
Com André Ceccato e Flávio Guarnieri no elenco, estréia nesta segunda no teatro Itália, em Sao Paulo, a comédia O Noviço, de Martins Pena. O próprio Ceccato dirige a montagem. Eduardo Silva, do Grupo Ornitorrinco, assina a supervisao de direçao.
Ambrósio (Ceccato) é o ambicioso e mau caráter que se casa com a viúva rica Florência (Sueli Gonçalves). Esta, persuadida por ele, envia os filhos Juca (Fredy Alan) e Emília (Iara Brasil) e o sobrinho Carlos (Guarnieri) para o convento.
Ambrósio tem como objetivo impedir que a fortuna da esposa chegue às maos dos familiares dela. Quando Rosa (Romana Flora) e o Padre-Mestre (Maurycio Madruga) chegam, começam os quiprocós e o jogo de armadilhas montados pelas personagens.
"Martins Pena criou a comédia de costumes no Brasil. O Noviço é uma sátira da situaçao brasileira no período da corte", diz Ceccato. A peça é de 1845. Ainda que a montagem tenha respeitado o texto original, o diretor sustenta que o espetáculo é atual.
"Há um trabalho de transparecimento da emoçao pelo corpo, que fala muito", afirma. "A linguagem farsesca do espetáculo, a triangulaçao facial (quando o ator fala com a platéia) e os vícios de gesto que os atores criaram facilitam a compreensao do texto", completa.
Para Guarnieri, Carlos é o alter ego do autor. "O noviço é um grande revolucionário da época. Ele entende que as pessoas têm o direito de fazer o que bem quiserem", diz. O ator interpreta o mesmo personagem que o pai, Gianfrancesco, fez em 1963, no Teatro de Arena.
Guarnieri afirma ainda que montar Martins Pena é importante porque o teatro brasileiro precisa de um retorno aos grandes autores nacionais. "Hoje, o teatro está voltado para a pirotecnia. A palavra está perdendo valor", analisa.
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