Fechar
Publicidade

Terça-Feira, 23 de Julho

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

soraiapedrozo@dgabc.com.br | 4435-8057

Trabalhadores e Ford chegam a um acordo

Pagamento de indenizações pela montadora será de até dois salários por ano de contrato


Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

01/05/2019 | 07:07


Funcionários da fábrica da Ford, em São Bernardo, aprovaram ontem proposta negociada entre o SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) e a montadora norte-americana, por aproximadamente 40 dias, para o encerramento dos contratos de trabalho. O PDI (Plano de Demissão Incentivada) vai pagar até dois salários por ano trabalhado a cada um, considerando as condições empregatícias e a possibilidade de contratação por um futuro comprador da fábrica. O fechamento da unidade, que mantém 2.800 trabalhadores, foi anunciado em fevereiro.

Para os horistas, que trabalham na produção, o pagamento vai variar entre 1,5 e dois salários por ano trabalhado. O metalúrgico que participar do processo de seleção e for contratado pelo novo grupo, considerando a possibilidade de venda da fábrica, como vem sendo negociado por meio do governo do Estado, vai receber o índice de 1,5.

Os que não forem contratados ou que decidirem sair da empresa, receberão pelo índice de dois salários. De acordo com o sindicato, o desligamento dos interessados em ficar na nova empresa só acontecerá após o processo de seleção. Se a venda não se concretizar todos receberão dois salários (veja mais na arte ao lado).

Ou seja, seguindo um exemplo, se o funcionário recebe remuneração mensal de R$ 2.000 e trabalha na Ford pelo período de cinco anos, ele pode receber entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. Quem tem salário de R$ 5.000 e está empregado há dez anos, pode receber entre R$ 75 mil e R$ 100 mil.

Para os trabalhadores mensalistas, que atuam principalmente no administrativo, o valor é de 0,75 de salário por ano para quem for contratado pela nova empresa e de um salário por ano trabalhado para quem optar pela saída.

A entidade informou que a empresa deve manter uma parte destes trabalhadores e que a permanência dos mesmos em São Bernardo está garantida até março de 2020. Um valor mínimo foi estipulado para o benefício, que não foi divulgado, além de um teto de até R$ 550 mil por trabalhador.

Segundo o presidente do TID Brasil (Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento), que também participou das negociações, Rafael Marques, a estimativa é a de que somente com estas indenizações a Ford desembolse R$ 700 milhões. A empresa ainda deve arcar com as obrigações trabalhistas, como rescisão contratual, férias vencidas etc.

“É o maior pacote de indenizações da Ford no Brasil. Anteriormente, era o que foi oferecido aos cerca de 600 funcionários da unidade do Ipiranga, quando a operação de caminhões veio para São Bernardo, em 2001. Foi oferecido o pagamento de 1,4 salário por ano. Para a área administrativa também nunca foi ofertado um pacote deste”, disse, reiterando que o acordo é um dos maiores da indústria automotiva.

A proposta, que precisou ir para a matriz da Ford, nos Estados Unidos, duas vezes, representa uma segurança para um possível novo comprador, de acordo com Marques. “Com essa questão resolvida é um passo adiante para o comprador perceber que não herdará nenhum passivo trabalhista da Ford. É uma garantia para o interessado”, disse.

“As negociações estão acontecendo e nós vamos discutir com eles, no momento certo, as condições de trabalho daqueles que serão admitidos por esse novo patrão”, disse o presidente do sindicato, Wagner Santana, o Wagnão.

O presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters, afirmou que classifica o “processo negocial como exemplar”. “Manteremos de forma contínua o diálogo aberto com todos os envolvidos.”

O plano também contempla apoio psicológico, programa de requalificação profissional com cursos realizados em parceria com o sindicato e possível antecipação do encerramento das atividades, que depende da negociação com um potencial comprador. Uma das interessadas na planta é a brasileira Caoa, que já confirmou o diálogo sobre a aquisição. A Ford informou que as conversas com potenciais compradores continuam e reafirma que vai realizar todos os esforços possíveis para um resultado positivo. 



