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Todos querem 'viver' Ubatuba

Ubatuba Ecotur/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Primeira cidade do Hemisfério Sul a comemorar início do verão brinda turistas com praias lindíssimas


Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

22/08/2019 | 07:00


 ‘Sabem o que eu gostaria agora? Rever Ubatuba de outrora, Ubatuba pequena e simplória, mas que traz marcas na história.’ O trecho do poema de Thetis Alves da Rocha para o livro Ubatuba Caiçara está estampado com orgulho em cartaz da cidade. Nostálgicos ou não, ubatubanos e ‘estrangeiros’ fazem questão de demonstrar seu amor pelo município do Litoral Norte de São Paulo.

Quem conhece Ubatuba pela primeira vez se pergunta o porquê de a visita não ter acontecido antes. Os possíveis motivos? Alguns acham longe – fica a cerca de três horas e meia de Santo André – ou por causa do apelido Ubachuva, já que tem um dos maiores índices pluviométricos do Brasil, só perdendo para o Norte Amazônico.

Superados esses preconceitos, Ubatuba é um destino a ser aproveitado, explorado – no melhor dos sentidos – e degustado por quem gosta de natureza, tranquilidade e belezas litorâneas. Trata-se da primeira cidade do Hemisfério Sul a comemorar o início do verão. Inclusive, há um ponto, em frente ao Aeroporto Estadual de Ubatuba/Gastão Madeira, para o Trópico de Capricórnio, que passa no município e explica o porquê de Ubatuba dar o pontapé inicial na estação mais quente do ano.

A cor verde do mar, assim como os números impressionam. São 100 quilômetros de costa, 102 praias catalogadas, 17 ilhas e ilhotas nas entranhas do Parque Estadual Serra do Mar, um dos mais importantes e bem preservados remanescentes de Mata Atlântica no Estado. Quem anda por lá vê cidade, praia, rio, mar, pedras, floresta, cachoeira e espécies da fauna e da flora.

O ideal para quem quer realmente mergulhar em Ubatuba é reservar uma semana. Vá ou alugue um carro. Também é interessante fechar passeios já oferecidos por empresas locais, como trilhas e barcos (leia mais abaixo). Basicamente a cidade é dividida em praias nas costas Sul e Norte. Na costa Sul fica a maioria delas, as mais cheias, populares e com melhor infraestrutura, como Itaguá, Lagoinha, Toninhas e Praia Grande – que funciona como o ‘termômetro’ da cidade, pela facilidade, acesso e quantidade de quiosques.

Para conhecer algumas, muitos turistas fazem a Trilha das Sete Praias, a mais pedida nas agências. Em seis ou sete horas é possível percorrer dez quilômetros e visitar a do Oeste, do Peres, do Bonete (ou Bonetinho), do Grande Bonete, Deserta, do Cedro e da Fortaleza. Além dessa, a Ubatuba Ecotur também oferece uma mais curta, que passa por Lagoinha, Oeste, Peres e Bonete. Essa realmente é simples, mas não menos interessante. Custa R$ 100 e também leva o turista para as Ruínas da Lagoinha (detalhes nesta página).

As mais populares do momento, de acordo com o guia Luanderson Coutinho, da Ubatuba Ecotur, ficam no Norte: são a das Conchas, do Félix, do Português, além das ilhas de Prumirim e das Couves. “São as que estão mais circulando pelas redes socias, mas varia de acordo com o perfil do turista. Tem os que querem tranquilidade, aventuras ou só ficar na praia tomando uma cerveja.”

Se tiver a chance, coloque na lista Itamambuca, Ubatumirim, Almada e Camburi, última praia do Litoral Norte paulista, faz divisa com o Rio de Janeiro. O que mais tem em Ubatuba é paraíso para conhecer.

Ilhas são acessadas por barco; prepare-se para levar comida
Muitos paraísos de Ubatuba fazem jus ao título: ficam longe da urbanização. Para acessá-los é preciso andar bastante de carro ou trilhas. Outros só pelo mar mesmo. Esse tipo de passeio é para quem realmente deseja momentos de descanso, apesar de que, em alta temporada (na primavera e verão), as menores ilhas ficam abarrotadas.

