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Jovem vítima de transfobia em São Bernardo luta por respeito

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Redes sociais são ferramentas de denúncia para Malevola, 15 anos, que acusa guardas-civis de São Bernardo de preconceito durante o Festival de Verão


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

13/01/2020 | 23:00


Humilhação. Este é o sentimento de Malevola Alves, 15 anos, de São Bernardo, cada vez que é vítima de transfobia. Episódio mais recente foi durante o Festival de Verão da cidade, no sábado, quando uma GCM (Guarda-Civil Municipal) disse que ela e outras três amigas não poderiam estar na fila de revista feminina, a menos que o nome social estivesse no RG. Um das adolescentes chegou a ser retirada a força pela agente. 

Em publicação nas redes sociais, a jovem denunciou o caso – o vídeo que mostra o ocorrido já teve pelo menos 384 mil visualizações. “Não fiz BO (Boletim de Ocorrência) porque é complicado. Resolvi fazer justiça com minhas próprias mãos, já que (na rede social) é onde tenho voz”, contou. “Tenho muitos seguidores, então as pessoas me conhecem mais na região e sinto que isso impede um pouco (a transfobia), mas fico pensando em quem não tem voz.”

Mesmo que este tenha sido uma caso sem igual, as situações de transfobia são comuns, sobretudo quando se recusam a chamá-la pelo nome social. “É muito humilhante as pessoas me chamarem pelo meu nome de batismo. Algumas fazem isso por maldade”, afirmou. A jovem aguarda completar 16 anos para alterar o nome no RG.

Malevola destacou que sempre cobrou respeito, mesmo na infância, quando já sofria com preconceito por ser ‘afeminada’. “Já levei muito tapa na cara. Continuo lutando pelos meus direitos”, ressaltou. Em relação à família, a aceitação não foi fácil. “Me assumi primeiro homossexual e, depois, trans, foi difícil, mas sempre digo que a melhor resposta é o tempo”, disse.

Neste ano, ela ingressará em nova escola para cursar o 1º ano do ensino médio. “Estou receosa, principalmente pela questão de usar o banheiro feminino, mas vou preencher um formulário e ir até a unidade com minha mãe para explicar a situação.”

Segundo Marcelo Gil, fundador e presidente da ONG ABCD’s (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual), ocorrências de transfobia como a sofrida por Malevola são comuns. “Lamentavelmente, ocorre com todos os agentes de segurança pública, ainda que as polícias Militar e Civil estejam orientadas sobre questões de nome social e gênero”, explicou. “As GCMs (Guardas Civis Municipais) não estão orientadas, porque não existem políticas para o público LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais) no Grande ABC. Não somos vistos pelo poder público municipal.”

Atualmente, apenas as polícias Militar e Civil recebem treinamento de combate à violência de gênero. Exemplo é que durante a formação, os agentes têm aulas de direitos humanos com a inserção da temática, inclusive com discussões sobre abordagem e atendimento de pessoas LGBTIs, conforme a SSP (Secretaria da Segurança Pública).

Gil defende a capacitação continuada não apenas de agentes de segurança pública, mas de todos os setores, como os da saúde e da educação. “A orientação é tão simples. Basta o prefeito e o secretário levantarem da cadeira e oferecerem palestras”, criticou.

A Prefeitura de São Bernardo informou, em nota, que os procedimentos para tratamento do público LGBTI fazem parte da grade curricular de formação da GCM, assim como dos cursos de aperfeiçoamento realizados periodicamente. Por meio da Secretaria de Cidadania, Assuntos Jurídicos e Pessoa com Deficiência, a administração garantiu que desenvolve políticas voltadas à melhoria da atenção à diversidade de gênero.



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Jovem vítima de transfobia em São Bernardo luta por respeito

Redes sociais são ferramentas de denúncia para Malevola, 15 anos, que acusa guardas-civis de São Bernardo de preconceito durante o Festival de Verão

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

13/01/2020 | 23:00


Humilhação. Este é o sentimento de Malevola Alves, 15 anos, de São Bernardo, cada vez que é vítima de transfobia. Episódio mais recente foi durante o Festival de Verão da cidade, no sábado, quando uma GCM (Guarda-Civil Municipal) disse que ela e outras três amigas não poderiam estar na fila de revista feminina, a menos que o nome social estivesse no RG. Um das adolescentes chegou a ser retirada a força pela agente. 

Em publicação nas redes sociais, a jovem denunciou o caso – o vídeo que mostra o ocorrido já teve pelo menos 384 mil visualizações. “Não fiz BO (Boletim de Ocorrência) porque é complicado. Resolvi fazer justiça com minhas próprias mãos, já que (na rede social) é onde tenho voz”, contou. “Tenho muitos seguidores, então as pessoas me conhecem mais na região e sinto que isso impede um pouco (a transfobia), mas fico pensando em quem não tem voz.”

Mesmo que este tenha sido uma caso sem igual, as situações de transfobia são comuns, sobretudo quando se recusam a chamá-la pelo nome social. “É muito humilhante as pessoas me chamarem pelo meu nome de batismo. Algumas fazem isso por maldade”, afirmou. A jovem aguarda completar 16 anos para alterar o nome no RG.

Malevola destacou que sempre cobrou respeito, mesmo na infância, quando já sofria com preconceito por ser ‘afeminada’. “Já levei muito tapa na cara. Continuo lutando pelos meus direitos”, ressaltou. Em relação à família, a aceitação não foi fácil. “Me assumi primeiro homossexual e, depois, trans, foi difícil, mas sempre digo que a melhor resposta é o tempo”, disse.

Neste ano, ela ingressará em nova escola para cursar o 1º ano do ensino médio. “Estou receosa, principalmente pela questão de usar o banheiro feminino, mas vou preencher um formulário e ir até a unidade com minha mãe para explicar a situação.”

Segundo Marcelo Gil, fundador e presidente da ONG ABCD’s (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual), ocorrências de transfobia como a sofrida por Malevola são comuns. “Lamentavelmente, ocorre com todos os agentes de segurança pública, ainda que as polícias Militar e Civil estejam orientadas sobre questões de nome social e gênero”, explicou. “As GCMs (Guardas Civis Municipais) não estão orientadas, porque não existem políticas para o público LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais) no Grande ABC. Não somos vistos pelo poder público municipal.”

Atualmente, apenas as polícias Militar e Civil recebem treinamento de combate à violência de gênero. Exemplo é que durante a formação, os agentes têm aulas de direitos humanos com a inserção da temática, inclusive com discussões sobre abordagem e atendimento de pessoas LGBTIs, conforme a SSP (Secretaria da Segurança Pública).

Gil defende a capacitação continuada não apenas de agentes de segurança pública, mas de todos os setores, como os da saúde e da educação. “A orientação é tão simples. Basta o prefeito e o secretário levantarem da cadeira e oferecerem palestras”, criticou.

A Prefeitura de São Bernardo informou, em nota, que os procedimentos para tratamento do público LGBTI fazem parte da grade curricular de formação da GCM, assim como dos cursos de aperfeiçoamento realizados periodicamente. Por meio da Secretaria de Cidadania, Assuntos Jurídicos e Pessoa com Deficiência, a administração garantiu que desenvolve políticas voltadas à melhoria da atenção à diversidade de gênero.

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