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Aldeia Krukutu registra 22 infectados pela Covid-19

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Terra indígena na divisa com São Bernardo se isola para proteger os seus habitantes


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

26/05/2020 | 02:37


Isolados e calados. Depois das primeiras identificações de novo coronavírus em indígenas, a aldeia Krukutu, localizada em Parelheiros, distrito na Zona Sul de São Paulo, na divisa com São Bernardo (Riacho Grande), fechou seus portões. Há alguns dias, só recebe visitantes que vão levar doações e, mesmo assim, de maneira organizada, com hora marcada. Além disso, a UBS (Unidade Básica de Saúde) instalada dentro da aldeia vem realizando testagem (fornecida pela prefeitura da Capital) na população.

De acordo com dados aos quais o Diário teve acesso, pelo menos 22 índios da aldeia Krukutu (que faz parte da terra indígena Tenondé Porã e tem aproximadamente 300 habitantes) positivaram para a Covid-19 até o dia 20 de maio. Para não contaminar os demais, os adoentados permanecem isolados no Ceci (Centro de Educação e Cultura Indígena), que teve aulas interrompidas e serve como enfermaria aos infectados.

Um dos indígenas da aldeia, que respondeu às tentativas de contato do Diário, explicou que a medida de não dar entrevista partiu da alta cúpula da aldeia. “As lideranças decidiram não atender à imprensa durante este período. Às vezes as coisas aumentam mais do que o necessário. Estamos tranquilos, sossegados com nosso postinho de saúde dando assistência. Por isso é bom dar um tempo para não ter problema com distorção”, disse.

Em abril, quando ainda não havia casos registrados na aldeia, o krukutu Olívio Jekupé admitiu com exclusividade, ao receber equipe de reportagem do Diário, que tinha receio de que algum visitante levasse o vírus para dentro da aldeia. “Temos mais medo que tragam a doença para nós do que saiam contaminados daqui. Os índios que já foram confirmados com o novo coronavírus foram acometidos pela presença dos garimpeiros em suas terras, e não porque eles desenvolveram a enfermidade”, pontuou o indígena.

Até o dia 23, segundo dados da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), foram registradas 125 mortes de indígenas por Covid-19 no País, além de 987 infectados. De acordo com o indigenista atuante e coordenador da ONG Opção Brasil Marcos Júlio Aguiar, é necessário que também haja atenção aos índios nestes tempos de pandemia. “O coronavírus surgiu de contexto de natureza, mas é uma doença urbana, o fluxo maior foi em cidades lá na China e veio para outros países, como o Brasil, tanto que o impacto inicial está sendo nas áreas urbanas. Mas, dentro disso, têm os grupos e subgrupos que são atingidos por este processo, como os indígenas.” 



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Aldeia Krukutu registra 22 infectados pela Covid-19

Terra indígena na divisa com São Bernardo se isola para proteger os seus habitantes

Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

26/05/2020 | 02:37


Isolados e calados. Depois das primeiras identificações de novo coronavírus em indígenas, a aldeia Krukutu, localizada em Parelheiros, distrito na Zona Sul de São Paulo, na divisa com São Bernardo (Riacho Grande), fechou seus portões. Há alguns dias, só recebe visitantes que vão levar doações e, mesmo assim, de maneira organizada, com hora marcada. Além disso, a UBS (Unidade Básica de Saúde) instalada dentro da aldeia vem realizando testagem (fornecida pela prefeitura da Capital) na população.

De acordo com dados aos quais o Diário teve acesso, pelo menos 22 índios da aldeia Krukutu (que faz parte da terra indígena Tenondé Porã e tem aproximadamente 300 habitantes) positivaram para a Covid-19 até o dia 20 de maio. Para não contaminar os demais, os adoentados permanecem isolados no Ceci (Centro de Educação e Cultura Indígena), que teve aulas interrompidas e serve como enfermaria aos infectados.

Um dos indígenas da aldeia, que respondeu às tentativas de contato do Diário, explicou que a medida de não dar entrevista partiu da alta cúpula da aldeia. “As lideranças decidiram não atender à imprensa durante este período. Às vezes as coisas aumentam mais do que o necessário. Estamos tranquilos, sossegados com nosso postinho de saúde dando assistência. Por isso é bom dar um tempo para não ter problema com distorção”, disse.

Em abril, quando ainda não havia casos registrados na aldeia, o krukutu Olívio Jekupé admitiu com exclusividade, ao receber equipe de reportagem do Diário, que tinha receio de que algum visitante levasse o vírus para dentro da aldeia. “Temos mais medo que tragam a doença para nós do que saiam contaminados daqui. Os índios que já foram confirmados com o novo coronavírus foram acometidos pela presença dos garimpeiros em suas terras, e não porque eles desenvolveram a enfermidade”, pontuou o indígena.

Até o dia 23, segundo dados da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), foram registradas 125 mortes de indígenas por Covid-19 no País, além de 987 infectados. De acordo com o indigenista atuante e coordenador da ONG Opção Brasil Marcos Júlio Aguiar, é necessário que também haja atenção aos índios nestes tempos de pandemia. “O coronavírus surgiu de contexto de natureza, mas é uma doença urbana, o fluxo maior foi em cidades lá na China e veio para outros países, como o Brasil, tanto que o impacto inicial está sendo nas áreas urbanas. Mas, dentro disso, têm os grupos e subgrupos que são atingidos por este processo, como os indígenas.” 

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