Esqueça também grandes quiosques e bons banheiros. A dica é mesmo planejar, carregar a sacola de comidinhas, bebidas e papel higiênico. Para se ter uma ideia, na Ilha de Prumirim – que fica do outro lado da Praia de Prumirim – o único funcionário de um bar atende a todos os pedidos. Uma porção de camarão pequeno custa R$ 60 e uma lata de refrigerante, R$ 10.

Quem se adapta a esses detalhes conhece lugares incríveis. A empresa Náutika Tour, cujo ponto de encontro é na Avenida Leovegildo Dias Vieira, altura do número 810, faz passeios todos os dias, menos de quarta-feira na baixa temporada (outono e inverno). O barco leva 29 pessoas a pelo menos quatro ilhas, entre elas a das Couves. É uma propriedade particular e apresenta orla de costões rochosos e encostas com vegetação rasteira e flora típica de Mata Atlântica. Suas águas do entorno contêm rica fauna marinha, que inclui salemas, budiões, frades, garoupas e arraias. A ‘viagem’ custa R$ 100 por pessoa e leva praticamente o dia todo.

No caminho, o guia vai explicando e revelando curiosidades da cidade, como a menor praia do mundo – que, na verdade, não tem nome. Ela fica no meio de duas grandes pedras dentro da Ilha Rachada (ou Ilha da Selinha). Ali perto fica também a Ilha da Rapada e do Seu Magalhães. O guia conta ainda onde fica a mansão do estilista Clodovil Hernandes (1937-2009). A propriedade está entre as praias do Leo e do Meio, em um local conhecido como Sertãozinho. Ela foi arrematada por R$ 750 mil em um leilão virtual que aconteceu em agosto de 2018.

AREIA ESCURA
É fácil e até esquisito notar que muitas das praias de Ubatuba – o que não é exclusividade de lá, já que acontece também em outros Estados brasileiros e países – são formadas por areia negra. Na verdade, é chamada de monazítica, do tipo que possui concentração natural de minerais pesados, podendo ocorrer ao longo do Litoral e em determinados trechos de rios.

Tais areias são muito conhecidas por seus supostos efeitos terapêuticos, sendo popularmente utilizadas no tratamento de artrites e inflamações, uma vez que, espalhada sobre a pele, produz uma radiação que, segundo os defensores da ideia, estimula os tecidos e favorece o fluxo sanguíneo na região afetada.

Muitas histórias para relembrar
Entre uma bela praia e outra, Ubatuba também surpreende com suas passagens históricas. Os índios Tupinambás foram os primeiros habitantes da região. Eram excelentes canoeiros e viviam em paz com os índios do planalto, até a chegada dos portugueses e franceses. Na época, Ubatuba era conhecida como Aldeia de Iperoig, passando para categoria de vila somente em 1554. A história de Ubatuba começa em 1563, quando o padre Anchieta promove, junto aos índios, liderados por Cunhambebe, a chamada Paz de Iperoig. Povoado foi elevado a vila em 28 de outubro de 1637, com o nome de Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba, tendo como fundador Jordão Albernaz Homem da Costa.

Quem quiser conhecer um pouco de todo esse passado, a dica é visitar as Ruínas da Lagoinha, que ficam na beira da Rodovia Rio-Santos, na Praia da Lagoinha. O local é grande, bonito e se o Sol bate nas paredes fica tudo mais mágico por causa das enormes árvores que ‘abraçam’ as estruturas. Ali está o que restou do antigo engenho da Fazenda do Bom Retiro e a suposta primeira Fábrica de Vidros do Brasil.

A construção em pedra e cal foi erguida, provavelmente, no início do século XIX, por um dos primeiros proprietários da Lagoinha, o engenheiro francês Stevenné. Ele morava com a família no piso de cima e os escravos ficavam na parte de baixo. Stevenné produziu toneladas de cana-de-açúcar.

Mais tarde, a produção continuou com o capitão Romualdo, que também era dono de plantações de café, fabricante e exportador de aguardente e açúcar mascavo. Como precisava de vasilhames para transportar a bebida, deu início à construção de fábrica de garrafas, na entrada do atual Condomínio Lagoinha. Diz que capitão Romualdo tratava muito bem todos os funcionários que trabalhavam para ele e, mesmo após a abolição da escravatura, todos ficaram no local.

Em 1986, as Ruínas da Lagoinha foram tombadas pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) como Engenho Bom Retiro e, hoje, estão sob os cuidados da Fundart (Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba).

