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Padarias querem vetar comercialização de cigarros

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Estabelecimentos apontam baixa margem de lucros; 1.200 no Estado já deixaram de vender


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

12/04/2019 | 07:30


Por alegarem baixa lucratividade com a venda de cigarros, padarias de todo o Estado, inclusive da região, estão deixando de comercializar o produto. As entidades representativas dos estabelecimentos buscam negociação com as empresas do ramo do fumo, e pretendem recorrer até ao poder público para pedir mudanças nas margens de comercialização e tributação dos maços.

Segundo o presidente do Sampapão, que integra o Sindicato das Indústrias de Panificação de São Paulo e o Instituto do Desenvolvimento da Panificação e Confeitaria, Antero Pereira, a margem de lucratividade das padarias fica em torno de 6,9%. Porém, o principal problema está nos descontos sobre esse percentual, o que é agravado pelo fato de a maioria das padarias estar enquadrada no regime de tributação do Simples Nacional.

“Em 2009, tínhamos margem de lucro de 11,26%. Com mudanças em impostos federais, este percentual está, atualmente, em 6,9%. Isso porque 95% das padarias estão no Simples, que recolhem 4,5% e 7,8% sobre o faturamento nas duas primeiras faixas. Fora isso, ainda tem o ‘dinheiro de plástico’. Para oferecer pagamento com cartões de débito e crédito pagamos taxas entre 1,5% e 3%. Ou seja, estamos praticamente pagando para vender os cigarros”, explicou Pereira.

A entidade pleiteia que esta margem seja elevada para 12%, próximo ao que recebiam dez anos atrás. “Estamos pedindo diversas reuniões com o Sindifumo (Sindicato da Indústria do Fumo do Estado), que não quer negociar. Eles dizem que é problema de cada companhia. Já tivemos contato com as três fabricantes de cigarro que atuam no País, e elas dizem que não têm margem para isso, porque 54% dos cigarros são contrabandeados. Mas nós vendemos o produto legal e pagamos por isso”, disse Pereira.

Segundo o Sampapão, cerca de 1.200 padarias em todo o Estado já se uniram à campanha de não vender mais cigarros até que as negociações sejam abertas. Na região, que concentra 950 padarias, de acordo com o Sipan-ABC (Sindicato das Indústrias de Panificação do Grande ABC), pelo menos oito não comercializam mais o produto. O presidente da entidade, Antônio Carlos Henriques, o Toninho, avisou, inclusive, que será feita pesquisa para levantar os dados atualizados, uma vez que a campanha vem ganhando adeptos.

“Também encomendamos estudo junto a consultor da USP (Universidade de São Paulo) para mostrar qual o impacto da tributação do cigarro nos estabelecimentos que recolhem pelo Simples, que são maioria, e também pelos enquadrados no lucro real ou lucro presumido”, afirmou Toninho. “Estamos buscando alternativas e, inclusive, já começamos a conversar com algumas empresas (de cigarro) sobre o assunto, porém, queremos levar o assunto ao Congresso Nacional. O ideal seria que o cigarro fosse retirado da nossa base de cálculo por conta da sua alta tributação.”

O Diário questionou o Sindifumo sobre as negociações, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

NACIONAL - O ministro da Justiça e Segurança Pública do governo federal, Sérgio Moro, é um dos defensores da discussão para a redução de impostos do cigarro. Ele criou grupo de trabalho para avaliar a questão, com o objetivo de diminuir o consumo de cigarros estrangeiros de baixa qualidade, o contrabando e os riscos à saúde por conta do uso deste produto.

A ideia é que, com a diminuição da carga tributária dos cigarros legais, que gira em torno de 80%, o uso de produtos paralelos seja evitado. A expectativa é que o relatório final do grupo seja apresentado até julho.
 



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Padarias querem vetar comercialização de cigarros

Estabelecimentos apontam baixa margem de lucros; 1.200 no Estado já deixaram de vender

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

12/04/2019 | 07:30


Por alegarem baixa lucratividade com a venda de cigarros, padarias de todo o Estado, inclusive da região, estão deixando de comercializar o produto. As entidades representativas dos estabelecimentos buscam negociação com as empresas do ramo do fumo, e pretendem recorrer até ao poder público para pedir mudanças nas margens de comercialização e tributação dos maços.

Segundo o presidente do Sampapão, que integra o Sindicato das Indústrias de Panificação de São Paulo e o Instituto do Desenvolvimento da Panificação e Confeitaria, Antero Pereira, a margem de lucratividade das padarias fica em torno de 6,9%. Porém, o principal problema está nos descontos sobre esse percentual, o que é agravado pelo fato de a maioria das padarias estar enquadrada no regime de tributação do Simples Nacional.

“Em 2009, tínhamos margem de lucro de 11,26%. Com mudanças em impostos federais, este percentual está, atualmente, em 6,9%. Isso porque 95% das padarias estão no Simples, que recolhem 4,5% e 7,8% sobre o faturamento nas duas primeiras faixas. Fora isso, ainda tem o ‘dinheiro de plástico’. Para oferecer pagamento com cartões de débito e crédito pagamos taxas entre 1,5% e 3%. Ou seja, estamos praticamente pagando para vender os cigarros”, explicou Pereira.

A entidade pleiteia que esta margem seja elevada para 12%, próximo ao que recebiam dez anos atrás. “Estamos pedindo diversas reuniões com o Sindifumo (Sindicato da Indústria do Fumo do Estado), que não quer negociar. Eles dizem que é problema de cada companhia. Já tivemos contato com as três fabricantes de cigarro que atuam no País, e elas dizem que não têm margem para isso, porque 54% dos cigarros são contrabandeados. Mas nós vendemos o produto legal e pagamos por isso”, disse Pereira.

Segundo o Sampapão, cerca de 1.200 padarias em todo o Estado já se uniram à campanha de não vender mais cigarros até que as negociações sejam abertas. Na região, que concentra 950 padarias, de acordo com o Sipan-ABC (Sindicato das Indústrias de Panificação do Grande ABC), pelo menos oito não comercializam mais o produto. O presidente da entidade, Antônio Carlos Henriques, o Toninho, avisou, inclusive, que será feita pesquisa para levantar os dados atualizados, uma vez que a campanha vem ganhando adeptos.

“Também encomendamos estudo junto a consultor da USP (Universidade de São Paulo) para mostrar qual o impacto da tributação do cigarro nos estabelecimentos que recolhem pelo Simples, que são maioria, e também pelos enquadrados no lucro real ou lucro presumido”, afirmou Toninho. “Estamos buscando alternativas e, inclusive, já começamos a conversar com algumas empresas (de cigarro) sobre o assunto, porém, queremos levar o assunto ao Congresso Nacional. O ideal seria que o cigarro fosse retirado da nossa base de cálculo por conta da sua alta tributação.”

O Diário questionou o Sindifumo sobre as negociações, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

NACIONAL - O ministro da Justiça e Segurança Pública do governo federal, Sérgio Moro, é um dos defensores da discussão para a redução de impostos do cigarro. Ele criou grupo de trabalho para avaliar a questão, com o objetivo de diminuir o consumo de cigarros estrangeiros de baixa qualidade, o contrabando e os riscos à saúde por conta do uso deste produto.

A ideia é que, com a diminuição da carga tributária dos cigarros legais, que gira em torno de 80%, o uso de produtos paralelos seja evitado. A expectativa é que o relatório final do grupo seja apresentado até julho.
 

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