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Deslocamento de frotas mostra o impacto da Covid-19 na economia

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Plataforma que mapeia atividades conforme operações do sistema de transporte mostra desaceleração de até 81% no setor industrial


Flavia Kurotori
do Diário do Grande ABC

10/05/2020 | 07:07


 Na região, entre os principais setores afetados pela quarentena ocasionada pelo novo coronavírus, está a indústria de transformação, cuja atividade desacelerou até 81% no período em comparação ao mês imediatamente anterior ao decreto estadual. As informações são da plataforma da Cobli, startup de rastreamento e monitoramento de frota, e foram levantadas pelo Diário. Os dados são baseados no deslocamento de veículos das empresas atendidas pela startup.

Além de Santo André, onde teve a maior queda, o segmento industrial desacelerou em São Bernardo (-64%) e Diadema (-7%). Outras áreas duramente afetadas, segundo o estudo, foram a do comércio de reparação de veículos automotores e motocicletas – redução de 75% em Ribeirão Pires, 69% em Mauá, 64% em São Caetano, 54% em São Bernardo e, em Santo André, 52% – e de outras atividades de serviço, cuja queda foi de 96% em São Caetano e de 74% em Santo André (veja mais na arte ao lado).

Uma vez que as informações são baseadas no deslocamento das frotas das empresas, Rodrigo Mourad, diretor-executivo da Cobli, avalia que um dos problemas a curto prazo são os impactos em atores secundários. “A queda da quilometragem rodada já está impactando o consumo de combustível. Isso, por sua vez, vai impactar setores como petróleo e autopeças, estendendo o efeito”, assinala. Com o impacto em cadeia, a retomada será mais lenta para diversos setores, como a indústria.

Inclusive, a quarentena, prolongada pelo governo do Estado pela segunda vez na sexta-feira, estendendo até dia 31, somada ao cenário político incerto, pode gerar série de problemas para o segmento. Exemplo é que Anuar Dequech Junior, diretor titular do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Diadema, não descarta que alguma das cinco montadoras com planta na região – Volkswagen, Mercedes-Benz, Scania e Toyota, em São Bernardo; e GM, em São Caetano – repense a permanência no País. Vale lembrar que a estimativa é que cada emprego em montadora equivale a cerca de cinco trabalhadores na cadeia.

"A indústria só se perpetua quando a roda está girando, ou seja, quando está produzindo, comprando e vendendo. Temos perspectiva que as montadoras comecem a retomar as atividades nas próximas semanas, mas a situação pode se complicar e elas certamente podem reavaliar a permanência no País”, afirma Dequech Junior. “Hoje, temos fábricas produzindo apenas 30% da capacidade, mas mantendo toda estrutura para produzir 100%.”

Para Ricardo Balistiero, coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia, agravante é a desarticulação política do País. “Enquanto não tivermos uma unidade vinda do governo federal, as coisas vão continuar difíceis. Nós estamos atrasados, pois, se tivéssemos um comando central (vindo da Presidência da República), em 60 dias (desde a chegada no coronavírus no País) estaríamos saindo da quarentena e voltando ao normal aos poucos.”

Em comparação à crise que o País atravessou entre 2014 e meados de 2018, e que a economia ainda estava se recuperando quando a Covid-19 começou a afetar as atividades, Balistiero estima que esta turbulência deve ter uma saída mais rápida. “Diferentemente do que o Paulo Guedes (ministro da Economia) disse, o Brasil não estava voando antes disso (crise ocasionada pelo coronavírus), então, voltar à atividade normal, com 1,5% de crescimento, deve ser menos demorado”.

No entanto, desta vez, o baque da crise foi bem maior, uma vez que parou totalmente 90% dos setores. “Antes, as empresas conseguiam trabalhar na dimensão dos gastos e conseguiam ajustar os recursos, mas, agora, simplesmente não estão produzindo nada”, afirma Dequech Junior. Segundo dados da Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, divulgados sexta-feira, abril teve a pior produção desde a chegada da indústria automotiva ao País, em 1957, com 1.800 unidades.

Além disso, o mercado externo, que foi uma das saídas que as fábricas nacionais encontraram para sobreviver, também está afetado em razão do vírus. O dirigente exemplifica que a emissão de certificados de origem pelo Ciesp de Diadema caiu 50% durante a quarentena, mostrando que as exportações estão pela metade. “É um problema de oferta e demanda, sendo uma oportunidade para os países repensarem o modelo extremamente dependente de outras nações”, adiciona Balistiero.



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