
Considerada como “a maior obra da construção civil do início deste século”, devido a sua complexidade, quase toda formada por viadutos altíssimos e túneis gigantescos. Os efeitos dos canteiros de obras na fauna e flora da serra são 40 vezes menores que os sentidos na obra da primeira pista, a Sul (originalmente construída para operar no sentido litoral-planalto).
Segundo Alberto Maionchi, diretor de engenharia da Ecovias (concessionária que opera o Sistema Anchieta/Imigrantes), as novas tecnologias permitem atenuar esse impacto ao ambiente. “Hoje, temos condições de construir os viadutos com espaços maiores entre seus pilares de sustentação”, diz. Esse expediente permite que se abra um número menor de clareiras para a fixação das fundações dos pilares.
Além disso, os sistemas de construção dessas novas pontes, ao contrário do que ocorria nos anos de 1970 (a primeira pista foi construída entre 1971 e 1976), evitam a presença de operários e máquinas no solo. Basicamente, os viadutos são erguidos pelo sistema ‘balanço sucessivo’ – a pista é construída sobre os pilares a partir de seus extremos até se encontrar no centro, sem interferir com o solo (como no Km 18,5 da via Anchieta, em São Bernardo) – e ‘ponte empurrada’ – no qual a pista é montada em um dos extremos com blocos colocados um atrás do outro e sendo empurrados (deslizando) para passar por cima dos pilares até a ponta chegar no outro extremo.
Outro grande diferencial em relação à obra da pista anterior é a inversão das quantidades de túneis e viadutos. Os 12 km de extensão do trecho de serra da pista Norte estão divididos em 11 túneis, com um total de 3,8 km, e 18 viadutos, com 8,3 km. A nova pista terá apenas três túneis, mas com um total de quilômetros maior que o dobro da pista atual: 8,2 km; além de nove viadutos, com o total de 3,3 km.
“Com túneis maiores, o impacto ambiental é bem menor. A natureza é agredida apenas nas bocas dos túneis. Na pista antiga, são 22 pontos afetados pelo desmatamento. Na nova, são apenas seis”, contabiliza Maionchi.
Para manter esse complexo em operação, serão instalados 64 ventiladores no interior dos três túneis, que consumirão cerca de 3,2 kW de energia, suficiente para manter uma cidade do porte de Ribeirão Pires. Também serão usados sensores de temperatura e que captam a presença de excesso de monóxido de carbono no ar. Esse aparato de segurança se justifica pelas extensões dos túneis: o menor terá 2 km, e o maior, 3,2 km.
A construção avança em ritmo acelerado. “Já temos 38% do cronograma de obras cumpridos”, afirma o gerente de Ampliação Principal da Ecovias, Ronaldo Schittini Duarte. Da previsão original de finalização da pista, em maio de 2003, o Consórcio Imigrantes, que toca a obra, espera entregar o complexo em novembro do ano que vem. O consórcio é formado pelas construtoras Ebec (Engenharia Brasileira de Construções) e o grupo italiano Cigla (Construtora Impregilo e Associados).
Os números da obra impressionam. Serão empregados 380 mil m³ de concreto; 23 mil toneladas de aço; e serão escavados 1,2 milhões de m³ de rocha e terra dos túneis, um recorde da construção civil no Brasil. “Toda o material escavado é reaproveitado na produção de concreto, na realização de aterros em áreas na Baixada Santista, e a terra é usada na contenção de erosões na serra”, disse Maionchi.
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