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Ex-funcionários da Dolly não são pagos

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Nove meses após demissão, trabalhadores estão sem pagamento de rescisão e salário de um mês


Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

22/03/2019 | 07:07


Nove meses após serem demitidos, cerca de 700 ex-funcionários da fabricante de refrigerantes Dolly, que possui unidade em Diadema e centro de distribuição em São Bernardo, ainda não receberam. A empresa, que passa por processo de recuperação judicial, não pagou multa por rescisão contratual e deve pouco mais de um mês de salário.

O principal imbróglio se dá porque os trabalhadores, em sua maioria, eram registrados pela EcoServ, empresa que a Dolly alega ser prestadora de serviços. Os operários contam que foram contratados pela Ragi Refrigerantes, que depois alterou o nome.

“A sensação foi de golpe, eles deram um golpe na gente”, afirmou o operador de máquina Márcio Silva, 30 anos, que trabalhou durante seis anos na empresa. Apesar da mudança no registro em carteira, ele conta que em nenhum momento era tratado como terceirizado, tanto que possuía até crachá da Dolly.

As demissões ocorreram em junho, praticamente um mês após a prisão do empresário Laerte Codonho, dono do grupo, acusado de sonegação, lavagem de dinheiro e fraude fiscal em investigação do MP-SP (Ministério Público de São Paulo). “Eles disseram que em dez dias iriam pagar, o que não aconteceu. Logo depois entrei com processo na Justiça e a empresa já foi até chamada para um acordo, mas ninguém compareceu”, afirmou.

Outra ex-funcionária, de 37 anos, que trabalhou por sete no setor de controle de qualidade da empresa, e prefere não se identificar, aguardou por até seis meses para entrar com o processo. “Eu esperei o máximo. A minha rescisão, eles fizeram sem o valor do dissídio, os depósitos do FGTS não foram feitos nos últimos meses. Eu também fazia parte da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e tinha estabilidade”, disse. Ela afirmou que a sensação que fica é a de injustiça. “Eles estão vendendo muito e é injusto, porque nós trabalhamos e nos dedicamos. Só queremos os nossos direitos. É humilhante. Eu nunca imaginei que passaria por isso”, contou.

Coordenador do Sintetra (Sindicato dos Rodoviários do ABC), Ademir José da Silva confirmou que “os trabalhadores entraram na Justiça, mas ainda não receberam. Tem muita gente que já até ganhou, mas a empresa está em recuperação judicial, então não receberam.”

A equipe do Diário conversou com o advogado da fabricante de bebidas no processo, Edgar Bechara. Ele afirmou que a empresa não conseguiu efetuar o pagamento por conta do bloqueio das contas na época da prisão e que agora a EcoServ aparece como credora da Dolly, que deve R$ 6,3 milhões à mesma. “O Grupo Dolly não pode fazer nenhum pagamento para a EcoServ por força de lei. Como está em recuperação judicial, o grupo não pode pagar um e não pagar os outros. Este é o grande problema.”

Bechara explicou que a Dolly pede a inclusão de mais uma empresa no grupo – atualmente são seis, que empregam 500 pessoas – e que somente após o juiz decidir sobre a questão será marcada assembleia para apresentação do plano de recuperação judicial. “Para as empresas do grupo, que são recuperandas, os trabalhadores (cerca de 200) vão receber em até 12 meses depois de homologado o plano. Os credores do grupo Dolly também vão receber após a aprovação, mas é outra categoria de créditos, que pode ter pagamento alongado”, afirmou.
 



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Ex-funcionários da Dolly não são pagos

Nove meses após demissão, trabalhadores estão sem pagamento de rescisão e salário de um mês

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

22/03/2019 | 07:07


Nove meses após serem demitidos, cerca de 700 ex-funcionários da fabricante de refrigerantes Dolly, que possui unidade em Diadema e centro de distribuição em São Bernardo, ainda não receberam. A empresa, que passa por processo de recuperação judicial, não pagou multa por rescisão contratual e deve pouco mais de um mês de salário.

O principal imbróglio se dá porque os trabalhadores, em sua maioria, eram registrados pela EcoServ, empresa que a Dolly alega ser prestadora de serviços. Os operários contam que foram contratados pela Ragi Refrigerantes, que depois alterou o nome.

“A sensação foi de golpe, eles deram um golpe na gente”, afirmou o operador de máquina Márcio Silva, 30 anos, que trabalhou durante seis anos na empresa. Apesar da mudança no registro em carteira, ele conta que em nenhum momento era tratado como terceirizado, tanto que possuía até crachá da Dolly.

As demissões ocorreram em junho, praticamente um mês após a prisão do empresário Laerte Codonho, dono do grupo, acusado de sonegação, lavagem de dinheiro e fraude fiscal em investigação do MP-SP (Ministério Público de São Paulo). “Eles disseram que em dez dias iriam pagar, o que não aconteceu. Logo depois entrei com processo na Justiça e a empresa já foi até chamada para um acordo, mas ninguém compareceu”, afirmou.

Outra ex-funcionária, de 37 anos, que trabalhou por sete no setor de controle de qualidade da empresa, e prefere não se identificar, aguardou por até seis meses para entrar com o processo. “Eu esperei o máximo. A minha rescisão, eles fizeram sem o valor do dissídio, os depósitos do FGTS não foram feitos nos últimos meses. Eu também fazia parte da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e tinha estabilidade”, disse. Ela afirmou que a sensação que fica é a de injustiça. “Eles estão vendendo muito e é injusto, porque nós trabalhamos e nos dedicamos. Só queremos os nossos direitos. É humilhante. Eu nunca imaginei que passaria por isso”, contou.

Coordenador do Sintetra (Sindicato dos Rodoviários do ABC), Ademir José da Silva confirmou que “os trabalhadores entraram na Justiça, mas ainda não receberam. Tem muita gente que já até ganhou, mas a empresa está em recuperação judicial, então não receberam.”

A equipe do Diário conversou com o advogado da fabricante de bebidas no processo, Edgar Bechara. Ele afirmou que a empresa não conseguiu efetuar o pagamento por conta do bloqueio das contas na época da prisão e que agora a EcoServ aparece como credora da Dolly, que deve R$ 6,3 milhões à mesma. “O Grupo Dolly não pode fazer nenhum pagamento para a EcoServ por força de lei. Como está em recuperação judicial, o grupo não pode pagar um e não pagar os outros. Este é o grande problema.”

Bechara explicou que a Dolly pede a inclusão de mais uma empresa no grupo – atualmente são seis, que empregam 500 pessoas – e que somente após o juiz decidir sobre a questão será marcada assembleia para apresentação do plano de recuperação judicial. “Para as empresas do grupo, que são recuperandas, os trabalhadores (cerca de 200) vão receber em até 12 meses depois de homologado o plano. Os credores do grupo Dolly também vão receber após a aprovação, mas é outra categoria de créditos, que pode ter pagamento alongado”, afirmou.
 

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