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Todo dia é dia de índio

Prefeitura de Porto Seguro/Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Existem hoje no Brasil quase 900 mil indígenas, de 305 diferentes etnias e que falam 274 línguas


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

18/04/2019 | 07:24


A primeira vez em que coloquei os pés em uma tribo indígena foi em 2012, na Reserva da Jaqueira, em Porto Seguro (Bahia). Ao primeiro contato, confesso, me desapontei um pouco. Acho que no meu imaginário, os índios da etnia Pataxó ainda viviam em ocas, dormiam em redes, se banhavam em rios e viviam apenas de sua subsistência de caça e pesca. Minha curiosidade sempre foi grande por essa cultura, pois minha bisavó paterna era índia Xavante, que se casou com um negro, e veio parar em São Paulo. Ou seja, tenho sangue indígena, mas poucas informações a respeito dos antepassados, infelizmente.

Após incursão pela floresta, depois de pequena caminhada, e história bem ambientada, que teve arco e flecha e peixe assado na folha da patioba, que comi com as mãos, conforme manda a tradição, notei que havia uma casa ali perto, e que parecia ter energia elétrica. Ao questionar o indígena que me acompanhava, ele disse, para minha surpresa, tomavam banho quente, vestiam roupas como nós e dormiam em camas, mas que não podia me levar ali, ao recusar meu pedido. Ele me disse que, muitos, inclusive, viviam na praia de Coroa Vermelha e vendiam seus artesanatos em feirinha tradicional. Entendi e respeitei. E fui à feirinha para ajudar a girar a economia deles.

Sete anos depois, no início do mês, tive a chance de conhecer outra aldeia, a Rio Silveiras, em Boracéia, São Sebastião, Litoral Norte. E, para minha surpresa, eles lidavam de forma muito mais natural com essa urbanização, mas sempre mantendo viva sua tradição – ajudou no processo de preservação também o fato de a estrada que leva ao local ter sido construída somente em 1985.

As cerca de 130 famílias compostas por 700 pessoas estão no local desde a década de 1940 e se distribuem pelos 8.500 hectares de terra em cinco núcleos (Porteira, Rio Silveira, Rio Pequeno, Cachoeira e Centro). “O povo Guarani é agricultor. Vivemos de subsistência do cultivo de palmito, banana, batata, mandioca, milho e melancia. Mas precisamos de roupas e de pirapirê (dinheiro) para ir à cidade. Por isso fazemos nossos artesanatos e vendemos aos turistas, além de monitorarmos para que não levem nada daqui, para preservarmos a natureza”, conta o cacique Timóteo Weramirim, 50 anos.

“Hoje, nossa maior luta é defender o direito à propriedade, com base em lei de 1988. Tem quem entre aqui para caçar e roubar o que não lhe pertence. Esse território é nosso, tanto que somos isentos de taxa de energia elétrica, como forma de indenização pelo fato de empresa do setor usar nossas terras para instalar redes de transmissão”, justifica, ao ser perguntado sobre como pagam a conta de luz.

Sobre a educação dos índios, Weramirim explica que na aldeia eles têm escolas que ensinam o português, a partir dos 7 anos – até então só se fala em guarani, como a pequena Tiffany, 3, que só se comunicava conosco com sorrisos, uma vez que não compreende o português. Ali é ensinado também inglês e espanhol, além de aulas sobre o manuseio da terra. “Cada governo que entra quer obrigar o índio a ir para a cidade para estudar. Mas, embora seja preciso evoluir, queremos manter nossa tradição. Tanto que nosso objetivo é formar índios em universidades para que eles retornem para prestar serviços à aldeia. Precisamos de médicos, por exemplo. Hoje só temos pedagogos. Mas eu quero estudar Direito para ajudar nosso povo.”

