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Mesmo sem aval, comércio da região inicia reabertura

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

A retomada das atividades será decretada para segunda-feira, após autorização do Estado; na Capital, flexibilização começou ontem


Flavia Kurotori
do Diário do Grande ABC

12/06/2020 | 00:26


A flexibilização da quarentena começa, oficialmente, na segunda-feira no Grande ABC. Entretanto, seguindo a toada da Capital, onde a reabertura iniciou ontem, comércios da região já estão retomando as atividades. A equipe do Diário percorreu alguns dos principais centros comerciais e observou lojas consideradas não essenciais abertas, assim como grande fluxo de clientes.

Na Rua Coronel Oliveira Lima, em Santo André, a loja de roupas Michelly retomou o atendimento presencial ontem. “Deixamos dez pessoas entrarem por vez e todas têm que passar álcool gel nas mãos. Tem algumas pessoas que não gostam e se negam a passar, aí não autorizamos a entrada”, explicou a gerente Betânia Andrade.

“O cenário (da pandemia) está piorando, mas precisamos trabalhar porque, mesmo vendendo por WhatsApp, as vendas caíram de 50% a 60%”, afirmou Betânia. Segundo ela, o movimento na loja está intenso, e a principal mudança é que os clientes vão em busca de itens específicos e não ficam “passeando” dentro do comércio.

Na mesma via, a vendedora da loja de vestuário Mania Rafaela Cavalcante Silva relatou que a equipe não criou expectativas para as vendas na reabertura, que ocorreu ontem, uma vez que foram a zero desde o início da quarentena. “O que vier é lucro”, comentou. Ainda que a retomada seja importante do ponto de vista financeiro, ela afirmou que ainda tem receio de atender ao público diante do avanço da Covid-19.

Na Marechal Deodoro, em São Bernardo, o volume de estabelecimentos não essenciais aberto era menor. A perfumaria Soneda chegou a ficar um mês fechada e reabriu com novos protocolos, como uso de máscaras e luvas, além de aferir a temperatura e oferecer álcool gel antes de os clientes entrarem nas dependências. “Caíram muito as vendas e deveriam ter autorizado a reabertura antes, pois é tranquilo quando todas as medidas necessárias são tomadas”, avaliou a líder de vendas Nida Gomes.

Maior movimento de pessoas, até mesmo com filas, estava nas lojas instaladas no entorno da Praça Lauro Gomes, tais como estabelecimentos de variedades. Além disso, a presença de ambulantes comercializando, principalmente, máscaras se estende por toda redondeza. Vale lembrar que o trânsito de veículos na Rua Marechal Deodoro está parcialmente bloqueado, a fim de evitar a circulação e a aglomeração de pessoas na via.

Em Mauá, o fluxo de pessoas na Avenida Barão de Mauá era intenso. Porém, assim como em São Bernardo, o número de comércios não essenciais abertos era pequeno. Vendedor de uma loja de sapatos, que não quis se identificar, assinalou que as vendas foram a zero e que a reabertura chegou tarde. “Estamos medindo a temperatura, fornecendo álcool gel e controlando para que os clientes mantenham o distanciamento. Não tem por que ficar fechado e ter ainda mais prejuízo”, completou

“Com todos os cuidados e EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) dá certo. Já estava na hora de voltar, a economia está debilitada”, observou o funcionário da Via Naturale Produtos Naturais Daniel Magalhães. “Vários comerciantes estão reclamando da situação.”

FLEXIBILIZAÇÃO
Na quarta-feira, o governador João Doria (PSDB) incluiu a região na Fase 2 (laranja) do Plano São Paulo, permitindo que alguns estabelecimentos não essenciais voltem a funcionar, tais como comércio de rua e shoppings, com algumas restrições. Os prefeitos das sete cidades devem publicar decreto liberando a reabertura em cada cidade.

Consumidores defendem retomada

De passagem pelo calçadão da Oliveira Lima, a depiladora Jaqueline Nogueira, 25 anos, avaliou que a reabertura já deveria ter ocorrido. “Todo mundo vai ter que se prevenir de qualquer maneira, então, eles estavam só adiando o inevitável e prejudicando todo mundo que precisou parar de trabalhar”, reclamou. Mesma opinião tem a comerciária Jéssica Oliveira, 25. “Já deveria ter reaberto, afinal, quem precisa trabalhar não está conseguindo. Apenas o grupo de risco deveria ficar em isolamento.”

Saindo de casa apenas para comprar itens essenciais, a auxiliar de limpeza Luziana Alves, 44, de São Bernardo, acredita que os cuidados, como uso de máscara e álcool gel, não são suficientes para conter a contaminação pelo coronavírus. Porém, defende que a reabertura do comércio é necessária. “Os comerciantes e vendedores já foram muito prejudicados”, disse.

“Todo mundo precisa trabalhar, passou da hora de liberar (a abertura) de tudo. Já tinha muita gente sem dinheiro, agora só piorou com o desemprego”, opinou a cozinheira Sueli Videiro, 52, que aguardava na fila para entrar em uma das lojas da Avenida Barão de Mauá.

SHOPPINGS
Localizado na divisa de São Caetano com a Capital, onde a flexibilização permitiu a reabertura a partir de ontem, o Central Plaza registrou movimento abaixo da média pré-pandemia. Consumidores formaram pequena fila de veículos para garantir a entrada no estacionamento, mas o fluxo de pessoas na área interna era pequeno.

Os shoppings fecharam as portas em março. Os centros de compras recorreram aos sistemas de delivery ou drive-thru para tentar minimizar as perdas financeiras. Ao todo, o Grande ABC tem nove shoppings, que reabrirão entre 16h e 20h, terão de oferecer álcool gel, aferir a temperatura e obrigar o uso de máscaras por clientes, funcionários e lojistas. Também terão de liminar a 20% da capacidade de frequentadores. 



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