Preservar a tradição da congada é sinônimo de casa cheia para Benedito da Silva Lemes, mais conhecido como Ditinho da Congada. São 30 anos em São Bernardo da cultura que acompanha a família Lemes, oriunda do Sul de Minas Gerais, há mais de 100.
O Grupo de Congada do Parque São Bernardo está hoje com cerca de 50 integrantes - a maioria formada por irmãos, filhos, sobrinhos e netos do coordenador. Há pessoas de 2 a 85 anos, idade da matriarca Maria do Carmo, a dona Cotinha.
A agenda segue agitada para o coletivo com a aproximação de agosto, considerado o Mês do Folclore. Eles circulam por Bom Jesus dos Perdões (SP), Turvolândia (MG) e Machado (MG). No Grande ABC, também garantem espaço: participam da programação do aniversário de 457 anos de São Bernardo, ainda sem data, horário e endereço definidos.
Esta manifestação, que homenageia Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, representa a dança e o batuque que foram trazidos pelos escravos africanos no século 16.
Nas apresentações, a reação do público é sempre muito observada. "Todos prestam atenção. Algumas pessoas choram. Elas se lembram dos avós que praticavam a congada", suspeita Ditinho. É um momento de memória.
História - A família Lemes chegou a São Paulo em 1963, vinda das cidades de Cordislândia e Monsenhor Paulo. Sem contato com a terra natal, a festa deixou de acontecer. "Meu pai trabalhava como pedreiro e minha mãe era do lar. Não íamos a Minas Gerais", justifica.
Mas a primeira viagem já foi suficiente para a retomada. "O sangue ferveu. O que estava adormecido reacendeu", lembra. O folclore tomou conta até de quem teve o primeiro contato: o irmão José, segundo mais novo entre os oito. Em 1980, sugeriu ao pai Antônio (morto há quatro anos) fundar um grupo em São Bernardo.
Maria e Antônio sempre estiveram à frente do grupo. Ver hoje dona Cotinha sozinha comove Ditinho. "Quando olho minha mãe é difícil. Ela já não está mais ao lado de seu bem amado", declara.
Por outro lado, uma satisfação é a juventude como maioria do grupo. "Se eles estão em um grupo folclórico, é com personalidade, o próprio eu. Mas, algumas vezes, não são valorizados", lamenta.
A queixa se deve à inexistência de um projeto de médio ou longo prazo que fomente a cultura popular na cidade. "Em meados de fevereiro, o Coletivo de Cultura Popular de São Bernardo tentou conversar com a Prefeitura e até hoje espera retorno", revela.
Segundo o secretário de Cultura, Leopoldo Nunes, está prevista a construção do Centro de Referência da Cultura Popular na Chácara Silvestre, que fica no bairro Nova Petrópolis. Haverá biblioteca multimídia e museu memorial. A data de entrega não foi informada.
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