Música Livro narra os mistérios que cercaram a vida e a morte do ídolo argentino
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Todo dia 24 de junho é comum ver uma multidão de pessoas passar pelo Cemitério de Chacarita, em Buenos Aires. É que lá estão os restos mortais de um dos maiores ídolos argentinos, o ator e cantor de tango Carlos Gardel (1890-1935). Nesta data em questão, ao invés de chorarem a partida, os fãs vão lá cantar, rezar e até agradecer às graças concedidas por ele. “Fala-se que não comemora a morte, mas o que se vê no túmulo de Gardel é isso. As pessoas cantam, levam flores, o têm lá como um santo”, diz o escritor Celso Gonzaga Porto, que lançou o livro Um Mito Chamado Gardel (Travassos Publicações, R$ 40).
Passados exatos 84 anos de sua partida, após um acidente de avião em Medellin, na Colômbia, tanto o seu nascimento como também a morte – assim como outros fatos de sua vida – são cercados de mistérios, o que atrai curiosos de todo mundo. “O acidente que o vitimou deu origem a umas quatro versões diferentes ou mais. Um dos violonistas que estavam junto no avião e que conseguiu se salvar deu três versões, agora imagina as que vêm de fora”, questiona Porto.
Começou a pesquisar, portanto, a vida do maior cantor de tango de todos os tempos – instigado por um curso de espanhol que havia feito e, portanto, queria exercitar o idioma – e foi a fundo nos inquéritos, documentos, depoimentos, materiais fotográficos e em vídeo para destrinchar essa e outras histórias. “Houve até uma versão de que Gardel teria atirado no piloto, mas quem seria doido de atirar em uma pessoa que está dirigindo o avião em que está voando? Pelo que constatei em depoimentos, foi o copiloto de um outro avião que atirou e as duas aeronaves acabaram se chocando”, explica.
Também há a história de seu nascimento, que não se sabe se seria na França ou no Uruguai. “A verdade é que ele é filho de mãe solteira, que foi expulsa de casa e viajou com ele, quando tinha 2 anos, para Argentina. Já grande e sem documentos, ele queria fazer uma turnê na Europa e como na Argentina não havia se oferecido para ajudar o exército na Primeira Guerra Mundial, conseguiu dar um ‘jeitinho’ no Uruguai. Por isso em seus documentos aparece que nasceu em Taquarembó”, explica o escritor.
Outro mito seria o de que ele fumava muito. “Quem vê os filmes, que naquela época faziam propaganda de cigarro como um ato charmoso, percebe que ele sequer sabia tragar um cigarro.” Mas os fãs não sabem disso. Toda vez que veneram a estátua no já dito cemitério, colocam um cigarro aceso, como forma de ‘agradá-lo.’ Ao longo da sua meteórica carreira, Gardel gravou mais de 800 discos e fez 11 filmes. Sua voz é considerada patrimônio da humanidade pela Unesco.
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