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Mães e filhos recorrem à tecnologia para estarem juntos

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Prorrogação da quarentena em todo Estado frustrou planos de quem pretendia se reunir neste domingo


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

10/05/2020 | 07:00


Hoje, data em que todo o País celebra o Dia das Mães, o famoso almoço está sendo ‘trocado’ por telefones e chamadas em vídeo. O Estado de São Paulo segue em quarentena e com medidas de distanciamento físico até o dia 31 de maio, como tentativa de conter a pandemia de Covid-19. As famílias que pensaram que já seria possível se encontrar no dia de hoje, tiveram que adiar o abraço.

A professora Ivy Regina de Lima Lavado, 39 anos, pretendia se reunir com a mãe, Regina Bertachini, 58, psicóloga, e a irmã Ana Paula Coelho, 29, também professora, para o almoço na casa da matriarca da família, em São Bernardo. “A gente estava na expectativa de que talvez a quarentena fosse aliviada e daria para a gente se encontrar. Já tínhamos até escolhido a sobremesa: torta de maracujá”, citou. Com os planos frustrados, a programação agora é almoçar no mesmo horário, todas se vendo pelo telefone.

Mãe de Ivy e Ana Paula, Regina relatou que vai ser difícil passar o Dia das Mães, pela primeira vez, longe das filhas. “Estou saudável e desde o dia 18 de março sem sair de casa. Minhas filhas também estão saudáveis e seria bom reunir todo mundo. Mas isso significa colocar minhas filhas e netas em perigo, então é uma decisão bem difícil, mas acredito que neste momento o ideal é estarmos separados para nos mantermos sadios e estarmos juntos daqui a pouco”, afirmou. Regina já planeja uma grande festa para reunir a família quando tudo isso passar. “Montar tudo e chamar pessoas que estou louca para abraçar”, completou.

Também em São Bernardo, a engenheira Andressa Calza, 42, já estava conformada de que não poderia encontrar a mãe, a aposentada Iuná Calza, 68, para celebrar o Dia das Mães. A família tem dado intervalos de 15 dias sem contato, para evitar contaminação. “A gente se vê de longe. Fiquei 40 dias sem abraçar meus pais e abri exceção no mês passado. Temos medo de uma despedida sem que a gente tenha ao menos se abraçado”, lamentou.

Iuná acreditava que no segundo domingo de maio seria possível encontrar os dois filhos, mas encara a situação com resignação. “Aprendi, de novo, que a saudade dói. Que sempre devemos abraçar e beijar muito os nossos queridos. Somos abençoados por termos moradia, alimento e condições de ficarmos em isolamento”, concluiu.

Quem já mora longe e pretendia matar as saudades no Dia das Mães também se frustrou. A produtora de conteúdo Larissa Mariano está passando a quarentena com a mãe Simone Mariano, 44, em Santo André. Todos os anos, o destino no segundo domingo de maio é a casa da avó Sueli Mariano, 67, que mora em São Vicente, Litoral de São Paulo. O presente já foi comprado e será entregue na residência da aposentada. “Acho que este momento tem me mostrado bastante o quanto é importante separar os tempos para cada coisa”, relatou.

Sueli, que tem três filhos e três netos, agradece a oportunidade de ter a tecnologia para poder matar a saudade dos familiares. “Isso já nos dá um conforto. Vou preparar o almoço, por mim e por todas as mães. É uma data que eu gosto, que a gente quer um carinho a mais”, afirmou. “Essa pandemia veio para a gente valorizar a família”, concluiu.

A zeladora Jéssica Bonizzi, 28, moradora de Mauá, também pretendia ir para Praia Grande visitar a mãe e a avó. “Meu aniversário é dia 8 de maio, então já ia passar as duas datas com elas. Agora, vamos fazer o almoço e comer juntas, à distância”, completou. Jéssica fala com a mãe, a professora Patricia Leite, 45, quase todos os dias. “A gente já tem chorado, no domingo (hoje) vai ser pior ainda”, declarou. Para Patrícia, esse período vai deixar aprendizados. “Que família é tudo nessa vida. Que temos que nos unir cada vez mais. Que a vida é curta e hoje estamos aqui e amanhã só Deus sabe.”

