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ONU denuncia miséria de venezuelanos

Bianca Paiva/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Pesquisa revela que 34% dos imigrantes não tinham nenhum tipo de permissão de entrada ou permanência no país onde foram entrevistados



20/07/2019 | 07:00


Cerca de 14% dos imigrantes venezuelanos recorreram à mendicância durante a fuga da Venezuela e 2% apelaram ao "sexo de sobrevivência", revelou um relatório divulgado ontem pela agência da ONU para refugiados (Acnur), com base em milhares de entrevistas em oito países da região: Colômbia, Equador, Peru, Chile, Argentina, Uruguai, Brasil e República Dominicana.

Apresentado em Genebra, o relatório revela que 34% dos imigrantes não tinham nenhum tipo de permissão de entrada ou permanência no país onde foram entrevistados, 29% disseram ter um visto de turista e apenas 4%, uma autorização permanente.

"Temos visto um aumento de restrições fronteiriças e exigências para que os venezuelanos possam entrar em certos países. Já alertamos que isso pode levá-los a usar rotas irregulares e expô-los ao tráfico de pessoas", afirmou Liz Throssell, porta-voz do Acnur.

A metade de todos os entrevistados disse que ao menos um membro de sua família esteve ou está em risco em razão de sua origem ou porque teve de recorrer à mendicância, à prostituição ou porque foi obrigado a enviar crianças menores de 15 anos para trabalhar.

Fuga em massa. Segundo o relatório, 52% das crianças não frequentam a escola porque fazia pouco tempo que haviam chegado ao país ou porque estavam em trânsito, apesar de muitas não terem acesso à educação por não ter documentos pessoais ou escolares.

A crise política e econômica na Venezuela já provocou, segundo dados do Acnur, desde 2015, a fuga de cerca de 3 milhões de cidadãos. Atualmente, estima-se que cerca de 5 mil pessoas deixem o país a cada dia. O principal destino dos venezuelanos é a Colômbia, que já recebeu cerca de 1 milhão de pessoas. Para o Peru já foram cerca de 500 mil. Equador, Chile, Argentina e Panamá também são destinos bastante procurados, bem como o Brasil.

Se a crise política é resultado do fechamento do regime chavista, principalmente após a morte de Hugo Chávez, em março de 2013, e da reeleição de Nicolás Maduro, em maio de 2018, os problemas econômicos são resultados do descontrole financeiro do governo venezuelano.

A hiperinflação atingirá 10.000.000% neste ano, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Com o salário mínimo em torno de US$ 5 (R$ 20), a maioria das pessoas tem dificuldades de pagar por uma dúzia de ovos ou por um simples saco de arroz. Mesmo quem tem dinheiro sofre com a escassez de comida e remédios. Segundo estimativas da ONU, a crise econômica fez com que cerca de 90% das pessoas vivessem na pobreza.

Em abril, o Banco Mundial classificou a crise como a "pior da história moderna na América Latina". Após uma contração de 17,7% em 2017, o PIB venezuelano recuará 25% em 2019. A penúria econômica afetou a indústria petroleira, principal fonte de entrada de dólar da Venezuela.

Sem investimentos e em razão do sucateamento da estatal PDVSA, a produção chegou ao nível mais baixo em 30 anos. Em maio, a produção foi tão baixa que a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) anunciou que a vizinha Colômbia havia ultrapassado a Venezuela pela primeira vez em décadas.

Sanções americanas

Ainda ontem, os EUA impuseram sanções contra outros quatro militares da Direção-Geral de Contrainteligência Militar da Venezuela, em razão da morte, aparentemente durante tortura, do militar Rafael Acosta, detido por suspeita de conspiração contra o presidente Nicolás Maduro.

