Cultura & Lazer Titulo

Cineasta Afonso Brazza morre em Brasília

Everaldo Fioravante
Do Diário do Grande ABC
30/07/2003 | 19:32
Compartilhar notícia
 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Foto:Divulgação O cineasta e bombeiro Afonso Brazza morreu na noite de terça-feira, aos 48 anos, no Hospital de Base de Brasília, vítima de parada cardiorrespiratória em decorrência de câncer no apa-relho digestivo. O corpo seria enterrado na quarta-feira à tarde em Gama, cidade-satélite de Brasília, onde vivia.

Nascido José Afonso Filho, no Piauí, Brazza virou referência do cinema trash nacional. Chegou a ser chamado até como pior diretor do mundo. Virou cult.

Precariedade técnica, utilização de película vencida, erros de continuidade e muita improvisação são marcas dos filmes de Brazza, que era conhecido ainda como Rambo do Cerrado.

Ele era diretor, protagonista, roteirista e produtor de seus filmes. Fazia quase tudo sozinho, e com orçamentos muito baixos.

DGABC

Procurador Jefferson, Matador de Escravos (1982), Inferno no Gama (1993), Gringo não Perdoa, Mata (1994) e Tortura Selvagem – A Grade (2001) são alguns de seus filmes. Todos de ação, sempre com cenas de violência.

No ano de 2001, em Brasília, Tortura Selvagem – A Grade teve público de 3,2 mil pessoas, um recorde na carreira do artista. No elenco do longa, por exemplo, aparecem José Mojica Marins (o Zé do Caixão), Liliane Roriz (filha do governador do Distrito Federal Joaquim Roriz) e o ex-Raimundos Rodolfo. Também em 2001, a fita esteve na Mostra BR de Cinema de São Paulo, evento internacional.

O início da relação de Brazza com o cinema se deu nos anos 70, em São Paulo, na Boca do Lixo. À época, a região era reduto de cineastas, centro de produção de pornochanchadas). Ele fez parte de equipes técnicas e do elenco de diversas produções, assinadas por gente como Ozualdo Candeias.

Brazza, criado no Gama, retornou ao local e, em 1980, tornou-se bombeiro. A partir daí desenvolveu carreira dupla, de soldado e cineasta. Vale dizer que a musa do artista, tanto na vida quanto nos filmes, foi Claudette Joubert, sua mulher.

Se o equipamento de iluminação falhasse, Brazza se valia de faróis de carro. Se acabassem as balas de festim, as cenas de morte seguiam na base de facadas mesmo. Com a morte de Brazza, o cinema brasileiro perde nos quesitos irreverência e criatividade.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;