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Mercado municipal se reinventa na quarentena

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

No endereço tradicional de São Bernardo, lojistas se adaptam para driblar queda na procura, que chegou a 20%


Flavia Kurotori
Diário do Grande ABC

28/05/2020 | 23:59


Tradicional centro de compras da região, o Mercado Municipal do Rudge Ramos, em São Bernardo, também sofreu com os efeitos da quarentena. Segundo a Prefeitura, o fluxo de clientes reduziu cerca de 20% no período. Para driblar os efeitos negativos, lojistas precisaram se adaptar e aderiram ao delivery, já que, de acordo com eles, a maioria dos clientes é de idosos, que pertencem ao grupo de risco da Covid-19 e estão respeitando o isolamento físico.

Marilene Ferreira Dias, presidente da Associação dos Permissionários do Mercado Municipal do Rudge Ramos e proprietária de um box de cereais, afirmou que as vendas reduziram para todos, porém, o percentual varia conforme o segmento de atuação. “No meu caso, caiu 30%, mas depende do ramo de cada um. Temos sempre a mesma clientela e o público principal é a terceira idade, que não pode sair de casa, então intensificamos as entregas com vendas via WhatsApp, o que antes era raro”, relatou.

Exemplo do respiro que o delivery está dando é um dos açougues. O proprietário, Rodrigo Papadopoli José, observou que as vendas caíram 20% no período. “Sem isso, teriam caído 40%, então dá uma boa ajuda”, apontou ele, que contratou um funcionário para a atividade. Na avaliação do comerciante, ainda que as pessoas estejam ficando mais em casa, a redução no horário de funcionamento do mercado – que opera das 10h às 16h na quarentena – foi o que mais impactou nos negócios.

Adaiana Assumpção, atendente em loja de massas caseiras e congelados instalada há dez anos no local, destacou que o movimento chegou a cair 50%. “Hoje, estamos atendendo mais por delivery mesmo, principalmente para os idosos”, disse. Mesma redução foi observada pela funcionária de uma adega, Vânia Carneiro, que avaliou como “queda absurda”. “Normalmente, o pessoal compra bebidas para festas, mas como não está podendo, prejudicou muito”, assinalou.

Em hortifrúti instalado há 35 anos, Eduardo Gonçalves, filho do dono, conhecido como Martinho, afirmou que as vendas caíram 40% nas duas primeiras semanas da quarentena. “Ainda não normalizou, mas está voltando aos poucos. O que está diferente é que uma pessoa vem e acaba comprando para mais gente, como a mãe, a sogra ou vizinho”, contou. O serviço de entrega foi adotado recentemente.

No mercado municipal apenas os comércios essenciais estão abertos, assim, a parte de magazine, com lojas de roupas, sapatos, brinquedos e armarinhos, por exemplo, está atendendo via redes sociais para retirada ou entrega de produtos. Vendedora em um box de vestuário, Patrícia Gava Fachini explicou que as vendas caíram praticamente a zero. “Temos um grupo com as clientes onde mandamos fotos conforme elas pedem. É o único jeito de continuarmos trabalhando, porque não resolve fechar e continuar chegando aluguel, (contas de) água e luz.”

Diversidade de produtos conquistou clientela fiel


Há cerca de meio século no endereço, o Mercado Municipal do Rudge Ramos conquistou clientela fiel por meio da diversidade de produtos disponíveis. “Aqui (no estabelecimento), compro coisas que não encontro em outros lugares, como produtos regionais e diferenciados (como de Minas Gerais e do Nordeste)”, relatou o aposentado André Rotatori, morador de São Bernardo, 59 anos, e que frequenta o local há 50. “Normalmente, venho uma vez na semana, até porque alguns produtos chegam a ser mais baratos do que fora.”

A contadora Alessandra Dunder, 47, vai frequentemente ao centro de compras há 25 anos. “Tem desde os produtos básicos até outros mais diferentes. Para ter uma ideia, eu morava aqui (em São Bernardo), mudei para São Caetano, mas continuo vindo para fazer compras. Já até conheço os comerciantes”, contou.

Em nota, a Prefeitura de São Bernardo informou que são 60 permissionários no mercado. De acordo com a administração, os cuidados no local foram redobrados, com limpeza constante, disponibilização de álcool gel nas lojas e nas áreas comuns, assim como exigência do uso de máscaras. A partir da próxima segunda-feira, o horário de funcionamento será ampliado, passando a ser das 9h às 17h.