As novas sanções americanas envolvem o bloqueio dos bens e ativos que os chavistas possam ter direta ou indiretamente sob a jurisdição dos EUA, assim como a proibição de todas as transações legais que envolvam indivíduos e entidades americanos. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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ONU denuncia miséria de venezuelanos

Pesquisa revela que 34% dos imigrantes não tinham nenhum tipo de permissão de entrada ou permanência no país onde foram entrevistados


20/07/2019 | 07:00


Cerca de 14% dos imigrantes venezuelanos recorreram à mendicância durante a fuga da Venezuela e 2% apelaram ao "sexo de sobrevivência", revelou um relatório divulgado ontem pela agência da ONU para refugiados (Acnur), com base em milhares de entrevistas em oito países da região: Colômbia, Equador, Peru, Chile, Argentina, Uruguai, Brasil e República Dominicana.

Apresentado em Genebra, o relatório revela que 34% dos imigrantes não tinham nenhum tipo de permissão de entrada ou permanência no país onde foram entrevistados, 29% disseram ter um visto de turista e apenas 4%, uma autorização permanente.

"Temos visto um aumento de restrições fronteiriças e exigências para que os venezuelanos possam entrar em certos países. Já alertamos que isso pode levá-los a usar rotas irregulares e expô-los ao tráfico de pessoas", afirmou Liz Throssell, porta-voz do Acnur.

A metade de todos os entrevistados disse que ao menos um membro de sua família esteve ou está em risco em razão de sua origem ou porque teve de recorrer à mendicância, à prostituição ou porque foi obrigado a enviar crianças menores de 15 anos para trabalhar.

Fuga em massa. Segundo o relatório, 52% das crianças não frequentam a escola porque fazia pouco tempo que haviam chegado ao país ou porque estavam em trânsito, apesar de muitas não terem acesso à educação por não ter documentos pessoais ou escolares.

A crise política e econômica na Venezuela já provocou, segundo dados do Acnur, desde 2015, a fuga de cerca de 3 milhões de cidadãos. Atualmente, estima-se que cerca de 5 mil pessoas deixem o país a cada dia. O principal destino dos venezuelanos é a Colômbia, que já recebeu cerca de 1 milhão de pessoas. Para o Peru já foram cerca de 500 mil. Equador, Chile, Argentina e Panamá também são destinos bastante procurados, bem como o Brasil.

Se a crise política é resultado do fechamento do regime chavista, principalmente após a morte de Hugo Chávez, em março de 2013, e da reeleição de Nicolás Maduro, em maio de 2018, os problemas econômicos são resultados do descontrole financeiro do governo venezuelano.

A hiperinflação atingirá 10.000.000% neste ano, de acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Com o salário mínimo em torno de US$ 5 (R$ 20), a maioria das pessoas tem dificuldades de pagar por uma dúzia de ovos ou por um simples saco de arroz. Mesmo quem tem dinheiro sofre com a escassez de comida e remédios. Segundo estimativas da ONU, a crise econômica fez com que cerca de 90% das pessoas vivessem na pobreza.

Em abril, o Banco Mundial classificou a crise como a "pior da história moderna na América Latina". Após uma contração de 17,7% em 2017, o PIB venezuelano recuará 25% em 2019. A penúria econômica afetou a indústria petroleira, principal fonte de entrada de dólar da Venezuela.

Sem investimentos e em razão do sucateamento da estatal PDVSA, a produção chegou ao nível mais baixo em 30 anos. Em maio, a produção foi tão baixa que a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) anunciou que a vizinha Colômbia havia ultrapassado a Venezuela pela primeira vez em décadas.

Sanções americanas

Ainda ontem, os EUA impuseram sanções contra outros quatro militares da Direção-Geral de Contrainteligência Militar da Venezuela, em razão da morte, aparentemente durante tortura, do militar Rafael Acosta, detido por suspeita de conspiração contra o presidente Nicolás Maduro.

As novas sanções americanas envolvem o bloqueio dos bens e ativos que os chavistas possam ter direta ou indiretamente sob a jurisdição dos EUA, assim como a proibição de todas as transações legais que envolvam indivíduos e entidades americanos. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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