Especialista destaca importância em manter medidas de distanciamento físico

Por mais que a saudade esteja grande, a recomendação dos especialistas é para que as pessoas não rompam a quarentena no Dia das Mães. Infectologista, pediatra e professor da Fcmscsp (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo), Marco Aurelio Safadi aponta que os dados epidemiológicos atuais não indicam que seja o momento para a retomada dos contatos físicos entre as pessoas.

“As medidas de distanciamento devem ser mantidas porque temos um aumento contínuo dos casos, aumento das mortes e cada vez menos leitos disponíveis”, exemplificou. Até ontem, o Estado de São Paulo tinha 44.411 pacientes infectados pelo novo coronavírus e 3.608 mortes. No Grande ABC, são 2.751 casos confirmados e 258 óbitos. “É penoso para todos, a gente sabe dos impactos na economia, mas é uma escolha que precisamos fazer neste momento”, afirmou.

Safadi pontuou que o fato de as pessoas terem reduzido a exposição na rua não pode ser considerado como garantia de que não haja contaminação. “As pessoas ainda estão saindo, seja para ir ao mercado ou à padaria. Encontram com outras pessoas, que podem ter funcionários, que podem estar indo na casa de terceiros. Não tem como saber”, destacou.

A psicóloga Pollyana Esteves de Oliveira orienta que o momento deve ser de ressignificação. “Está todo mundo com saudades, mas vamos focar no que temos. Temos a tecnologia, o telefone, as chamadas de vídeo e temos saúde. Vamos nos apegar a isso para passar por essa fase”, aconselhou. “Ficar triste, na melancolia, só vai nos trazer sentimentos ruins”, concluiu. 



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Mães e filhos recorrem à tecnologia para estarem juntos

Prorrogação da quarentena em todo Estado frustrou planos de quem pretendia se reunir neste domingo

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

10/05/2020 | 07:00


Hoje, data em que todo o País celebra o Dia das Mães, o famoso almoço está sendo ‘trocado’ por telefones e chamadas em vídeo. O Estado de São Paulo segue em quarentena e com medidas de distanciamento físico até o dia 31 de maio, como tentativa de conter a pandemia de Covid-19. As famílias que pensaram que já seria possível se encontrar no dia de hoje, tiveram que adiar o abraço.

A professora Ivy Regina de Lima Lavado, 39 anos, pretendia se reunir com a mãe, Regina Bertachini, 58, psicóloga, e a irmã Ana Paula Coelho, 29, também professora, para o almoço na casa da matriarca da família, em São Bernardo. “A gente estava na expectativa de que talvez a quarentena fosse aliviada e daria para a gente se encontrar. Já tínhamos até escolhido a sobremesa: torta de maracujá”, citou. Com os planos frustrados, a programação agora é almoçar no mesmo horário, todas se vendo pelo telefone.

Mãe de Ivy e Ana Paula, Regina relatou que vai ser difícil passar o Dia das Mães, pela primeira vez, longe das filhas. “Estou saudável e desde o dia 18 de março sem sair de casa. Minhas filhas também estão saudáveis e seria bom reunir todo mundo. Mas isso significa colocar minhas filhas e netas em perigo, então é uma decisão bem difícil, mas acredito que neste momento o ideal é estarmos separados para nos mantermos sadios e estarmos juntos daqui a pouco”, afirmou. Regina já planeja uma grande festa para reunir a família quando tudo isso passar. “Montar tudo e chamar pessoas que estou louca para abraçar”, completou.