A adolescente Liviane Ara Mirim de Lima, 18, que nasceu e cresceu ali, está sendo preparada para prestar vestibular de Medicina. “Preciso ajudar minha aldeia”, conta ela, que estuda à tarde, ali mesmo, e pela manhã auxilia estudantes nas aulas sobre os plantios locais. “Mas também tenho o sonho de ser modelo”, diz, exemplificando as dúvidas típicas de um jovem de sua idade. Ela conta que seus pais não a obrigaram a se casar mas que, na própria comunidade, ainda há alguns que casam seus filhos com apenas 12 anos.

Liviane, assim como boa parte dos índios da aldeia, tem celular e se utiliza das redes sociais. Weramirim usa o WhatsApp para agendar visitas à tribo. O historiador Ronan Luiz Neves Rocha, que leciona na rede pública do Estado de Minas Gerais, vê o uso da tecnologia como algo positivo. “Muitos se utilizam da internet para recuperar sua história, ficar a par do que ocorre no mundo e dar voz às questões indígenas. E quando, mesmo com esse acesso, eles optam por ter suas escolas, vejo como uma forma de manter viva a cultura indígena. Como forma de resistência.”

Turismo reaviva cultura e dribla exclusão

Quando falamos em tribos indígenas nos dias de hoje, um dos pontos mais sensíveis é sua integração à sociedade e como seus integrantes fazem para se manter. Tanto que a própria Funai (Fundação Nacional do Índio) reconhece que essa população vem enfrentando acelerada e complexa transformação social, necessitando buscar formas de sobreviver e garantir às próximas gerações melhor qualidade de vida.

Dentre os problemas enfrentados por essas comunidades, aponta o órgão, estão invasões e degradações territoriais e ambientais, exploração sexual, aliciamento e uso de drogas, exploração de trabalho, mendicância e êxodo desordenado causando concentração de indígenas nas cidades.

Segundo o historiador Ronan Luiz Neves Rocha, que leciona na rede pública do Estado de Minas Gerais, o índio é tido como um conceito historicamente trabalhado nos limites da exclusão. “O termo índio é algo tão vago como branco e amarelo. Lidamos com diversidade de quase 900 mil pessoas, que se distribuem em 305 etnias e 274 línguas no território nacional. É importante considerar que eles não podem ser negligenciados por essa diversidade, nem pelas transformações do mundo”, avalia. “É preciso tirar um pouco essa ideia do índio que vive no mato para a de um ser que habita realmente o mundo de hoje, principalmente os que moram em zonas urbanas. Esses povos estão integrados aos sistemas social, econômico, político e participam da integração. Mas o que essa integração realiza, muitas vezes, é feito de forma desigual. O grande desafio é encontrar equilíbrio entre a necessidade de se preservar cultura muito própria e original e, ao mesmo tempo, de se adaptar às mudanças.”

DE BRAÇOS ABERTOS - Uma das formas que eles vêem para gerar renda é recebendo turistas para propagar os costumes e as tradições, além de comercializar artesanatos confeccionados por eles.

Geralmente com o apoio dos municípios em que residem, há eventos comemorativos ao Dia do Índio, celebrado amanhã, tanto neste como no próximo fim de semana. Oportunidade para não só visitar uma aldeia, mas também para presenciar apresentações típicas e vivenciar experiência mais completa da cultura indígena. De qualquer forma, esses povos recebem turistas o ano todo para compartilhar suas tradições.

Conforme a Funai, os povos indígenas estão presentes nas cinco regiões do Brasil, sendo que na Norte está concentrado o maior número de indivíduos, 305.873 (37,4%).

No entanto, há comunidades próximas, como em São Bernardo, na divisa com São Paulo, na região de Parelheiros, a cerca de duas horas do Centro de Santo André, onde está a Terra Indígena Tenondé Porã. Ali há sete aldeias, com 1.500 índios Guarani, em quase 16 mil hectares: Krukutu, Kalipety, Tenondé Porã, Irexakã, Tape Miri, Guyrapaju e Kuaray Rexakã.

