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Tensão China-EUA leva dólar a R$ 4,1828 em dia de liquidez reduzida

Marcello Casal Jr./Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


02/09/2019 | 18:09


Em alta desde o início dos negócios nesta segunda-feira, o dólar à vista ganhou força e renovou sucessivas máximas ao longo da tarde, em meio ao fortalecimento global da moeda americana após sinais de agravamento das tensões comerciais entre China e Estados Unidos. Com uma arrancada na última hora do pregão, o dólar chegou a se aproximar do teto de R$ 4,19, ao correr até máxima de R$ 4,1878, e encerrou a sessão em R$ 4,1828, com alta de 0,97% - o que fez do real a moeda com pior desempenho entre as divisas emergentes e de países exportadores de commodities.

Operadores ressaltam que, com os mercados americanos fechados por conta do feriado nos Estados Unidos (Dia do Trabalho), a liquidez foi reduzida, o que pode abrir espaço para que movimentações especulativas pontuais tenham impacto mais relevante na formação da taxa de câmbio. "Houve uma piora dessa questão da guerra comercial e isso acabou atingindo as moedas emergentes. O Banco Central tem atuado para dar liquidez, mas não dá para saber até onde o dólar pode ir com essa questão externa", afirma Luis Felipe Laudisio, operador de câmbio da Renascença Corretora.

Pela manhã, o ministério do Comércio da China afirmou que vai entrar com processo no mecanismo de resolução de disputas na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o primeiro lote de tarifas dos EUA sobre produtos chineses. Pela tarde, surgiram relatos de que China e Estados Unidos teriam dificuldades em torno da fixação de um calendário para realizar encontros bilaterais em setembro. Isso após Washington rejeitar o pedido de Pequim de adiar tarifas que entrariam em vigor neste fim de semana.

No exterior, o índice DXY - que mede a variação do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes - operou em alta durante todo o dia, na casa dos 99 pontos. A possibilidade de saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo, caso o premiê Boris Johnson consiga se manter no cargo, abalou a libra.

Entre os emergentes, ganharam força ante o dólar apenas a lira turca e o peso argentino. No país vizinho, é preciso ressaltar que praticamente não houve negócios, por conta da ausência dos investidores estrangeiros. Com isso, o impacto das medidas de restrição de compra de dólar anunciadas pelo governo do país vizinho deve ser mais sentido nesta terça.

O estrategista Jefferson Laatus observa que, embora a guerra comercial tenha sido o principal condutor dos negócios no mercado de câmbio, outros fatores contribuíram para a depreciação do real. Ele cita o desgaste recente da imagem do presidente Jair Bolsonaro no exterior e a piora na avaliação do governo revelada por pesquisa do Datafolha. "Quanto menos popularidade tem o presidente, mais difícil fica a relação com o Congresso. E isso traz mais instabilidade", afirma Laatus, ressaltando que setembro tende a ser um mês de alta volatilidade, dada as expectativas em torno das negociações sino-americanas e o Brexit.

"Com esse cenário externo preocupante e essa questões internas, o mercado acaba especulando mais com a moeda até para ver se o Banco Central vai entrar novamente", acrescenta Laatus, em referência ao leilão de venda de dólares à vista sem aviso prévio realizado pelo BC na terça-feira da semana passada, quando o dólar tocou R$ 4,19.



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Tensão China-EUA leva dólar a R$ 4,1828 em dia de liquidez reduzida


02/09/2019 | 18:09


Em alta desde o início dos negócios nesta segunda-feira, o dólar à vista ganhou força e renovou sucessivas máximas ao longo da tarde, em meio ao fortalecimento global da moeda americana após sinais de agravamento das tensões comerciais entre China e Estados Unidos. Com uma arrancada na última hora do pregão, o dólar chegou a se aproximar do teto de R$ 4,19, ao correr até máxima de R$ 4,1878, e encerrou a sessão em R$ 4,1828, com alta de 0,97% - o que fez do real a moeda com pior desempenho entre as divisas emergentes e de países exportadores de commodities.

Operadores ressaltam que, com os mercados americanos fechados por conta do feriado nos Estados Unidos (Dia do Trabalho), a liquidez foi reduzida, o que pode abrir espaço para que movimentações especulativas pontuais tenham impacto mais relevante na formação da taxa de câmbio. "Houve uma piora dessa questão da guerra comercial e isso acabou atingindo as moedas emergentes. O Banco Central tem atuado para dar liquidez, mas não dá para saber até onde o dólar pode ir com essa questão externa", afirma Luis Felipe Laudisio, operador de câmbio da Renascença Corretora.

Pela manhã, o ministério do Comércio da China afirmou que vai entrar com processo no mecanismo de resolução de disputas na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o primeiro lote de tarifas dos EUA sobre produtos chineses. Pela tarde, surgiram relatos de que China e Estados Unidos teriam dificuldades em torno da fixação de um calendário para realizar encontros bilaterais em setembro. Isso após Washington rejeitar o pedido de Pequim de adiar tarifas que entrariam em vigor neste fim de semana.

No exterior, o índice DXY - que mede a variação do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes - operou em alta durante todo o dia, na casa dos 99 pontos. A possibilidade de saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo, caso o premiê Boris Johnson consiga se manter no cargo, abalou a libra.

Entre os emergentes, ganharam força ante o dólar apenas a lira turca e o peso argentino. No país vizinho, é preciso ressaltar que praticamente não houve negócios, por conta da ausência dos investidores estrangeiros. Com isso, o impacto das medidas de restrição de compra de dólar anunciadas pelo governo do país vizinho deve ser mais sentido nesta terça.

O estrategista Jefferson Laatus observa que, embora a guerra comercial tenha sido o principal condutor dos negócios no mercado de câmbio, outros fatores contribuíram para a depreciação do real. Ele cita o desgaste recente da imagem do presidente Jair Bolsonaro no exterior e a piora na avaliação do governo revelada por pesquisa do Datafolha. "Quanto menos popularidade tem o presidente, mais difícil fica a relação com o Congresso. E isso traz mais instabilidade", afirma Laatus, ressaltando que setembro tende a ser um mês de alta volatilidade, dada as expectativas em torno das negociações sino-americanas e o Brexit.

"Com esse cenário externo preocupante e essa questões internas, o mercado acaba especulando mais com a moeda até para ver se o Banco Central vai entrar novamente", acrescenta Laatus, em referência ao leilão de venda de dólares à vista sem aviso prévio realizado pelo BC na terça-feira da semana passada, quando o dólar tocou R$ 4,19.

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