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Trabalhadores e Ford chegam a um acordo

Pagamento de indenizações pela montadora será de até dois salários por ano de contrato

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

01/05/2019 | 07:07


Funcionários da fábrica da Ford, em São Bernardo, aprovaram ontem proposta negociada entre o SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) e a montadora norte-americana, por aproximadamente 40 dias, para o encerramento dos contratos de trabalho. O PDI (Plano de Demissão Incentivada) vai pagar até dois salários por ano trabalhado a cada um, considerando as condições empregatícias e a possibilidade de contratação por um futuro comprador da fábrica. O fechamento da unidade, que mantém 2.800 trabalhadores, foi anunciado em fevereiro.

Para os horistas, que trabalham na produção, o pagamento vai variar entre 1,5 e dois salários por ano trabalhado. O metalúrgico que participar do processo de seleção e for contratado pelo novo grupo, considerando a possibilidade de venda da fábrica, como vem sendo negociado por meio do governo do Estado, vai receber o índice de 1,5.

Os que não forem contratados ou que decidirem sair da empresa, receberão pelo índice de dois salários. De acordo com o sindicato, o desligamento dos interessados em ficar na nova empresa só acontecerá após o processo de seleção. Se a venda não se concretizar todos receberão dois salários (veja mais na arte ao lado).

Ou seja, seguindo um exemplo, se o funcionário recebe remuneração mensal de R$ 2.000 e trabalha na Ford pelo período de cinco anos, ele pode receber entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. Quem tem salário de R$ 5.000 e está empregado há dez anos, pode receber entre R$ 75 mil e R$ 100 mil.

Para os trabalhadores mensalistas, que atuam principalmente no administrativo, o valor é de 0,75 de salário por ano para quem for contratado pela nova empresa e de um salário por ano trabalhado para quem optar pela saída.

A entidade informou que a empresa deve manter uma parte destes trabalhadores e que a permanência dos mesmos em São Bernardo está garantida até março de 2020. Um valor mínimo foi estipulado para o benefício, que não foi divulgado, além de um teto de até R$ 550 mil por trabalhador.

Segundo o presidente do TID Brasil (Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento), que também participou das negociações, Rafael Marques, a estimativa é a de que somente com estas indenizações a Ford desembolse R$ 700 milhões. A empresa ainda deve arcar com as obrigações trabalhistas, como rescisão contratual, férias vencidas etc.

“É o maior pacote de indenizações da Ford no Brasil. Anteriormente, era o que foi oferecido aos cerca de 600 funcionários da unidade do Ipiranga, quando a operação de caminhões veio para São Bernardo, em 2001. Foi oferecido o pagamento de 1,4 salário por ano. Para a área administrativa também nunca foi ofertado um pacote deste”, disse, reiterando que o acordo é um dos maiores da indústria automotiva.

A proposta, que precisou ir para a matriz da Ford, nos Estados Unidos, duas vezes, representa uma segurança para um possível novo comprador, de acordo com Marques. “Com essa questão resolvida é um passo adiante para o comprador perceber que não herdará nenhum passivo trabalhista da Ford. É uma garantia para o interessado”, disse.

“As negociações estão acontecendo e nós vamos discutir com eles, no momento certo, as condições de trabalho daqueles que serão admitidos por esse novo patrão”, disse o presidente do sindicato, Wagner Santana, o Wagnão.

O presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters, afirmou que classifica o “processo negocial como exemplar”. “Manteremos de forma contínua o diálogo aberto com todos os envolvidos.”

O plano também contempla apoio psicológico, programa de requalificação profissional com cursos realizados em parceria com o sindicato e possível antecipação do encerramento das atividades, que depende da negociação com um potencial comprador. Uma das interessadas na planta é a brasileira Caoa, que já confirmou o diálogo sobre a aquisição. A Ford informou que as conversas com potenciais compradores continuam e reafirma que vai realizar todos os esforços possíveis para um resultado positivo. 

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;