MUDANÇA
Segundo relato dos comerciantes, a clientela do mercado municipal é fiel e composta principalmente por idosos. Contudo, nos últimos três anos, os lojistas avaliam que o movimento decresceu aproximadamente 70% em razão da mudança do perfil da nova geração de clientes, que opta pelas grandes redes e compras on-line.FK



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Mercado municipal se reinventa na quarentena

No endereço tradicional de São Bernardo, lojistas se adaptam para driblar queda na procura, que chegou a 20%

Flavia Kurotori
Diário do Grande ABC

28/05/2020 | 23:59


Tradicional centro de compras da região, o Mercado Municipal do Rudge Ramos, em São Bernardo, também sofreu com os efeitos da quarentena. Segundo a Prefeitura, o fluxo de clientes reduziu cerca de 20% no período. Para driblar os efeitos negativos, lojistas precisaram se adaptar e aderiram ao delivery, já que, de acordo com eles, a maioria dos clientes é de idosos, que pertencem ao grupo de risco da Covid-19 e estão respeitando o isolamento físico.

Marilene Ferreira Dias, presidente da Associação dos Permissionários do Mercado Municipal do Rudge Ramos e proprietária de um box de cereais, afirmou que as vendas reduziram para todos, porém, o percentual varia conforme o segmento de atuação. “No meu caso, caiu 30%, mas depende do ramo de cada um. Temos sempre a mesma clientela e o público principal é a terceira idade, que não pode sair de casa, então intensificamos as entregas com vendas via WhatsApp, o que antes era raro”, relatou.

Exemplo do respiro que o delivery está dando é um dos açougues. O proprietário, Rodrigo Papadopoli José, observou que as vendas caíram 20% no período. “Sem isso, teriam caído 40%, então dá uma boa ajuda”, apontou ele, que contratou um funcionário para a atividade. Na avaliação do comerciante, ainda que as pessoas estejam ficando mais em casa, a redução no horário de funcionamento do mercado – que opera das 10h às 16h na quarentena – foi o que mais impactou nos negócios.

Adaiana Assumpção, atendente em loja de massas caseiras e congelados instalada há dez anos no local, destacou que o movimento chegou a cair 50%. “Hoje, estamos atendendo mais por delivery mesmo, principalmente para os idosos”, disse. Mesma redução foi observada pela funcionária de uma adega, Vânia Carneiro, que avaliou como “queda absurda”. “Normalmente, o pessoal compra bebidas para festas, mas como não está podendo, prejudicou muito”, assinalou.

Em hortifrúti instalado há 35 anos, Eduardo Gonçalves, filho do dono, conhecido como Martinho, afirmou que as vendas caíram 40% nas duas primeiras semanas da quarentena. “Ainda não normalizou, mas está voltando aos poucos. O que está diferente é que uma pessoa vem e acaba comprando para mais gente, como a mãe, a sogra ou vizinho”, contou. O serviço de entrega foi adotado recentemente.

No mercado municipal apenas os comércios essenciais estão abertos, assim, a parte de magazine, com lojas de roupas, sapatos, brinquedos e armarinhos, por exemplo, está atendendo via redes sociais para retirada ou entrega de produtos. Vendedora em um box de vestuário, Patrícia Gava Fachini explicou que as vendas caíram praticamente a zero. “Temos um grupo com as clientes onde mandamos fotos conforme elas pedem. É o único jeito de continuarmos trabalhando, porque não resolve fechar e continuar chegando aluguel, (contas de) água e luz.”

Diversidade de produtos conquistou clientela fiel


Há cerca de meio século no endereço, o Mercado Municipal do Rudge Ramos conquistou clientela fiel por meio da diversidade de produtos disponíveis. “Aqui (no estabelecimento), compro coisas que não encontro em outros lugares, como produtos regionais e diferenciados (como de Minas Gerais e do Nordeste)”, relatou o aposentado André Rotatori, morador de São Bernardo, 59 anos, e que frequenta o local há 50. “Normalmente, venho uma vez na semana, até porque alguns produtos chegam a ser mais baratos do que fora.”

A contadora Alessandra Dunder, 47, vai frequentemente ao centro de compras há 25 anos. “Tem desde os produtos básicos até outros mais diferentes. Para ter uma ideia, eu morava aqui (em São Bernardo), mudei para São Caetano, mas continuo vindo para fazer compras. Já até conheço os comerciantes”, contou.

Em nota, a Prefeitura de São Bernardo informou que são 60 permissionários no mercado. De acordo com a administração, os cuidados no local foram redobrados, com limpeza constante, disponibilização de álcool gel nas lojas e nas áreas comuns, assim como exigência do uso de máscaras. A partir da próxima segunda-feira, o horário de funcionamento será ampliado, passando a ser das 9h às 17h.

MUDANÇA
Segundo relato dos comerciantes, a clientela do mercado municipal é fiel e composta principalmente por idosos. Contudo, nos últimos três anos, os lojistas avaliam que o movimento decresceu aproximadamente 70% em razão da mudança do perfil da nova geração de clientes, que opta pelas grandes redes e compras on-line.FK

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