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Escritor acusa Sesi de proibir leitura de livro sobre suicídio

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Ricardo Lísias denuncia veto a seu livro, ‘O Céu dos Suicidas’, em escola de Santo André


Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

19/09/2019 | 07:36


Dono de obras como Cobertor de Estrelas (1999), Capuz (2001) e A Vista Particular (2016), entre outros, o escritor paulistano Ricardo Lísias está inconformado. Ele soube, recentemente, pelas redes sociais, que uma de suas publicações, o livro O Céu Dos Suicidas (Alfaguara, 2012), foi impedido de ser lido no início do primeiro semestre por alunos do 3º ano do ensino médio da Sesi-SP de Santo André unidade do Parque Jaçatuba. “É um ato de barbaridade”, resume. O autor fez a denúncia do ocorrido ontem para o Diário.

Lísias revela que soube do caso depois que o professor que fez a indicação da obra publicou em sua rede social o fato de que, tempos depois do veto, havia sido demitido da escola. “Fiquei espantado. Jamais imaginei (que o livro não pudesse ser lido pelos alunos)”, diz. Depois disso, o autor procurou os estudantes e ofereceu doar exemplares aos mesmos. “Autografei antes de entregar e levei na porta da escola. Dei em torno de 60 exemplares”, diz.

Até porque, acrescenta, obra é muito adotada em várias escolas. “Foi escolhida pela Biblioteca do Congresso Nacional como a melhor de 2012. Esse livro fala de como se recuperar da perda de alguém que se suicidou, que há outras saídas antes que uma pessoa chegue a esse ponto. É de superação”, explica.

A equipe de reportagem procurou o Sesi. Segundo Valéria Detlinger, coordenadora pedagógica da unidade e responsável pela decisão de os alunos não lerem a obra, ela havia pedido indicações aos professores de títulos para os alunos. “A leitura desse livro não se justificava. O professor disse que era para trabalhar com o emocional das pessoas. Mas havia acabado de acontecer o massacre de Suzano (região metropolitana de São Paulo em que sete pessoas foram mortas em escola estadual, em março, e os dois assassinos cometeram suicídio em seguida)”, diz.

“Não censurei o livro. Mas não assumi como indicação do Sesi”, explica. À época, ela não havia lido a obra. Agora já o fez. Mas diz que não mudaria sua decisão. “Se o livro fosse indicado em outro momento eu não veria problema”, afirma. Sobre a demissão do professor, Valéria garante que não há nenhuma ligação com o episódio. Procurado pelo Diário, o professor não respondeu ao contato.

Para Lísias a justificativa não é válida e o episódio, lamentável. “Já procurei a escola várias vezes e não me retornam. Meu livro não tem nada a ver com o episódio de Suzano. Reclamei sobre esse caso e vou continuar reclamando. Quero que a escola me receba para se justificar e que tenhamos uma conversa de adultos.”
 

Setembro Amarelo discute suicídio

Neste mês é feita a campanha do Setembro Amarelo, que tem por objetivo prevenir o suicídio com diversas ações, inclusive artísticas, e discutir o assunto.

De acordo com Organização Mundial da Saúde, o suicídio é a segunda maior causa entre os jovens com idade entre 15 e 29 anos.

Para o escritor Ricardo Lísias, autor do livro O Céu dos Suicidas, falar sobre isso é algo necessário. “É um assunto social sério e que atinge com bastante força diversas camadas da população, inclusive os adolescentes e pós-adolescentes, que são o público que está no ensino médio”, diz.

Ele acredita que a escola é local decisivo para que estudantes discutam de maneira segura suas questões. “E a arte tem importância grande nisso, pois oferece visões muito pouco comuns”, afirma.



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Escritor acusa Sesi de proibir leitura de livro sobre suicídio

Ricardo Lísias denuncia veto a seu livro, ‘O Céu dos Suicidas’, em escola de Santo André

Vinícius Castelli
Do Diário do Grande ABC

19/09/2019 | 07:36


Dono de obras como Cobertor de Estrelas (1999), Capuz (2001) e A Vista Particular (2016), entre outros, o escritor paulistano Ricardo Lísias está inconformado. Ele soube, recentemente, pelas redes sociais, que uma de suas publicações, o livro O Céu Dos Suicidas (Alfaguara, 2012), foi impedido de ser lido no início do primeiro semestre por alunos do 3º ano do ensino médio da Sesi-SP de Santo André unidade do Parque Jaçatuba. “É um ato de barbaridade”, resume. O autor fez a denúncia do ocorrido ontem para o Diário.

Lísias revela que soube do caso depois que o professor que fez a indicação da obra publicou em sua rede social o fato de que, tempos depois do veto, havia sido demitido da escola. “Fiquei espantado. Jamais imaginei (que o livro não pudesse ser lido pelos alunos)”, diz. Depois disso, o autor procurou os estudantes e ofereceu doar exemplares aos mesmos. “Autografei antes de entregar e levei na porta da escola. Dei em torno de 60 exemplares”, diz.

Até porque, acrescenta, obra é muito adotada em várias escolas. “Foi escolhida pela Biblioteca do Congresso Nacional como a melhor de 2012. Esse livro fala de como se recuperar da perda de alguém que se suicidou, que há outras saídas antes que uma pessoa chegue a esse ponto. É de superação”, explica.

A equipe de reportagem procurou o Sesi. Segundo Valéria Detlinger, coordenadora pedagógica da unidade e responsável pela decisão de os alunos não lerem a obra, ela havia pedido indicações aos professores de títulos para os alunos. “A leitura desse livro não se justificava. O professor disse que era para trabalhar com o emocional das pessoas. Mas havia acabado de acontecer o massacre de Suzano (região metropolitana de São Paulo em que sete pessoas foram mortas em escola estadual, em março, e os dois assassinos cometeram suicídio em seguida)”, diz.

“Não censurei o livro. Mas não assumi como indicação do Sesi”, explica. À época, ela não havia lido a obra. Agora já o fez. Mas diz que não mudaria sua decisão. “Se o livro fosse indicado em outro momento eu não veria problema”, afirma. Sobre a demissão do professor, Valéria garante que não há nenhuma ligação com o episódio. Procurado pelo Diário, o professor não respondeu ao contato.

Para Lísias a justificativa não é válida e o episódio, lamentável. “Já procurei a escola várias vezes e não me retornam. Meu livro não tem nada a ver com o episódio de Suzano. Reclamei sobre esse caso e vou continuar reclamando. Quero que a escola me receba para se justificar e que tenhamos uma conversa de adultos.”
 

Setembro Amarelo discute suicídio

Neste mês é feita a campanha do Setembro Amarelo, que tem por objetivo prevenir o suicídio com diversas ações, inclusive artísticas, e discutir o assunto.

De acordo com Organização Mundial da Saúde, o suicídio é a segunda maior causa entre os jovens com idade entre 15 e 29 anos.

Para o escritor Ricardo Lísias, autor do livro O Céu dos Suicidas, falar sobre isso é algo necessário. “É um assunto social sério e que atinge com bastante força diversas camadas da população, inclusive os adolescentes e pós-adolescentes, que são o público que está no ensino médio”, diz.

Ele acredita que a escola é local decisivo para que estudantes discutam de maneira segura suas questões. “E a arte tem importância grande nisso, pois oferece visões muito pouco comuns”, afirma.

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