A indústria nacional de máquinas e equipamentos cresceu em vendas 13,2% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período de 2009, mas o resultado favorável vem em meio à preocupação das empresas com o aumento dos juros e com a manutenção de uma taxa de câmbio desfavorável para a atividade.
Na avaliação da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), esses fatores, somados à invasão de produtos chineses no mercado nacional, dificultam a recuperação do segmento para níveis de antes do impacto da crise internacional de crédito. Na comparação do primeiro semestre com os seis meses iniciais de 2008 (portanto antes da crise), o faturamento das fabricantes ainda é, em média, 12,6% menor.
Segundo o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, 2009 não é uma boa referência. "Foi o pior ano dos últimos 30 anos para o setor", afirma.
Por sua vez, neste ano, a economia aquecida e linhas especiais do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) - que entraram em operação no segundo semestre de 2009 e que valem até dezembro - trouxeram novo impulso às encomendas. No entanto, o percentual de crescimento das vendas de maquinários vem se reduzindo. De janeiro a abril, a alta era de 15,8%, no acumulado do ano até maio foi de 14,4% , e agora está em 13,2%.
Para a associação, a recente decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central de elevar em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros - para 10,75% ao ano - para conter a inflação colabora para que o produto nacional perca espaço e investimentos.
Ao mesmo tempo em que os juros têm subido, o câmbio (com o real valorizado frente ao dólar) se mantém favorável à importação, segundo Aubert Neto. As aquisições de maquinário de outros países cresceram 14,6% no primeiro semestre, enquanto as exportações brasileiras subiram 6,5%.
Com isso, o déficit comercial (exportações menos importações) alcançou neste ano US$ 6,6 bilhões e a associação prevê que esse saldo negativo ultrapasse US$ 12 bilhões até o fim de 2010. A China é um dos principais focos da preocupação. As vendas de itens chineses para o Brasil cresceram 57,9% de janeiro a junho.
Na região - A fabricante DR Promaq, que faz máquinas para indústrias de autopeças, observa a melhora nas vendas neste ano. A expectativa da empresa de São Bernardo é retomar até o fim do ano os números de 2008. Em 2009, foi muito fraco, com queda de 30% em relação ao ano anterior.
O planejador industrial da companhia, Ricardo Solferini, destaca que a Promaq busca se atualizar constantemente e oferece assistência técnica 24 horas e garantia de dois anos. Mas já perdeu concorrência para fabricantes da China, em que o comprador teria levado em conta apenas o preço. "Para eles (os chineses) a matéria-prima chega mais barato e nós (devido ao porte pequeno da empresa) somos obrigados comprar aço de revendas; sai mais caro", diz.
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