Também perto do Grande ABC, a cerca de duas horas, está a Aldeia Rio Silveiras, em Boracéia, São Sebastião. A tribo Guarani reúne cerca de 700 indígenas. O local, inclusive, sediará festival no feriado de Páscoa e no fim de semana seguinte. Quem quiser visitá-lo fora do evento, são cobrados R$ 30 para conhecer cachoeira na reserva, R$ 50 para acompanhar apresentação com dança e R$ 100 para acampar na tribo.

Quem viajar para Porto Seguro, na Bahia, pode optar por passeio, oferecido frequentemente, que custa em torno de R$ 50, para conhecer a Reserva Indígena Pataxó da Jaqueira. Após caminhar no meio de linda floresta, e visitar uma oca, é contada a história do povo e servido peixe assado na folha da patioba, que se come, sem exceção. com a mão, para reviver as tradições.


COMO VISITAR

ALDEIA RIO SILVEIRAS - BORACÉIA

Amanhã, 19 de abril, é comemorado o Dia do Índio, e a Prefeitura de São Sebastião, por meio da Secretaria de Turismo e da Fundação Educacional e Cultural Deodato Sant’Anna preparou programação com diversas atividades para mais uma edição do Festival da Cultura Indígena do Rio Silveiras. De amanhã a domingo, e no fim de semana seguinte, de 26 a 28, quem visitar a aldeia poderá conhecer e acompanhar de perto um pouco mais sobre a rica cultura indígena, sua arte e culinária. A festa tem o intuito de preservar e fortalecer o modo de vida Guarani e contará com as tradicionais apresentações de canto e dança Xondaro e Xondária, de arco e flecha, pintura corporal, artesanatos feitos pelos indígenas, culinária tradicional e luta corporal. Para participar do evento, que começa às 10h, pede-se contribuição de um quilo de alimento não perecível.

De acordo com a Secretaria de Turismo, para visitar a aldeia em outros dias é necessário pagar taxa de R$ 20 por pessoa, o que serve de ajuda para a população indígena. Existe também excursões fechadas com agências e os valores são fechados diretamente com as próprias agências de turismo.

Além disso, é possível contatar o próprio cacique Weramirim, pelo WhatsApp, pelo telefone 9 4231-7570. A tribo está na Avenida Tupi Guarani, Boracéia. O acesso desde a região se dá pelas rodovias Anchieta ou Imigrantes e, então, pela Rio-Santos. A entrada para a aldeia é sinalizada, porém, se chover bastante, o acesso pode ser dificultado, pois as ruas perto dali são de terra.

ALDEIA KRUKUTU - SÃO BERNARDO

Às margens da represa Billings e com cerca de 500 habitantes, a aldeia Krukutu é a segunda maior das sete reunidas na Terra Indígena Tenondé Porã, que totaliza 1.500 integrantes. Para celebrar a data, os indígenas não preveem evento especial. No entanto, havendo interesse na visita, basta informá-los pelos telefones 5978-4325 ou, pelo WhatsApp, no 9 4136-5066.

O acesso desde a região à aldeia se dá por meio de duas balsas, sendo a primeira no Riacho Grande. Após o trajeto sobre as águas, é preciso percorrer estrada de terra de quatro quilômetros, a partir da Estrada da Barragem.

Para agendar visita em uma das outras seis aldeias, basta acessar o site https://tenondepora.org.br/. O site é rico em informações a respeito das tribos e da cultura indígena.

RESERVA INDÍGENA DA JAQUEIRA - PORTO SEGURO

A maioria das agências de turismo de Porto Seguro, na Bahia, comercializa passeio até a aldeia Pataxó. Embora não seja previsto nenhum evento especial para a data, as visitas à tribo são regulares, eles são bastante preparados e acostumados ao turismo.

O acesso se dá pela BR-367 em direção a Santa Cruz Cabrália. Basta virar à esquerda em frente ao Barramares, Desde o Centro de Porto Seguro são 12 quilômetros. Para chegar à cidade baiana, voo desde São Paulo leva duas horas, e as passagens aéreas, conforme cotação no site Decolar para ida em 10 de maio e retorno no dia 13, saem a partir de R$ 1.135.
 



