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Professor Jorge Cintra: De tantas em tantas léguas, os pousos

Eles ficavam à beira dos rios, como o Ribeirão dos Meninos, no atual Rudge Ramos


Ademir Medici

21/04/2019 | 07:00


Os pousos de tropeiros antecedem, no Grande ABC, a passagem da estrada de ferro, a formação dos núcleos coloniais, a construção da Represa Billings.

Dois pousos, ao menos, são facilmente localizáveis: um ficava no bairro dos Meninos, hoje Rudge Ramos, onde se bifurcam as Estradas do Vergueiro e das Lágrimas. O outro ficava na Calçada do Lorena, na descida da Serra, rumo a Cubatão.

Ruínas do pouso dos Meninos foram fotografadas, em 1958, pelo jornalista Hermano Pini Filho, depois repórter e editor do Diário; ruínas do pouso da serra foram detectadas pelo professor Benedito Lima de Toledo quando, no início dos anos 1970, a convite da Prefeitura de São Bernardo, produziu o fundamental “Projeto Lorena”, em dois volumes.

Na entrevista que concedeu ao Projeto Memória, e que está no ar pela DGABCTV, o nosso convidado, professor Jorge Pimentel Cintra, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, detalha o que foram os pousos paulistas dos tropeiros.

Uma memória bem documentada
Da aula do professor
Jorge Cintra

Os pousos foram construídos de tantas em tantas léguas. O tropeiro e as tropas passam a ter um local para passar a noite e evitar o sereno e as ameaças de chuva, abrigando a preciosa mercadoria, o açúcar que revitalizou a Capitania de São Paulo.

Esses pousos, para a nossa sorte, hoje ajudam a identificar a estrada primitiva. Caso do pouso de Pirapitingui, hoje um bairro da cidade de Itu.
O pouso sempre tinha de estar à beira de um riacho, porque as mulas precisam beber água; tinha que ter um lugar relativamente plano, com pasto, com lugar abrigado para as pessoas dormirem. Quem mantinha o pouso cobrava uma taxa por cabeça de muar.

Nós temos documentos de governadores fazendo parceria público-privada: onde fazer o pouso, qual a planta do rancho. Temos até hoje desenhos de 1830 com a planta do rancho: uma entrada aqui, uma saída por lá; a mula entra, descarrega o açúcar, tira os arreios, já sai no pasto. São diversas providências solicitadas e atendidas, como as de consertos de pontes, recuperação de trechos, caminhos.

Na pesquisa, a gente vê que os tropeiros costumavam ir pelos pontos altos. Alguns dizem: “os tropeiros evitavam os pontos altos, que têm de subir, descer”. De jeito nenhum. Bandeirante e tropeiro vão pelos espigões, porque a chuva alaga tudo e a tropa não passa. São os alagamentos vistos até hoje.
Havia um pouso pertinho do Museu do Ipiranga, onde hoje é o Parque da Independência. Ali, as tropas podiam beber água.
Um segundo pouso ficava onde está o terminal Sacomã, no Moinho Velho, junto a um lago.
Depois, vinha o pouso na Estrada das Lágrimas.
Em seguida, o pouso dos Meninos.

DIÁRIO - Meninos é o atual bairro Rudge Ramos, em São Bernardo. Além das fotos do Hermano Pini Filho, temos uma planta original de 1956 feita pelo professor José Gonçalves Salvador, jovem ainda, recém-chegado ao Instituto Metodista, hoje universidade.
Essas coisas estão bem documentadas. É só uma questão de a gente ir atrás.

PARA ENTENDER
Estrada das Lágrimas: interliga Rudge Ramos ao Ipiranga, com uma grande curva cortando São Caetano;
Estrada do Taboão, em direção ao Parque do Estado;
Estrada do Sacramento, uma sequência histórica da própria Estrada das Lágrimas, que hoje serve a Universidade Metodista e que, no passado, era a variante principal a apontar para o “Esmaga Sapo” (bairro Paulicéia) e derivativos seguintes em direção a Piraporinha, Diadema, Eldorado e Santo Amaro, depois de cortar Acuri ou Guacuri, hoje território de Diadema, na divisa com São Paulo.
Com outros nomes, a atual Rua Afonsina era a principal artéria a ligar Rudge Ramos a Santo André. As boiadas em direção ao matadouro dos Martinelli seguiam pela Afonsina.
Caminho do Mar, aberto por Arthur Rudge Ramos na década de 1920 – uma alternativa moderna para se atingir o Centro de São Bernardo e, daí, a Vila Rio Grande (hoje sede do Distrito de Riacho Grande) e o Litoral, ainda pela Estrada Velha do Mar.
Cf. página Memória, Diário, 17-6-2012, como legenda do mapa do professor José Gonçalves Salvador, reproduzido por Agostinho Fratini, infografista do Diário.