A jornalista viajou a convite do Croissant do Francês e do Sabores da Praia



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Todos querem 'viver' Ubatuba

Primeira cidade do Hemisfério Sul a comemorar início do verão brinda turistas com praias lindíssimas

Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

22/08/2019 | 07:00


 ‘Sabem o que eu gostaria agora? Rever Ubatuba de outrora, Ubatuba pequena e simplória, mas que traz marcas na história.’ O trecho do poema de Thetis Alves da Rocha para o livro Ubatuba Caiçara está estampado com orgulho em cartaz da cidade. Nostálgicos ou não, ubatubanos e ‘estrangeiros’ fazem questão de demonstrar seu amor pelo município do Litoral Norte de São Paulo.

Quem conhece Ubatuba pela primeira vez se pergunta o porquê de a visita não ter acontecido antes. Os possíveis motivos? Alguns acham longe – fica a cerca de três horas e meia de Santo André – ou por causa do apelido Ubachuva, já que tem um dos maiores índices pluviométricos do Brasil, só perdendo para o Norte Amazônico.

Superados esses preconceitos, Ubatuba é um destino a ser aproveitado, explorado – no melhor dos sentidos – e degustado por quem gosta de natureza, tranquilidade e belezas litorâneas. Trata-se da primeira cidade do Hemisfério Sul a comemorar o início do verão. Inclusive, há um ponto, em frente ao Aeroporto Estadual de Ubatuba/Gastão Madeira, para o Trópico de Capricórnio, que passa no município e explica o porquê de Ubatuba dar o pontapé inicial na estação mais quente do ano.

A cor verde do mar, assim como os números impressionam. São 100 quilômetros de costa, 102 praias catalogadas, 17 ilhas e ilhotas nas entranhas do Parque Estadual Serra do Mar, um dos mais importantes e bem preservados remanescentes de Mata Atlântica no Estado. Quem anda por lá vê cidade, praia, rio, mar, pedras, floresta, cachoeira e espécies da fauna e da flora.

O ideal para quem quer realmente mergulhar em Ubatuba é reservar uma semana. Vá ou alugue um carro. Também é interessante fechar passeios já oferecidos por empresas locais, como trilhas e barcos (leia mais abaixo). Basicamente a cidade é dividida em praias nas costas Sul e Norte. Na costa Sul fica a maioria delas, as mais cheias, populares e com melhor infraestrutura, como Itaguá, Lagoinha, Toninhas e Praia Grande – que funciona como o ‘termômetro’ da cidade, pela facilidade, acesso e quantidade de quiosques.

Para conhecer algumas, muitos turistas fazem a Trilha das Sete Praias, a mais pedida nas agências. Em seis ou sete horas é possível percorrer dez quilômetros e visitar a do Oeste, do Peres, do Bonete (ou Bonetinho), do Grande Bonete, Deserta, do Cedro e da Fortaleza. Além dessa, a Ubatuba Ecotur também oferece uma mais curta, que passa por Lagoinha, Oeste, Peres e Bonete. Essa realmente é simples, mas não menos interessante. Custa R$ 100 e também leva o turista para as Ruínas da Lagoinha (detalhes nesta página).

As mais populares do momento, de acordo com o guia Luanderson Coutinho, da Ubatuba Ecotur, ficam no Norte: são a das Conchas, do Félix, do Português, além das ilhas de Prumirim e das Couves. “São as que estão mais circulando pelas redes socias, mas varia de acordo com o perfil do turista. Tem os que querem tranquilidade, aventuras ou só ficar na praia tomando uma cerveja.”

Se tiver a chance, coloque na lista Itamambuca, Ubatumirim, Almada e Camburi, última praia do Litoral Norte paulista, faz divisa com o Rio de Janeiro. O que mais tem em Ubatuba é paraíso para conhecer.

Ilhas são acessadas por barco; prepare-se para levar comida
Muitos paraísos de Ubatuba fazem jus ao título: ficam longe da urbanização. Para acessá-los é preciso andar bastante de carro ou trilhas. Outros só pelo mar mesmo. Esse tipo de passeio é para quem realmente deseja momentos de descanso, apesar de que, em alta temporada (na primavera e verão), as menores ilhas ficam abarrotadas.