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Todo dia é dia de índio

Existem hoje no Brasil quase 900 mil indígenas, de 305 diferentes etnias e que falam 274 línguas

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

18/04/2019 | 07:24


A primeira vez em que coloquei os pés em uma tribo indígena foi em 2012, na Reserva da Jaqueira, em Porto Seguro (Bahia). Ao primeiro contato, confesso, me desapontei um pouco. Acho que no meu imaginário, os índios da etnia Pataxó ainda viviam em ocas, dormiam em redes, se banhavam em rios e viviam apenas de sua subsistência de caça e pesca. Minha curiosidade sempre foi grande por essa cultura, pois minha bisavó paterna era índia Xavante, que se casou com um negro, e veio parar em São Paulo. Ou seja, tenho sangue indígena, mas poucas informações a respeito dos antepassados, infelizmente.

Após incursão pela floresta, depois de pequena caminhada, e história bem ambientada, que teve arco e flecha e peixe assado na folha da patioba, que comi com as mãos, conforme manda a tradição, notei que havia uma casa ali perto, e que parecia ter energia elétrica. Ao questionar o indígena que me acompanhava, ele disse, para minha surpresa, tomavam banho quente, vestiam roupas como nós e dormiam em camas, mas que não podia me levar ali, ao recusar meu pedido. Ele me disse que, muitos, inclusive, viviam na praia de Coroa Vermelha e vendiam seus artesanatos em feirinha tradicional. Entendi e respeitei. E fui à feirinha para ajudar a girar a economia deles.

Sete anos depois, no início do mês, tive a chance de conhecer outra aldeia, a Rio Silveiras, em Boracéia, São Sebastião, Litoral Norte. E, para minha surpresa, eles lidavam de forma muito mais natural com essa urbanização, mas sempre mantendo viva sua tradição – ajudou no processo de preservação também o fato de a estrada que leva ao local ter sido construída somente em 1985.

As cerca de 130 famílias compostas por 700 pessoas estão no local desde a década de 1940 e se distribuem pelos 8.500 hectares de terra em cinco núcleos (Porteira, Rio Silveira, Rio Pequeno, Cachoeira e Centro). “O povo Guarani é agricultor. Vivemos de subsistência do cultivo de palmito, banana, batata, mandioca, milho e melancia. Mas precisamos de roupas e de pirapirê (dinheiro) para ir à cidade. Por isso fazemos nossos artesanatos e vendemos aos turistas, além de monitorarmos para que não levem nada daqui, para preservarmos a natureza”, conta o cacique Timóteo Weramirim, 50 anos.

“Hoje, nossa maior luta é defender o direito à propriedade, com base em lei de 1988. Tem quem entre aqui para caçar e roubar o que não lhe pertence. Esse território é nosso, tanto que somos isentos de taxa de energia elétrica, como forma de indenização pelo fato de empresa do setor usar nossas terras para instalar redes de transmissão”, justifica, ao ser perguntado sobre como pagam a conta de luz.

Sobre a educação dos índios, Weramirim explica que na aldeia eles têm escolas que ensinam o português, a partir dos 7 anos – até então só se fala em guarani, como a pequena Tiffany, 3, que só se comunicava conosco com sorrisos, uma vez que não compreende o português. Ali é ensinado também inglês e espanhol, além de aulas sobre o manuseio da terra. “Cada governo que entra quer obrigar o índio a ir para a cidade para estudar. Mas, embora seja preciso evoluir, queremos manter nossa tradição. Tanto que nosso objetivo é formar índios em universidades para que eles retornem para prestar serviços à aldeia. Precisamos de médicos, por exemplo. Hoje só temos pedagogos. Mas eu quero estudar Direito para ajudar nosso povo.”

