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Faça uma viagem ao ritmo do blues em Chicago

Paulo Basso Jr.

22/10/2019 | 13:18


Das caixinhas de som azuis-claras penduradas no mastro ouvia-se Robert Johnson convidando-o melodicamente a visitar sua Sweet Home Chicago. Enquanto o barco à vela singrava as águas plácidas verdejantes do Lago Michigan, ouvidos agradecidos se juntavam ao encanto dos olhos diante daquele que, para muitos, é o skyline mais bonito dos Estados Unidos.

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“Querem observar Chicago de outro ângulo?”, perguntou o capitão Mike Blanchard, da Come Sailing, empresa que organiza charters privados pela região. “Aqui, quem manda é vocês”, completou antes de oferecer um drinque. E assim deu-se início um tour e tanto para curtir uma das melhores facetas de Chicago: o blues.

Paulo Basso Jr.

Barcos no Lago Michigan, em Chicago


Como surgiu o blues em Chicago

Os ventos realmente sopram ao gosto do viajante em um roteiro pela Windy City, como a cidade é conhecida. E olha que eles nem são tão fortes assim. Há quem defenda, inclusive, que o apelido não vem do fenômeno natural, mas da flacidez política dos políticos locais, ressaltada nos tempos de Lei Seca, em que Al Capone e seus gângsteres ganharam influência por lá.

Terceira maior cidade americana (atrás apenas de Nova York e Los Angles), Chicago é, de fato, cheia de histórias para contar. A mais trágica delas, curiosamente, é a principal responsável por a capital de Illinóis ter se tornado um modelo de arquitetura moderna.

Um terrível incêndio, em 1871, que teria começado por descuido no estábulo de uma casa, consumiu 80% da região. Tendo como uma folha em branco sobre a qual construir, os arquitetos mais aclamados do mundo à época foram convidados para transformar as ruínas em um canteiro de experimentações.

Divulgação

Buddy Guys Legend´s, casa de blues em Chicago

Passados 20 anos, a cerâmica e o aço substituíram a madeira, pontes em estilo art déco foram erguidas, as casas tornaram-se mais raras, e os prédios, mais altos. O número de andares empilhados cresceu pouco a pouco, até dar forma a construções de dez andares, os primeiros arranha-céus do mundo, que se debruçavam sobre o Rio Chicago, na área da Downtown (centro).

O progresso tratou de multiplicar esses números e a população viu surgir torres com 40, 50, 60… 100 pisos. O lugar então cresceu, enriqueceu e, em meados do século 20, transformou-se no sonho de consumo dos americanos que, após a Grande Recessão de 1929 e nos anos seguintes, migraram do sul, sobretudo do Mississipi e de Lousiana, em busca de uma vida melhor. E, com eles, carregaram nas malas o estilo musical que não nasceu em Chicago, mas ali se tornou imortal: o blues.

Chicago blues

Uma mistura de cânticos de trabalho e religiosos dos escravos africanos no sul dos Estados Unidos teria dado vida ao blues, que se tornaria a base do jazz, do rock´n roll e de tantos outros estilos musicais surgidos nos país. Sinônimo de tristeza, o ritmo ditado por instrumentos simples transformava em canção as lamúrias da vida simples.

Mas como toda boa música, virou também motivo de alegria, sobretudo quando chegou à capital do Illinóis e, ali, foi potencializado com a ajuda de amplificadores e guitarras elétricas, naquilo que passou a ser conhecido como o chicago blues.

Paulo Basso Jr.

Chess Records, o templo do blues em Chicago

Foi em meados dos anos 1950 que as gravadoras instaladas ao sul da Michigan Ave, principal avenida da cidade, descobriram os talentosos migrantes que tocavam nos clubes do pedaço. A principal delas, a Chess Records, funcionou em diversos prédios, mas apenas um endereço se tornou icônico (ao ponto de ter se tornado o nome de uma música dos Rolling Stones): 2.120 South Michigan Avenue.

Endereço dos Rolling Stones

Hoje, o prédio que alçou ao estrelato os principais nomes da história do blues é um daqueles tesouros escondidos que passam batido por turistas desavisados. Basta ir até lá, porém, para fazer uma visita guiada pelo estúdio criado pelos irmãos poloneses Leonard e Phil Chess, onde foram gravados os principais clássicos de Bo Diddley, Howlin’Wolf, Koko Taylor, Muddy Waters, Budy Guy, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry, Albert King e Etta James, só para citar alguns nomes.

Paulo Basso Jr.

Tour na Chess Records, lendários estúdio de blues em Chicago

Para se ter uma ideia da importância da Chess Records, Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, a classificou em sua biografia como “solo sagrado”. Foi ali, inclusive, que a até então desconhecida (ao menos fora de Londres) banda inglesa gravou seu primeiro sucesso internacional, It’s All Over Now, e a versão pioneira da icônica (I Can´t Get No) Satisfaction.

Tudo isso só foi possível porque Willie Dixon, o maior baixista da história do blues, foi contratado sabiamente pelos irmãos Chess como produtor da casa, o que atraiu muito de seus amigos. Hoje, o prédio da 2.120 South Michigan Avenue funciona também como a Willie Dixon’s Blues Heaven Foundation, criada pela viúva do músico para manter o legado deixado pelos artistas lendários do blues.

Por dentro da Chess Records

Mais do que conhecer essas e outras histórias, o tour, que rola ao som de grandes sucessos, permite observar instrumentos (como um dos baixos de Dixon), roupas usadas pelas estrelas, discos e a sala de controle que registrou e permitiu que o mundo descobrisse tantas maravilhas.

A ideia, inclusive, é que o estúdio, que vem sendo revitalizado, volte a gravar, e no estilo antigo, com todos tocando juntos, para agradar os mais puristas.

Onde ouvir blues em Chicago

Enquanto isso não acontece, o melhor a fazer é curtir os clássicos de outras épocas nas melhores casas para ouvir blues em Chicago.

Abel Arciniega Photo Courtesy of Choose Chicago

Kingston Mines, casa de blues em Chicago

A lista inclui o Rosa’s Lounge, um lugar simples, porém palco dos maiores talentos do pedaço, a Kingston Mines, onde também rola jazz, a Buddy Guy’s Legends, cujo nome diz tudo, e o The Green Mill, em outros tempos frequentada por Al Capone e sua turma.

Obs: Trecho de reportagem publicada originalmente na revista Viaje Mais Luxo.

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