Memória na TV
Entrevista da semana: professor Jorge Pimentel Cintra, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo
No ar: www.dgabc.com
Aulas anteriores
1) Quinta-feira, dia 18 – O Grande ABC redescoberto
2) Sexta-feira, dia 19 – São Paulo ganha um instituto histórico
3) Sábado, dia 20 – O tropeirismo e o Ciclo do Açúcar



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Professor Jorge Cintra: De tantas em tantas léguas, os pousos

Eles ficavam à beira dos rios, como o Ribeirão dos Meninos, no atual Rudge Ramos

Ademir Medici

21/04/2019 | 07:00


Os pousos de tropeiros antecedem, no Grande ABC, a passagem da estrada de ferro, a formação dos núcleos coloniais, a construção da Represa Billings.

Dois pousos, ao menos, são facilmente localizáveis: um ficava no bairro dos Meninos, hoje Rudge Ramos, onde se bifurcam as Estradas do Vergueiro e das Lágrimas. O outro ficava na Calçada do Lorena, na descida da Serra, rumo a Cubatão.

Ruínas do pouso dos Meninos foram fotografadas, em 1958, pelo jornalista Hermano Pini Filho, depois repórter e editor do Diário; ruínas do pouso da serra foram detectadas pelo professor Benedito Lima de Toledo quando, no início dos anos 1970, a convite da Prefeitura de São Bernardo, produziu o fundamental “Projeto Lorena”, em dois volumes.

Na entrevista que concedeu ao Projeto Memória, e que está no ar pela DGABCTV, o nosso convidado, professor Jorge Pimentel Cintra, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, detalha o que foram os pousos paulistas dos tropeiros.

Uma memória bem documentada
Da aula do professor
Jorge Cintra

Os pousos foram construídos de tantas em tantas léguas. O tropeiro e as tropas passam a ter um local para passar a noite e evitar o sereno e as ameaças de chuva, abrigando a preciosa mercadoria, o açúcar que revitalizou a Capitania de São Paulo.

Esses pousos, para a nossa sorte, hoje ajudam a identificar a estrada primitiva. Caso do pouso de Pirapitingui, hoje um bairro da cidade de Itu.
O pouso sempre tinha de estar à beira de um riacho, porque as mulas precisam beber água; tinha que ter um lugar relativamente plano, com pasto, com lugar abrigado para as pessoas dormirem. Quem mantinha o pouso cobrava uma taxa por cabeça de muar.

Nós temos documentos de governadores fazendo parceria público-privada: onde fazer o pouso, qual a planta do rancho. Temos até hoje desenhos de 1830 com a planta do rancho: uma entrada aqui, uma saída por lá; a mula entra, descarrega o açúcar, tira os arreios, já sai no pasto. São diversas providências solicitadas e atendidas, como as de consertos de pontes, recuperação de trechos, caminhos.

Na pesquisa, a gente vê que os tropeiros costumavam ir pelos pontos altos. Alguns dizem: “os tropeiros evitavam os pontos altos, que têm de subir, descer”. De jeito nenhum. Bandeirante e tropeiro vão pelos espigões, porque a chuva alaga tudo e a tropa não passa. São os alagamentos vistos até hoje.
Havia um pouso pertinho do Museu do Ipiranga, onde hoje é o Parque da Independência. Ali, as tropas podiam beber água.
Um segundo pouso ficava onde está o terminal Sacomã, no Moinho Velho, junto a um lago.
Depois, vinha o pouso na Estrada das Lágrimas.
Em seguida, o pouso dos Meninos.

DIÁRIO - Meninos é o atual bairro Rudge Ramos, em São Bernardo. Além das fotos do Hermano Pini Filho, temos uma planta original de 1956 feita pelo professor José Gonçalves Salvador, jovem ainda, recém-chegado ao Instituto Metodista, hoje universidade.
Essas coisas estão bem documentadas. É só uma questão de a gente ir atrás.

PARA ENTENDER
Estrada das Lágrimas: interliga Rudge Ramos ao Ipiranga, com uma grande curva cortando São Caetano;
Estrada do Taboão, em direção ao Parque do Estado;
Estrada do Sacramento, uma sequência histórica da própria Estrada das Lágrimas, que hoje serve a Universidade Metodista e que, no passado, era a variante principal a apontar para o “Esmaga Sapo” (bairro Paulicéia) e derivativos seguintes em direção a Piraporinha, Diadema, Eldorado e Santo Amaro, depois de cortar Acuri ou Guacuri, hoje território de Diadema, na divisa com São Paulo.
Com outros nomes, a atual Rua Afonsina era a principal artéria a ligar Rudge Ramos a Santo André. As boiadas em direção ao matadouro dos Martinelli seguiam pela Afonsina.
Caminho do Mar, aberto por Arthur Rudge Ramos na década de 1920 – uma alternativa moderna para se atingir o Centro de São Bernardo e, daí, a Vila Rio Grande (hoje sede do Distrito de Riacho Grande) e o Litoral, ainda pela Estrada Velha do Mar.
Cf. página Memória, Diário, 17-6-2012, como legenda do mapa do professor José Gonçalves Salvador, reproduzido por Agostinho Fratini, infografista do Diário.

Memória na TV
Entrevista da semana: professor Jorge Pimentel Cintra, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo
No ar: www.dgabc.com
Aulas anteriores
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2) Sexta-feira, dia 19 – São Paulo ganha um instituto histórico
3) Sábado, dia 20 – O tropeirismo e o Ciclo do Açúcar

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