A adolescente Liviane Ara Mirim de Lima, 18, que nasceu e cresceu ali, está sendo preparada para prestar vestibular de Medicina. “Preciso ajudar minha aldeia”, conta ela, que estuda à tarde, ali mesmo, e pela manhã auxilia estudantes nas aulas sobre os plantios locais. “Mas também tenho o sonho de ser modelo”, diz, exemplificando as dúvidas típicas de um jovem de sua idade. Ela conta que seus pais não a obrigaram a se casar mas que, na própria comunidade, ainda há alguns que casam seus filhos com apenas 12 anos.

Liviane, assim como boa parte dos índios da aldeia, tem celular e se utiliza das redes sociais. Weramirim usa o WhatsApp para agendar visitas à tribo. O historiador Ronan Luiz Neves Rocha, que leciona na rede pública do Estado de Minas Gerais, vê o uso da tecnologia como algo positivo. “Muitos se utilizam da internet para recuperar sua história, ficar a par do que ocorre no mundo e dar voz às questões indígenas. E quando, mesmo com esse acesso, eles optam por ter suas escolas, vejo como uma forma de manter viva a cultura indígena. Como forma de resistência.”

Turismo reaviva cultura e dribla exclusão

Quando falamos em tribos indígenas nos dias de hoje, um dos pontos mais sensíveis é sua integração à sociedade e como seus integrantes fazem para se manter. Tanto que a própria Funai (Fundação Nacional do Índio) reconhece que essa população vem enfrentando acelerada e complexa transformação social, necessitando buscar formas de sobreviver e garantir às próximas gerações melhor qualidade de vida.

Dentre os problemas enfrentados por essas comunidades, aponta o órgão, estão invasões e degradações territoriais e ambientais, exploração sexual, aliciamento e uso de drogas, exploração de trabalho, mendicância e êxodo desordenado causando concentração de indígenas nas cidades.

Segundo o historiador Ronan Luiz Neves Rocha, que leciona na rede pública do Estado de Minas Gerais, o índio é tido como um conceito historicamente trabalhado nos limites da exclusão. “O termo índio é algo tão vago como branco e amarelo. Lidamos com diversidade de quase 900 mil pessoas, que se distribuem em 305 etnias e 274 línguas no território nacional. É importante considerar que eles não podem ser negligenciados por essa diversidade, nem pelas transformações do mundo”, avalia. “É preciso tirar um pouco essa ideia do índio que vive no mato para a de um ser que habita realmente o mundo de hoje, principalmente os que moram em zonas urbanas. Esses povos estão integrados aos sistemas social, econômico, político e participam da integração. Mas o que essa integração realiza, muitas vezes, é feito de forma desigual. O grande desafio é encontrar equilíbrio entre a necessidade de se preservar cultura muito própria e original e, ao mesmo tempo, de se adaptar às mudanças.”

DE BRAÇOS ABERTOS - Uma das formas que eles vêem para gerar renda é recebendo turistas para propagar os costumes e as tradições, além de comercializar artesanatos confeccionados por eles.

Geralmente com o apoio dos municípios em que residem, há eventos comemorativos ao Dia do Índio, celebrado amanhã, tanto neste como no próximo fim de semana. Oportunidade para não só visitar uma aldeia, mas também para presenciar apresentações típicas e vivenciar experiência mais completa da cultura indígena. De qualquer forma, esses povos recebem turistas o ano todo para compartilhar suas tradições.

Conforme a Funai, os povos indígenas estão presentes nas cinco regiões do Brasil, sendo que na Norte está concentrado o maior número de indivíduos, 305.873 (37,4%).

No entanto, há comunidades próximas, como em São Bernardo, na divisa com São Paulo, na região de Parelheiros, a cerca de duas horas do Centro de Santo André, onde está a Terra Indígena Tenondé Porã. Ali há sete aldeias, com 1.500 índios Guarani, em quase 16 mil hectares: Krukutu, Kalipety, Tenondé Porã, Irexakã, Tape Miri, Guyrapaju e Kuaray Rexakã.

