Após dois anos de crescimento Valor médio do presente será de R$ 132, queda de 21,5% em relação ao ano passado
Nario Barbosa/DGABC

O consumidor do Grande ABC vai gastar menos com o presente de Natal neste ano, desembolsando cerca de R$ 132. Em comparação com 2018, quando o valor médio do presente era R$ 164, houve queda real – descontada a inflação de 2,54% nos últimos 12 meses até outubro – de 21,5%. Por conta disso, a data especial deve movimentar R$ 286 milhões no comércio regional, ou seja, queda real de 4% em relação aos R$ 291 milhões do ano passado. Trata-se da primeira redução após dois anos de crescimento nos gastos desta época. Os dados fazem parte da PIC (Pesquisa de Intenção de Compra) da Universidade Metodista de São Paulo, divulgada ontem.
De acordo com o pesquisador do Observatório Econômico da universidade, Moisés Pais dos Santos, o fraco desempenho da indústria, principal setor da economia regional, acaba refletindo na confiança do consumidor do Grande ABC. Na última semana, a instituição divulgou o boletim IndústriABC, que apontou que a capacidade ociosa das fábricas da região, atualmente em 41%, era um dos menores níveis nos últimos dois anos – em janeiro, para se ter ideia, estava em 34%. “A indústria, especialmente a automotiva, tem forte dependência de exportações para a Argentina, que atualmente passam por retração. Apesar de todo o esforço para aquecer a economia nacional, e indicadores mostram que aos poucos isso vem acontecendo, temos que considerar o contexto de dependência industrial que a região possui”, afirmou.
Segundo ele, mesmo com a liberação dos saques de R$ 500 das contas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que deve acontecer até o fim deste ano, o montante pode ser destinado a outras finalidades. “Deve ser levado em consideração que temos taxas de inadimplência e de desemprego grandes, então os recursos provavelmente serão aplicados no pagamento de dívidas. Além disso, o Natal não é só o presente. As famílias também dedicam parte da renda para a ceia e passeios, além das contas do início do ano.”
Outro ponto que contribui ao cenário é que a internet saltou de 4% para 25% como opção de compras. As opções para presentear mais procuradas serão vestuários e calçados (31%), seguidas por brinquedos, perfumes e cosméticos (16%).
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