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Medo e angústia em São Bernardo

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Moradores da região da Vila Vivaldi precisaram ser resgatados por botes do Corpo de Bombeiros; água ultrapassou dois metros de altura


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

12/03/2019 | 07:00


 Moradores das proximidades da Rua Afonsina, na região da Vila Vivaldi, em São Bernardo, passaram a noite de domingo em claro, sem poder sair de casa após as fortes pancadas de chuva. Na área, aproximadamente dois quarteirões ficaram ilhados, já que o nível da água da enchente do Ribeirão dos Meninos ultrapassou os dois metros de altura, segundo o Corpo de Bombeiros.

O casal João Barbosa, 84 anos, e Maria, 76, que há 48 anos mora na Rua Abraão Saloti, travessa da Afonsina, acordou com os trovões e, quando foi sair da cama, a água já estava com cerca de 30 centímetros de altura.

“A última vez que aconteceu algo parecido foi em 1991. Preciso chorar, porque fiquei tão preocupada que ainda não tive tempo de fazer isso. Mas a sensação de ver todo o nosso sacrifício tomado pela água não consigo explicar”, lamentou a dona de casa.

Os dois foram resgatados de bote pelos bombeiros junto com a filha, Vera Barbosa, 58, que mora com os pais, no início da tarde de ontem. “A água na nossa casa chegou na cintura”, disse Vera.

De acordo com seu João, que trabalhou como operador de empilhadeira na Ford até se aposentar, a sensação ao pisar em terra, com a sua bengala, foi de alívio. “Fazia muito tempo que não tínhamos problema com isso (enchente). Mas foi a primeira vez que fomos resgatados de bote”, disse.

A técnica de enfermagem aposentada Maria Elizabeth Monzano, 63, foi uma das moradoras da Rua Guilherme de Almeida a ser resgatada também de bote. Ela perdeu todos os pertences, inclusive as roupas, e para sair de casa precisou das vestes do marido. “Não conseguimos nem dormir. Foi uma agonia enorme. Na minha casa tinha comporta, mas a água subiu tanto que entrou pela janela.”

A copeira Iramir Ferreira de Oliveira, 44, foi resgatada junto com o filho Gabriel Ferreira, 13, e o cachorro Bob. “O momento foi de desespero. Passamos a noite inteira acordados, esperando para sair. Não consegui salvar nada.”

A recepcionista Amanda Veloso, 23, não conteve as lágrimas quando viu a mãe e o pai no bote com os bombeiros. “Não consegui voltar para casa ontem (anteontem). Conseguimos mandar comida pelos bombeiros e eu sabia que ela estava bem”, afirmou.

“Perdemos tudo o que tínhamos na casa. Foi muita água, mas agora estamos bem”, disse a montadora Mariana Silvana Santos, 43, mãe de Amanda.

Mais tarde, em coletiva de imprensa, o prefeito Orlando Morando (PSDB) afirmou que o local era o ponto mais grave na cidade. “Lá temos um sistema de escoamento que tira a água da parte baixa e joga para dentro do rio. São seis bombas, que estavam funcionando, mas o volume foi tão grande que a casa de bombas foi invadida pela água”, disse.

Três bombas e um gerador queimaram, com previsão de serem substituídos até hoje. A compra será por meio de contrato emergencial. Na noite de domingo, choveu 138 milímetros no bairro. Até o fechamento desta edição, segundo os moradores, o trabalho dos bombeiros continuava.



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Medo e angústia em São Bernardo

Moradores da região da Vila Vivaldi precisaram ser resgatados por botes do Corpo de Bombeiros; água ultrapassou dois metros de altura

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

12/03/2019 | 07:00


 Moradores das proximidades da Rua Afonsina, na região da Vila Vivaldi, em São Bernardo, passaram a noite de domingo em claro, sem poder sair de casa após as fortes pancadas de chuva. Na área, aproximadamente dois quarteirões ficaram ilhados, já que o nível da água da enchente do Ribeirão dos Meninos ultrapassou os dois metros de altura, segundo o Corpo de Bombeiros.

O casal João Barbosa, 84 anos, e Maria, 76, que há 48 anos mora na Rua Abraão Saloti, travessa da Afonsina, acordou com os trovões e, quando foi sair da cama, a água já estava com cerca de 30 centímetros de altura.

“A última vez que aconteceu algo parecido foi em 1991. Preciso chorar, porque fiquei tão preocupada que ainda não tive tempo de fazer isso. Mas a sensação de ver todo o nosso sacrifício tomado pela água não consigo explicar”, lamentou a dona de casa.

Os dois foram resgatados de bote pelos bombeiros junto com a filha, Vera Barbosa, 58, que mora com os pais, no início da tarde de ontem. “A água na nossa casa chegou na cintura”, disse Vera.

De acordo com seu João, que trabalhou como operador de empilhadeira na Ford até se aposentar, a sensação ao pisar em terra, com a sua bengala, foi de alívio. “Fazia muito tempo que não tínhamos problema com isso (enchente). Mas foi a primeira vez que fomos resgatados de bote”, disse.

A técnica de enfermagem aposentada Maria Elizabeth Monzano, 63, foi uma das moradoras da Rua Guilherme de Almeida a ser resgatada também de bote. Ela perdeu todos os pertences, inclusive as roupas, e para sair de casa precisou das vestes do marido. “Não conseguimos nem dormir. Foi uma agonia enorme. Na minha casa tinha comporta, mas a água subiu tanto que entrou pela janela.”

A copeira Iramir Ferreira de Oliveira, 44, foi resgatada junto com o filho Gabriel Ferreira, 13, e o cachorro Bob. “O momento foi de desespero. Passamos a noite inteira acordados, esperando para sair. Não consegui salvar nada.”

A recepcionista Amanda Veloso, 23, não conteve as lágrimas quando viu a mãe e o pai no bote com os bombeiros. “Não consegui voltar para casa ontem (anteontem). Conseguimos mandar comida pelos bombeiros e eu sabia que ela estava bem”, afirmou.

“Perdemos tudo o que tínhamos na casa. Foi muita água, mas agora estamos bem”, disse a montadora Mariana Silvana Santos, 43, mãe de Amanda.

Mais tarde, em coletiva de imprensa, o prefeito Orlando Morando (PSDB) afirmou que o local era o ponto mais grave na cidade. “Lá temos um sistema de escoamento que tira a água da parte baixa e joga para dentro do rio. São seis bombas, que estavam funcionando, mas o volume foi tão grande que a casa de bombas foi invadida pela água”, disse.

Três bombas e um gerador queimaram, com previsão de serem substituídos até hoje. A compra será por meio de contrato emergencial. Na noite de domingo, choveu 138 milímetros no bairro. Até o fechamento desta edição, segundo os moradores, o trabalho dos bombeiros continuava.

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