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Via Varejo tem prejuízos de R$ 1,19 bi por fraude contábil

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Companhia divulgou balanço financeiro do quarto trimestre de 2019 com ajustes, ontem


Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

26/03/2020 | 23:45


A Via Varejo, companhia sediada em São Caetano e dona das redes Casas Bahia e Ponto Frio, concluiu investigação independente atestando fraude contábil na empresa, com impacto de R$ 1,19 bilhão. O prejuízo somente no quarto trimestre do ano passado foi de R$ 875 milhões, conforme apresentado ontem ao mercado acionário. Os papéis da empresa já acumulam desvalorização de quase 60% desde o início de março, impactados principalmente pela crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus.

De acordo com o fato relevante divulgado, a conclusão das investigações iniciadas em novembro de 2019, em resposta a denúncias anônimas, confirmou as evidências de fraude contábil caracterizada pela manipulação da provisão para “processos trabalhistas da companhia e pelo diferimento indevido na baixa de ativos e contabilização de passivos fora de suas respectivas competências mensais”, informou. O documento também diz que ocorreram falhas de controles internos resultando em erros nas contas de provisão para estes processos, além de depósitos (garantias) judiciais.

Por causa disso, a companhia reajustou as demonstrações financeiras do último trimestre do ano passado, com prejuízo de R$ 875 milhões do período e de R$ 14 bilhões em 2019. A situação ficou ainda mais grave do que em 2018, quando o ano foi encerrado com perda de R$ 291 milhões, de acordo com o balanço financeiro da empresa.

Segundo o economista da Messem Investimentos Gustavo Bertotti, as ações já tinham sido afetadas no ano passado, com a divulgação da investigação. “O mercado já esperava pelo resultado do balanço, por causa do que foi divulgado no fim do ano passado. Acredito que o maior impacto seja na geração de receita futura da empresa, que já está sendo impactada pela paralisação atual da economia”, disse ele, ponderando que todas as empresas do País devem ser afetadas com a crise mundial da disseminação da Covid-19.

“As companhias que possuem e-commerce desenvolvido vão conseguir passar melhor por esse período”, disse ele, pontuando que é o caso da Via Varejo, mas que, mesmo neste quesito, ela fica abaixo da concorrente Magazine Luiza. O especialista afirmou que enquanto a Via Varejo possui capital de giro (liquidez de recursos para as atividades financeiras) em -26%, a concorrente está no positivo em 35%. “Isso significa que a Via Varejo possui risco de endividamento maior a curto prazo”, analisou Bertotti.

Ontem, as ações da Via Varejo fecharam o pregão valendo R$ 5,70 (-0,18% do que o dia anterior). Porém, desde o início de março, a desvalorização dos papéis chega a 58,44%. Em conferência com os investidores realizada ontem, a Via Varejo também informou que deve paralisar o plano de abertura de lojas para 2020. Conforme noticiado pelo Diário, em março, a região se prepara para receber duas lojas da Havan, concorrente da rede, totalizando investimento de R$ 70 milhões cada uma.

O problema de indícios de fraude contábil também atinge outra empresa de capital aberto da região. A CVC Corp (leia mais abaixo), com sede em Santo André, e que ainda investiga o caso, também sofre os efeitos de desvalorização no mercado.

Questionada, a Via Varejo informou que ia se manifestar somente pelo fato relevante divulgado.

CVC também apura indícios de erros nos últimos exercícios

Entre as cinco empresas com capital aberto que atuam na região, outra também investiga problema parecido ao da Via Varejo. A CVC Corp, operadora de turismo com sede em Santo André, afirmou no início deste ano que apura “indícios de erros”nos balanços dos últimos quatro exercícios da companhia.

Na quarta-feira, a empresa divulgou plano de compensação do novo diretor presidente, indicado pelo conselho de administração da companhia, Leonel Andrade, que assume em abril. Ele foi diretor-presidente da Smiles, o programa de milhagens da Gol Linhas Aéreas, e substitui Luiz Fernando Fogaça, que fica no cargo até dia 30.

A empresa vai adotar série de medidas para manter a saúde financeira da companhia em meio à pandemia do novo coronavírus. Uma delas é a redução de 50% da jornada de trabalho dos colaboradores, além de cortar 50% dos salários de diretores executivos e conselheiros administrativos.

Com isso, a companhia prevê gastos recorrentes, que incluem folha de pagamento, impostos e investimentos em projetos prioritários e juros da dívida, na ordem de R$ 50 milhões por mês. As ações, previstas para durarem até o fim de maio, também incluem suspensão de contratações e promoções, congelamento de vagas, congelamento de banco de horas e proibição de horas extras adicionais.

Além dos efeitos da pandemia e da apuração do erro contábil, a CVC Corp também sofre com a alta do câmbio, que impacta diretamente na demanda por pacotes de viagens, desde o início deste ano. A previsão é a de que a empresa divulgue o balanço financeiro referente a 2019 na próxima terça-feira.  



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