Também em São Bernardo, a engenheira Andressa Calza, 42, já estava conformada de que não poderia encontrar a mãe, a aposentada Iuná Calza, 68, para celebrar o Dia das Mães. A família tem dado intervalos de 15 dias sem contato, para evitar contaminação. “A gente se vê de longe. Fiquei 40 dias sem abraçar meus pais e abri exceção no mês passado. Temos medo de uma despedida sem que a gente tenha ao menos se abraçado”, lamentou.

Iuná acreditava que no segundo domingo de maio seria possível encontrar os dois filhos, mas encara a situação com resignação. “Aprendi, de novo, que a saudade dói. Que sempre devemos abraçar e beijar muito os nossos queridos. Somos abençoados por termos moradia, alimento e condições de ficarmos em isolamento”, concluiu.

Quem já mora longe e pretendia matar as saudades no Dia das Mães também se frustrou. A produtora de conteúdo Larissa Mariano está passando a quarentena com a mãe Simone Mariano, 44, em Santo André. Todos os anos, o destino no segundo domingo de maio é a casa da avó Sueli Mariano, 67, que mora em São Vicente, Litoral de São Paulo. O presente já foi comprado e será entregue na residência da aposentada. “Acho que este momento tem me mostrado bastante o quanto é importante separar os tempos para cada coisa”, relatou.

Sueli, que tem três filhos e três netos, agradece a oportunidade de ter a tecnologia para poder matar a saudade dos familiares. “Isso já nos dá um conforto. Vou preparar o almoço, por mim e por todas as mães. É uma data que eu gosto, que a gente quer um carinho a mais”, afirmou. “Essa pandemia veio para a gente valorizar a família”, concluiu.

A zeladora Jéssica Bonizzi, 28, moradora de Mauá, também pretendia ir para Praia Grande visitar a mãe e a avó. “Meu aniversário é dia 8 de maio, então já ia passar as duas datas com elas. Agora, vamos fazer o almoço e comer juntas, à distância”, completou. Jéssica fala com a mãe, a professora Patricia Leite, 45, quase todos os dias. “A gente já tem chorado, no domingo (hoje) vai ser pior ainda”, declarou. Para Patrícia, esse período vai deixar aprendizados. “Que família é tudo nessa vida. Que temos que nos unir cada vez mais. Que a vida é curta e hoje estamos aqui e amanhã só Deus sabe.”

Especialista destaca importância em manter medidas de distanciamento físico

Por mais que a saudade esteja grande, a recomendação dos especialistas é para que as pessoas não rompam a quarentena no Dia das Mães. Infectologista, pediatra e professor da Fcmscsp (Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo), Marco Aurelio Safadi aponta que os dados epidemiológicos atuais não indicam que seja o momento para a retomada dos contatos físicos entre as pessoas.

“As medidas de distanciamento devem ser mantidas porque temos um aumento contínuo dos casos, aumento das mortes e cada vez menos leitos disponíveis”, exemplificou. Até ontem, o Estado de São Paulo tinha 44.411 pacientes infectados pelo novo coronavírus e 3.608 mortes. No Grande ABC, são 2.751 casos confirmados e 258 óbitos. “É penoso para todos, a gente sabe dos impactos na economia, mas é uma escolha que precisamos fazer neste momento”, afirmou.

Safadi pontuou que o fato de as pessoas terem reduzido a exposição na rua não pode ser considerado como garantia de que não haja contaminação. “As pessoas ainda estão saindo, seja para ir ao mercado ou à padaria. Encontram com outras pessoas, que podem ter funcionários, que podem estar indo na casa de terceiros. Não tem como saber”, destacou.

A psicóloga Pollyana Esteves de Oliveira orienta que o momento deve ser de ressignificação. “Está todo mundo com saudades, mas vamos focar no que temos. Temos a tecnologia, o telefone, as chamadas de vídeo e temos saúde. Vamos nos apegar a isso para passar por essa fase”, aconselhou. “Ficar triste, na melancolia, só vai nos trazer sentimentos ruins”, concluiu. 

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