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Rússia não tem recursos para enfrentar novos ataques terroristas


Da AFP

06/09/2004 | 10:44


A capacidade das autoridades russas para prevenir novos atos terroristas em seu território, depois de uma série de atentados e da trágica tomada de reféns em uma escola de Beslan, é seriamente questionada pelos especialistas, ao mesmo tempo que as forças oficiais podem ser obrigadas a assumir suas responsabilidades.

No sábado, em um discurso à nação, o presidente Vladimir Putin admitiu as falhas do sistema de segurança do país, pedindo uma reorganização do mesmo após o maior seqüestro de reféns do planeta, cometido por um grupo checheno, que provocou 335 mortes, segundo o último balanço oficial.

Nesta segunda-feira começaram a surgir as perguntas sobre quem deve pagar entre os responsáveis das forças de segurança. Até o momento, o único que apresentou um pedido de demissão foi o chefe de polícia da Ossétia do Norte, a república do Cáucaso russo onde fica Beslan.

"Todo mundo coordenava, todo mundo dava ordens na operação em Beslan: autoridades locais, regionais e das forças de segurança, enquanto a responsabilidade deveria ter sido confiada ao FSB (Serviço Federal de Segurança, sucessor da KGB)", afirmou uma fonte ligada ao Kremlin e citada pelo jornal Vedomosti.

No sábado Putin prometeu um futuro sistema de segurança "muito mais eficaz". Porém, vários analistas destacaram a profunda fragilidade dos serviços de inteligência russos.

"O FSB continua funcionando segundo o modelo soviético. Não está em condições de combater um terrorismo de tal amplitude", disse Alexei Malachenko, especialista em Chechênia da Fundação Carnegie de Moscou.

Israel, que possui um serviço de inteligência de boa reputação, propôs à Rússia uma cooperação mais intensa para combater a "Jihad islâmica mundial".

A recente explosão simultânea de dois aviões (90 mortos) e um atentado suicida em Moscou (10 mortos) foram reivindicados por um grupo islâmico estrangeiro, "Brigadas Islambuli", que afirmou apoiar a independência da Chechênia. No entanto, o grupo garantiu que nenhuma de suas células estava vinculada ao seqüestro de Beslan, que Putin considerou obra do "terrorismo internacional".

Desde a segunda guerra da Chechênia, iniciada em outubro de 1999 pelo presidente russo, os rebeldes chechenos conseguiram executar vários ataques, inclusive na capital russa, contra o metrô ou um show de rock. Em outubro de 2002, tomaram 800 pessoas como reféns no teatro Duvrovka.

Células do terrorismo internacional estão implantadas no Cáucaso do Norte, onde a guerra da Chechênia e sua série de abusos contra os civis oferecem um pretexto para os atentados, inclusive de mulheres suicidas.

"Hoje enfrentamos uma campanha terrorista em massa, com quatro atentados em duas semanas, e nossos serviços de segurança não estão à altura do trabalho", opina o especialista militar independente Pavel Felgenhauer. "Há corrupção nos órgãos de segurança e das forças de ordem. O próprio Putin reconheceu em seu discurso à nação", destacou.

Porém, as medidas para reforçar a segurança anunciadas por Putin podem "traduzir-se em mais repressão, uma restrição aos meios de comunicação independentes e às liberdades cívicas", disse.

Stanislav Lekarev, ex-funcionário dos serviços secretos russos, sugere a criação de uma nova estrutura para coordenar as agências responsáveis pela segurança, à maneira do Departamento de Segurança Interna criado nos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Porém, além da competência dos serviços russos, há outro obstáculo que persiste, segundo Malachenko. "A menos que a situação seja normalizada (na Chechênia), não se poderá acabar com esses atentados".



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Rússia não tem recursos para enfrentar novos ataques terroristas

Da AFP

06/09/2004 | 10:44


A capacidade das autoridades russas para prevenir novos atos terroristas em seu território, depois de uma série de atentados e da trágica tomada de reféns em uma escola de Beslan, é seriamente questionada pelos especialistas, ao mesmo tempo que as forças oficiais podem ser obrigadas a assumir suas responsabilidades.

No sábado, em um discurso à nação, o presidente Vladimir Putin admitiu as falhas do sistema de segurança do país, pedindo uma reorganização do mesmo após o maior seqüestro de reféns do planeta, cometido por um grupo checheno, que provocou 335 mortes, segundo o último balanço oficial.

Nesta segunda-feira começaram a surgir as perguntas sobre quem deve pagar entre os responsáveis das forças de segurança. Até o momento, o único que apresentou um pedido de demissão foi o chefe de polícia da Ossétia do Norte, a república do Cáucaso russo onde fica Beslan.

"Todo mundo coordenava, todo mundo dava ordens na operação em Beslan: autoridades locais, regionais e das forças de segurança, enquanto a responsabilidade deveria ter sido confiada ao FSB (Serviço Federal de Segurança, sucessor da KGB)", afirmou uma fonte ligada ao Kremlin e citada pelo jornal Vedomosti.

No sábado Putin prometeu um futuro sistema de segurança "muito mais eficaz". Porém, vários analistas destacaram a profunda fragilidade dos serviços de inteligência russos.

"O FSB continua funcionando segundo o modelo soviético. Não está em condições de combater um terrorismo de tal amplitude", disse Alexei Malachenko, especialista em Chechênia da Fundação Carnegie de Moscou.

Israel, que possui um serviço de inteligência de boa reputação, propôs à Rússia uma cooperação mais intensa para combater a "Jihad islâmica mundial".

A recente explosão simultânea de dois aviões (90 mortos) e um atentado suicida em Moscou (10 mortos) foram reivindicados por um grupo islâmico estrangeiro, "Brigadas Islambuli", que afirmou apoiar a independência da Chechênia. No entanto, o grupo garantiu que nenhuma de suas células estava vinculada ao seqüestro de Beslan, que Putin considerou obra do "terrorismo internacional".

Desde a segunda guerra da Chechênia, iniciada em outubro de 1999 pelo presidente russo, os rebeldes chechenos conseguiram executar vários ataques, inclusive na capital russa, contra o metrô ou um show de rock. Em outubro de 2002, tomaram 800 pessoas como reféns no teatro Duvrovka.

Células do terrorismo internacional estão implantadas no Cáucaso do Norte, onde a guerra da Chechênia e sua série de abusos contra os civis oferecem um pretexto para os atentados, inclusive de mulheres suicidas.

"Hoje enfrentamos uma campanha terrorista em massa, com quatro atentados em duas semanas, e nossos serviços de segurança não estão à altura do trabalho", opina o especialista militar independente Pavel Felgenhauer. "Há corrupção nos órgãos de segurança e das forças de ordem. O próprio Putin reconheceu em seu discurso à nação", destacou.

Porém, as medidas para reforçar a segurança anunciadas por Putin podem "traduzir-se em mais repressão, uma restrição aos meios de comunicação independentes e às liberdades cívicas", disse.

Stanislav Lekarev, ex-funcionário dos serviços secretos russos, sugere a criação de uma nova estrutura para coordenar as agências responsáveis pela segurança, à maneira do Departamento de Segurança Interna criado nos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Porém, além da competência dos serviços russos, há outro obstáculo que persiste, segundo Malachenko. "A menos que a situação seja normalizada (na Chechênia), não se poderá acabar com esses atentados".

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