Também perto do Grande ABC, a cerca de duas horas, está a Aldeia Rio Silveiras, em Boracéia, São Sebastião. A tribo Guarani reúne cerca de 700 indígenas. O local, inclusive, sediará festival no feriado de Páscoa e no fim de semana seguinte. Quem quiser visitá-lo fora do evento, são cobrados R$ 30 para conhecer cachoeira na reserva, R$ 50 para acompanhar apresentação com dança e R$ 100 para acampar na tribo.

Quem viajar para Porto Seguro, na Bahia, pode optar por passeio, oferecido frequentemente, que custa em torno de R$ 50, para conhecer a Reserva Indígena Pataxó da Jaqueira. Após caminhar no meio de linda floresta, e visitar uma oca, é contada a história do povo e servido peixe assado na folha da patioba, que se come, sem exceção. com a mão, para reviver as tradições.


COMO VISITAR

ALDEIA RIO SILVEIRAS - BORACÉIA

Amanhã, 19 de abril, é comemorado o Dia do Índio, e a Prefeitura de São Sebastião, por meio da Secretaria de Turismo e da Fundação Educacional e Cultural Deodato Sant’Anna preparou programação com diversas atividades para mais uma edição do Festival da Cultura Indígena do Rio Silveiras. De amanhã a domingo, e no fim de semana seguinte, de 26 a 28, quem visitar a aldeia poderá conhecer e acompanhar de perto um pouco mais sobre a rica cultura indígena, sua arte e culinária. A festa tem o intuito de preservar e fortalecer o modo de vida Guarani e contará com as tradicionais apresentações de canto e dança Xondaro e Xondária, de arco e flecha, pintura corporal, artesanatos feitos pelos indígenas, culinária tradicional e luta corporal. Para participar do evento, que começa às 10h, pede-se contribuição de um quilo de alimento não perecível.

De acordo com a Secretaria de Turismo, para visitar a aldeia em outros dias é necessário pagar taxa de R$ 20 por pessoa, o que serve de ajuda para a população indígena. Existe também excursões fechadas com agências e os valores são fechados diretamente com as próprias agências de turismo.

Além disso, é possível contatar o próprio cacique Weramirim, pelo WhatsApp, pelo telefone 9 4231-7570. A tribo está na Avenida Tupi Guarani, Boracéia. O acesso desde a região se dá pelas rodovias Anchieta ou Imigrantes e, então, pela Rio-Santos. A entrada para a aldeia é sinalizada, porém, se chover bastante, o acesso pode ser dificultado, pois as ruas perto dali são de terra.

ALDEIA KRUKUTU - SÃO BERNARDO

Às margens da represa Billings e com cerca de 500 habitantes, a aldeia Krukutu é a segunda maior das sete reunidas na Terra Indígena Tenondé Porã, que totaliza 1.500 integrantes. Para celebrar a data, os indígenas não preveem evento especial. No entanto, havendo interesse na visita, basta informá-los pelos telefones 5978-4325 ou, pelo WhatsApp, no 9 4136-5066.

O acesso desde a região à aldeia se dá por meio de duas balsas, sendo a primeira no Riacho Grande. Após o trajeto sobre as águas, é preciso percorrer estrada de terra de quatro quilômetros, a partir da Estrada da Barragem.

Para agendar visita em uma das outras seis aldeias, basta acessar o site https://tenondepora.org.br/. O site é rico em informações a respeito das tribos e da cultura indígena.

RESERVA INDÍGENA DA JAQUEIRA - PORTO SEGURO

A maioria das agências de turismo de Porto Seguro, na Bahia, comercializa passeio até a aldeia Pataxó. Embora não seja previsto nenhum evento especial para a data, as visitas à tribo são regulares, eles são bastante preparados e acostumados ao turismo.

O acesso se dá pela BR-367 em direção a Santa Cruz Cabrália. Basta virar à esquerda em frente ao Barramares, Desde o Centro de Porto Seguro são 12 quilômetros. Para chegar à cidade baiana, voo desde São Paulo leva duas horas, e as passagens aéreas, conforme cotação no site Decolar para ida em 10 de maio e retorno no dia 13, saem a partir de R$ 1.135.
 

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