Esqueça também grandes quiosques e bons banheiros. A dica é mesmo planejar, carregar a sacola de comidinhas, bebidas e papel higiênico. Para se ter uma ideia, na Ilha de Prumirim – que fica do outro lado da Praia de Prumirim – o único funcionário de um bar atende a todos os pedidos. Uma porção de camarão pequeno custa R$ 60 e uma lata de refrigerante, R$ 10.

Quem se adapta a esses detalhes conhece lugares incríveis. A empresa Náutika Tour, cujo ponto de encontro é na Avenida Leovegildo Dias Vieira, altura do número 810, faz passeios todos os dias, menos de quarta-feira na baixa temporada (outono e inverno). O barco leva 29 pessoas a pelo menos quatro ilhas, entre elas a das Couves. É uma propriedade particular e apresenta orla de costões rochosos e encostas com vegetação rasteira e flora típica de Mata Atlântica. Suas águas do entorno contêm rica fauna marinha, que inclui salemas, budiões, frades, garoupas e arraias. A ‘viagem’ custa R$ 100 por pessoa e leva praticamente o dia todo.

No caminho, o guia vai explicando e revelando curiosidades da cidade, como a menor praia do mundo – que, na verdade, não tem nome. Ela fica no meio de duas grandes pedras dentro da Ilha Rachada (ou Ilha da Selinha). Ali perto fica também a Ilha da Rapada e do Seu Magalhães. O guia conta ainda onde fica a mansão do estilista Clodovil Hernandes (1937-2009). A propriedade está entre as praias do Leo e do Meio, em um local conhecido como Sertãozinho. Ela foi arrematada por R$ 750 mil em um leilão virtual que aconteceu em agosto de 2018.

AREIA ESCURA
É fácil e até esquisito notar que muitas das praias de Ubatuba – o que não é exclusividade de lá, já que acontece também em outros Estados brasileiros e países – são formadas por areia negra. Na verdade, é chamada de monazítica, do tipo que possui concentração natural de minerais pesados, podendo ocorrer ao longo do Litoral e em determinados trechos de rios.

Tais areias são muito conhecidas por seus supostos efeitos terapêuticos, sendo popularmente utilizadas no tratamento de artrites e inflamações, uma vez que, espalhada sobre a pele, produz uma radiação que, segundo os defensores da ideia, estimula os tecidos e favorece o fluxo sanguíneo na região afetada.

Muitas histórias para relembrar
Entre uma bela praia e outra, Ubatuba também surpreende com suas passagens históricas. Os índios Tupinambás foram os primeiros habitantes da região. Eram excelentes canoeiros e viviam em paz com os índios do planalto, até a chegada dos portugueses e franceses. Na época, Ubatuba era conhecida como Aldeia de Iperoig, passando para categoria de vila somente em 1554. A história de Ubatuba começa em 1563, quando o padre Anchieta promove, junto aos índios, liderados por Cunhambebe, a chamada Paz de Iperoig. Povoado foi elevado a vila em 28 de outubro de 1637, com o nome de Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba, tendo como fundador Jordão Albernaz Homem da Costa.

Quem quiser conhecer um pouco de todo esse passado, a dica é visitar as Ruínas da Lagoinha, que ficam na beira da Rodovia Rio-Santos, na Praia da Lagoinha. O local é grande, bonito e se o Sol bate nas paredes fica tudo mais mágico por causa das enormes árvores que ‘abraçam’ as estruturas. Ali está o que restou do antigo engenho da Fazenda do Bom Retiro e a suposta primeira Fábrica de Vidros do Brasil.

A construção em pedra e cal foi erguida, provavelmente, no início do século XIX, por um dos primeiros proprietários da Lagoinha, o engenheiro francês Stevenné. Ele morava com a família no piso de cima e os escravos ficavam na parte de baixo. Stevenné produziu toneladas de cana-de-açúcar.

Mais tarde, a produção continuou com o capitão Romualdo, que também era dono de plantações de café, fabricante e exportador de aguardente e açúcar mascavo. Como precisava de vasilhames para transportar a bebida, deu início à construção de fábrica de garrafas, na entrada do atual Condomínio Lagoinha. Diz que capitão Romualdo tratava muito bem todos os funcionários que trabalhavam para ele e, mesmo após a abolição da escravatura, todos ficaram no local.

Em 1986, as Ruínas da Lagoinha foram tombadas pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) como Engenho Bom Retiro e, hoje, estão sob os cuidados da Fundart (Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba).

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