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Linhas de produção sob risco

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Presidente da Anfavea alerta para chance de paralisação das montadoras em razão do novo coronavírus


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

13/03/2020 | 00:45


O novo coronavírus pode impactar diretamente a indústria automotiva brasileira e, consequentemente, causar algum tipo de efeito no mercado final. Isso porque o fechamento de fábricas e fronteiras pelo mundo afeta em cheio o setor, que em algum degrau da cadeia depende de peças oriundas dos principais países que sofrem com a pandemia. Para o consumidor final, os efeitos só seriam sentidos daqui dois meses. Isso porque as montadoras trabalham com estoques de, pelo menos, um mês.

“Tem risco de parada de produção no fim de março ou em abril? Existe. Mas estamos monitorando caso a caso e alternativas estão sendo consideradas”, declarou Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que conta com 26 marcas associadas. “Por enquanto não tivemos parada, mas existe o risco”, reafirmou o dirigente, que sugeriu às empresas mudarem “o mix de produção ou diminuir produção de modelo que usa componente importado”.

A China representa 13% do fornecimento de autopeças para o Brasil, segundo dados de 2019 do Ministério da Economia. Principal afetado pelo novo coronavírus, o país asiático teve de realizar diversas medidas e manobras para tentar frear a proliferação, entre elas a paralisação de fábricas. E tal situação deixa a indústria automotiva em alerta para falta de peças para montagem e reposição, apesar de, por enquanto, ainda haver um discurso de tranquilidade. “Em tese temos estoque para continuar produzindo nas próximas semanas”, disse Luiz Carlos Moraes. “Podemos ter algum problema de importação de componente depois disso.”

Os produtos que vêm da China demoram entre 30 e 40 dias para chegarem ao Porto de Santos. Depois, ainda ficam mais aproximadamente 15 dias sob processo alfandegário.

Em resposta ao Diário, GM e Mercedes-Benz, com fábricas em São Caetano e São Bernardo, afirmaram que ainda não houve impacto na produção de veículos e que estão atentas junto aos fornecedores (leia mais abaixo).

Montadoras conferem origem de produtos com fornecedores

O temor de ficar sem peças para montagem dos veículos fez as empresas do setor automobilístico consultarem seus fornecedores sobre produção e importação de produtos, para que os efeitos e estratégias adotadas em razão do novo coronavírus não impactem as linhas de montagem.

“A base de fornecimento para a cadeia automotiva no Brasil vem da China e da Europa. Por conta disso, hoje há o problema de importação de peças para montar os carros. Com isso, várias montadoras mandaram e-mails perguntando se alguma das peças que produzimos tem origem em alguma localização da Ásia. Não temos especificamente, mas os nossos fornecedores têm. Então, indiretamente a gente acaba sendo atingido por isso”, explica Paulo Ayoub, gerente comercial da Copam, empresa de Ribeirão Pires que está no mercado desde 1966 e fornece itens de acabamento para interior de veículos para montadoras como Ford, GM, Renault, Mercedes, Faurecia, Marcopolo e outras.

Além de medidas preventivas para a linha de produção, as montadoras também vêm adotando outras práticas, a fim de evitar contágio pelo vírus. A GM, em São Caetano, por exemplo, vem solicitando aos visitantes que respondam questionário sobre a própria saúde para triagem. A Mercedes explicou que vem realizando trabalhos de conscientização e orientação aos colaboradores.

Vendas de carros caem quase 80% na China em fevereiro

O novo coronavírus (Covid-19) vem se intensificando no Brasil nas últimas semanas. Entretanto, na China já é um problema há mais de um mês e os impactos vão muito além da saúde. Isso porque, segundo informações da Associação de Fabricantes de Automóveis do país, as vendas de fevereiro caíram 79,1% com relação ao mesmo período no ano anterior. Então epidemia, o vírus fechou fábricas e concessionárias, forçando as pessoas a ficarem em casa. Consequentemente, apenas 310 mil veículos foram comercializados.

“O consumo de automóveis ficou estagnado e a demanda foi seriamente suprimida, o que terá um impacto significativo sobre o mercado de automóveis no primeiro semestre do ano”, disse Chen Shihua, o vice-secretário-geral da associação.

SALÕES
Depois de Pequim e Genebra, mais um salão foi afetado por conta do novo coronavírus. O evento de Nova York, que seria realizado em abril, foi adiado para o período entre 28 de agosto e 6 de setembro. “Estamos dando esse passo extraordinário para ajudar a proteger nossos participantes, expositores e todos os participantes contra o coronavírus”, disse, em nota, comunicado enviado pela organizadora do salão nova-iorquino. “Embora a decisão de mudar as datas do programa não tenha sido fácil, nossa principal prioridade permanece com a saúde e o bem-estar de todos os envolvidos”, emendou. Nos últimos anos, a exposição atraiu mais de 1 milhão de visitantes, em busca dos principais lançamentos do mercado. 



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