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Tatuador usa o sangue dos clientes para fazer arte

29/11/2000 | 21:46
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Criadas para identificar membros de determinadas castas na Antigüidade, hoje as tatuagens estao em corpos de pessoas com perfis extremamente distintos. Apesar dos milhares de anos de incorporaçao à sociedade, o método usado para se fazer uma tatuagem nao se alterou muito. Com uma máquina parecida com uma broca de dentista, o tatuador perfura a pele, injetando a tinta.

No entanto, o Grande ABC recebe nesta semana o tatuador Norte-americano Paul Booth, que apresenta método e estilo peculiares. "Misturo o sangue da pessoa com a tinta", conta. A técnica oferece um efeito diferente. A coloraçao da tatuagem ganha uma tonalidade mais forte, além de se prolongar por mais tempo no corpo, demorando para desbotar.

O profissional, entretanto, nao gosta muito de falar de seu método.'É meio como a fórmula da Coca-Cola dele", compara o baterista do Sepultura, Igor Cavalera. Ele foi o responsável em trazer o tatuador, que trabalha até este fim de semana em sua loja, a recém-inaugurada Cavalera, no Shopping ABC (Av. Pereira Barreto, 42, loja 108, piso 1, Santo André. Tel.: 4990-2404).

O braço de Igor pode ser considerado uma vitrine do trabalho de Booth. Na segunda-feira, o artista fez alguns complementos numa obra que ele mesmo havia feito no brasileiro há seis anos, quando ambos se conheceram numa convençao de tatuagens em San Diego, nos Estados Unidos "Já admirava o trabalho dele há tempos e desde aquela época ele já era bastante fa do Sepultura", conta o baterista.

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Como um artista que se preze, o tatuador nao faz cópias de desenhos ou figuras. "Tenho as minhas próprias idéias. As pessoas podem me sugerir o que elas querem mas, antes de tudo, gosto de manter a minha liberdade artística". Assim, se uma garota chegar com uma figura de um golfinho para ser reproduzida em seu corpo, receberá um sonoro nao do norte-americano. "Se ela for muito bonita, gostaria de dizer sim, mas nao consigo", brinca. "Por causa das minhas diversas viagens e das revistas de tatuagem, as pessoas conhecem meu estilo e sabem que meu trabalho é muito específico, incomum, uma espécie de desenho à mao livre. Cerca de 70% ou 80% dos meus clientes sao meio loucos; eles acreditam em mim e deixam que eu exponha a minha arte".

Com 33 anos, Paul Booth fez a sua primeira tatuagem em 1988. "Fiquei uns dois anos só vendo outros tatuadores trabalharem até fazer a minha primeira, que foi uma coisa pequena", conta. Nesse período, o artista também se arriscou a fazer uma tatuagem no próprio corpo. "Foi na perna, mas nao faço em mim nunca mais. Preciso ter as duas maos livres".

O artista obteve sua experiência por meio da observaçao de outros tatuadores da Austrália e de diversos países da Europa. Mas mesmo com tao conceituado currículo, o profissional nao deixou de cometer erros, que sao logicamente ocultados. "A marca de um bom tatuador artístico nao é apenas se ele nao comete erros, mas também a rapidez com que ele sabe escondê-los". brinca.




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