianta o lojista não cumprir as determinações de higiene e sanitárias porque será muito pior ter que voltar a fechar”, afirmou Válter Moura, presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo). José Roberto Malheiro, presidente da ACE (Associação Comercial e Empresarial) de Diadema, lembrou que os estabelecimentos podem ser punidos em caso de reincidência.

ALERTA
Infectologista do Hospital e Maternidade Christóvão da Gama, Carlos Quadros destacou que a falta de respeito às normas de flexibilização pode aumentar a curva de contaminação, uma vez que a reabertura gradual do comércio no Estado foi estipulada sem que a Covid-19 estivesse controlada. “O que fazemos agora, veremos em duas ou três semanas os reflexos no número de casos, pois a incubação do vírus é de até 14 dias.”

Ainda, com o agravamento do cenário, as cidades podem retroceder uma fase no Plano São Paulo, voltando a fechar todos os comércios não essenciais, a exemplo do que o governador João Doria (PSDB) anunciou ontem para as regiões de Marília e Registro. Segundo Quadros, o problema de voltar ao isolamento, do ponto de vista de eficácia, é que a população “parou de sentir medo”, ou seja, não respeitaria a orientação de ficar em casa. 

Shopping de autos seguia decreto antigo

Um funcionário do Auto Shopping Global, em Santo André, denunciou que o estabelecimento está funcionando, há duas semanas, das 10h às 17h. O local também não estaria exigindo o uso de máscara nas dependências, e permitindo aglomerações.

Após ser procurado pelo Diário, o shopping informou, em nota, que no “primeiro decreto que saiu (número 17.939, de 6 de junho), foi autorizado o horário de funcionamento das 10h às 17h. Agora tivemos ciência de um outro decreto (número 17.400, de 12 de junho), que permite o funcionamento das 11h às 15h. Já estamos alterando o horário de funcionamento correto a partir de amanhã (hoje)”.

Sobre as medidas sanitárias, o Global garantiu que adotou todas as ações preventivas, tais como obrigatoriedade do uso de máscara, aferição de temperatura e higienização das mãos com álcool gel ao entrar no estabelecimento, reforço na limpeza e desinfecção de áreas comuns, além de disponibilização de álcool gel e instalação de totens informativos.

FISCALIZAÇÃO

As prefeituras são responsáveis por fiscalizar se os comércios estão cumprindo o horário de funcionamento, assim como as normas sanitárias. Desde segunda-feira, em São Bernardo, 27 foram fechados após serem flagrados operando após o horário permitido. Em Diadema, sete lojas foram notificadas e uma foi fechada por descumprimento. Em Santo André, Mauá e Ribeirão Pires não ocorreram autuações ou multas.



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Comércio não cumpre horário de atendimento fora dos centros

Flexibilização permite abertura por quatro horas, mas estabelecimentos ignoram regra

Flavia Kurotori
do Diário do Grande ABC

20/06/2020 | 00:26


O decreto que começou a valer na segunda-feira autoriza que comércios não essenciais funcionem por até quatro horas diárias. Porém, o Diário observou que a regra não tem sido obedecida, sobretudo nas áreas periféricas. O descumprimento pode fazer com que a contaminação pelo coronavírus avance nas próximas semanas, resultando no endurecimento da quarentena.

Em Santo André, onde o comércio de rua pode funcionar das 11h às 15h, a equipe de reportagem flagrou estabelecimentos abertos além do horário permitido na região da Avenida Itamarati, na Vila Curuçá, e no entorno do Terminal da Vila Luzita. Barbearias e salões de cabeleireiros, que não estão autorizados a abrir nesta fase da flexibilização, foram vistos funcionando, seja a meia porta ou totalmente abertos.

Sem saber que falava com a equipe de reportagem, a funcionária de loja de roupas na Avenida Itamarati informou que o local ficado aberto das 10h às 17h. “Tem cliente que só pode vir de manhã ou de tarde, então acabamos estendendo porque eles pedem”, disse.

Na Avenida Boa Vista, no bairro de mesmo nome em São Caetano, algumas lojas não essenciais, como de vestuário e calçados, foram flagradas ultrapassando o horário permitido. Vendedora de loja de calçados afirmou que funciona das 11h às 15h, como manda o decreto, mas por volta das 15h30 ainda estava de portas abertas. “Dependendo do caso, se o cliente pede, esperamos um pouco.”

Situação similar foi observada na Rua Almeida Leme, no Parque São Bernardo, na cidade homônima. Atendente de loja de artigos infantis disse ao Diário, por telefone, que funciona das 11h às 15h. “Mas eu fico aqui até as 17h para o caso de aparecer alguém, até porque, também estou vendendo máscaras. É só falar comigo que atendo”, relatou.

As associações comerciais pedem que o decreto seja obedecido. “Temos receio que esses abusos por parte de alguns causem retrocesso e façam todos pagarem pelo erro de uma minoria”, assinalou Pedro Cia Júnior, presidente da Acisa (Associação Comercial e Industrial e Santo André).

“De nada adianta o lojista não cumprir as determinações de higiene e sanitárias porque será muito pior ter que voltar a fechar”, afirmou Válter Moura, presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo). José Roberto Malheiro, presidente da ACE (Associação Comercial e Empresarial) de Diadema, lembrou que os estabelecimentos podem ser punidos em caso de reincidência.

ALERTA
Infectologista do Hospital e Maternidade Christóvão da Gama, Carlos Quadros destacou que a falta de respeito às normas de flexibilização pode aumentar a curva de contaminação, uma vez que a reabertura gradual do comércio no Estado foi estipulada sem que a Covid-19 estivesse controlada. “O que fazemos agora, veremos em duas ou três semanas os reflexos no número de casos, pois a incubação do vírus é de até 14 dias.”

Ainda, com o agravamento do cenário, as cidades podem retroceder uma fase no Plano São Paulo, voltando a fechar todos os comércios não essenciais, a exemplo do que o governador João Doria (PSDB) anunciou ontem para as regiões de Marília e Registro. Segundo Quadros, o problema de voltar ao isolamento, do ponto de vista de eficácia, é que a população “parou de sentir medo”, ou seja, não respeitaria a orientação de ficar em casa. 

Shopping de autos seguia decreto antigo

Um funcionário do Auto Shopping Global, em Santo André, denunciou que o estabelecimento está funcionando, há duas semanas, das 10h às 17h. O local também não estaria exigindo o uso de máscara nas dependências, e permitindo aglomerações.

Após ser procurado pelo Diário, o shopping informou, em nota, que no “primeiro decreto que saiu (número 17.939, de 6 de junho), foi autorizado o horário de funcionamento das 10h às 17h. Agora tivemos ciência de um outro decreto (número 17.400, de 12 de junho), que permite o funcionamento das 11h às 15h. Já estamos alterando o horário de funcionamento correto a partir de amanhã (hoje)”.

Sobre as medidas sanitárias, o Global garantiu que adotou todas as ações preventivas, tais como obrigatoriedade do uso de máscara, aferição de temperatura e higienização das mãos com álcool gel ao entrar no estabelecimento, reforço na limpeza e desinfecção de áreas comuns, além de disponibilização de álcool gel e instalação de totens informativos.

FISCALIZAÇÃO

As prefeituras são responsáveis por fiscalizar se os comércios estão cumprindo o horário de funcionamento, assim como as normas sanitárias. Desde segunda-feira, em São Bernardo, 27 foram fechados após serem flagrados operando após o horário permitido. Em Diadema, sete lojas foram notificadas e uma foi fechada por descumprimento. Em Santo André, Mauá e Ribeirão Pires não ocorreram autuações ou multas.

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