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Novo perfil de consumidor é desafio para montadoras

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Com facilidade de aplicativos, aliada ao alto custo dos carros, propriedade fica em segundo plano


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

10/02/2019 | 07:09


É cada vez mais comum ver usuários de aplicativos de transportes nas ruas, com celular na mão, à espera de um veículo para chegar ao destino, em vez de conduzir o seu próprio automóvel. A mudança do perfil de consumidor, que muitas vezes opta por não comprar carro zero-quilômetro, seja por conta do preço elevado; pela economia, por não ter que pensar em combustível, IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) ou seguro; ou simplesmente pela facilidade de se mover por meio da tecnologia, é grande desafio para as montadoras.

Segundo o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Antonio Megale, essa alteração já foi percebida pelas empresas. “Hoje, a mobilidade é mais importante do que a propriedade. Mas a gente não pode se esquecer de que quem fornece produto para os aplicativos somos nós, tanto que sentimos um aumento de vendas aos frotistas maior do que para o cliente final”, assinala. “Trata-se de mudança de hábito, mas baseado em nossas pesquisas o cliente ainda tem vontade de comprar carro, só está adiando um pouco. Porém, nos dias de hoje, é muito mais racional utilizar o multimodal, vai um pouco a pé, pega um Uber ou uma bicicleta, e o jovem está muito mais aberto a isso.”

Dados de pesquisa de novembro de 2018, encomendada pela Anfavea à Spry, mostram que 93% dos entrevistados da geração ‘Z’ (de até 25 anos de idade) já utilizaram esses aplicativos, e 25% o fazem mais de uma vez por semana. Na geração ‘Y’ (dos 26 aos 35 anos), 20% utilizam o serviço nesta frequência.

É o caso da vendedora Ingrid Anne de Camargo, 24 anos, moradora do Centro de Santo André, que nunca teve vontade de comprar automóvel. “Tudo que eu preciso resolver faço com transporte público ou de Uber. Eu costumo usar toda semana, então gasto em torno de R$ 400 por mês, menos do que eu gastaria com a parcela do carro, imposto e seguro. Isso sem falar que preciso tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação), mas acredito que o carro é mais um artigo de luxo, e não tenho essa prioridade”, afirmou.

Conforme reportagem publicada pelo Diário em setembro de 2018, a demanda para emissão da primeira via da CNH teve queda de 30% no Grande ABC entre 2014 e 2017 – passando de 45.683 para 32.213.

O auxiliar administrativo Romario Gomes de Sousa Barbosa, 28, morador do Golden Park, em São Bernardo, também não é habilitado e não gosta de dirigir. “Quando preciso ir para lugares mais distantes, sempre vou de carona com os amigos. Para perto, uso os aplicativos, que sempre me ajudam quando estou atrasado ou vou para alguma festa, por exemplo”, disse.

“Eu não tenho interesse em comprar carro. Para ir até o trabalho (no Centro) eu vou a pé ou pego carona. Também utilizo o Uber e divido o valor com uma colega de trabalho, então, gasto, em média, R$ 150 por mês. Prefiro investir futuramente em outras coisas, como na compra de um imóvel”, afirmou a comerciante Lian Gantinis, 29, moradora do Parque das Nações, Santo André.

NA PONTA DO LÁPIS - Até mesmo quem já teve um carro acaba preferindo se desfazer do bem por conta da economia. Só para se ter uma ideia, o Onix, da GM, carro mais vendido do ano passado, custa, em média, R$ 40 mil. O IPVA da versão 1.0 sair por R$ 1.600 e o seguro pode chegar a até R$ 8.000 dependendo da idade do motorista – quanto mais jovem o motorista, maior o valor cobrado.

O vendedor Dave Caramello, 41, morador da Vila Assunção, em Santo André, se desfez do carro há sete anos. “Eu trabalho a três quarteirões da minha casa, então vou a pé. Antes, para grandes distâncias eu usava táxi. Mas, hoje com os aplicativos, o valor é mais acessível”, contou.

A jornalista Aline Amaral de Souza, 31, moradora da Vila Maria, em São Caetano, também vendeu seu automóvel. “Não me arrependo. Só para encher o tanque eu estava gastando R$ 140, o que fazia mais de uma vez por mês, mas com aplicativo não chego a desembolsar R$ 100 por mês. Dá um alívio na alma porque finalmente consigo usar o 13º (salário) comigo, que antes deixava reservado para pagar o IPVA”, relatou.


Toyota já testa modelo de compartilhamento de veículo na planta

A montadora japonesa Toyota já testa um modelo de car sharing, ou seja, compartilhamento de veículo, dentro da fábrica de São Bernardo. Inicialmente em projeto piloto, a empresa disponibilizou modelos de veículos para serem alugados por determinadas horas ou dias. A ideia é que a iniciativa possa ser expandida para além dos portões da planta.

“Se o funcionário quer alugar por três horas ou por um fim de semana, ele consegue. Estamos testando o sistema com uma empresa que desenvolve o aplicativo, nossa parceira, e estamos analisando o comportamento dos colaboradores”, disse o gerente de comunicação da Toyota, Anderson Suzuki.

Por enquanto, ainda não há previsão para a expansão do projeto, que também funciona experimentalmente na Argentina, mas novidades devem ser anunciadas neste ano. “Este é o maior desafio da Toyota em 80 anos. Mas lembro que a montadora começou suas atividades como fabricante de tear. Queremos encontrar a melhor solução da mobilidade, seja com ou sem a propriedade do veículo, e para isso estamos analisando o cliente. A ideia é evoluir”, disse.

TENDÊNCIA - Para especialistas, este é o modelo a ser seguido para que as empresas não sofram com perda de fatia do mercado automotivo. Segundo o coordenador de MBA em gestão estratégica de empresas da cadeia automotiva da FGV, Antonio Jorge Martins, com o senso de propriedade se reduzindo a nível mundial, as montadoras devem investir na prestação de serviços.

“As empresas estão cada vez mais preocupadas não somente em oferecer o produto, mas também o serviço e, assim, aumentar o poder da competitividade, principalmente na medida em que se tem uma redução de compradores”, afirma. “A dinâmica das montadoras também vai ser em buscar redução de custos e despesas, caso se mantenha essa tendência natural.”

“A indústria automobilística vai precisar se reinventar. Entre as medidas está a possibilidade de interagir mais com o consumidor, planejar melhor o veículo junto com as cidades e conforme a vida das pessoas. Também precisamos ter uma indústria que projete carros para que eles sejam articulados com condições específicas da mobilidade”, avaliou o professor e coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição. 



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Novo perfil de consumidor é desafio para montadoras

Com facilidade de aplicativos, aliada ao alto custo dos carros, propriedade fica em segundo plano

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

10/02/2019 | 07:09


É cada vez mais comum ver usuários de aplicativos de transportes nas ruas, com celular na mão, à espera de um veículo para chegar ao destino, em vez de conduzir o seu próprio automóvel. A mudança do perfil de consumidor, que muitas vezes opta por não comprar carro zero-quilômetro, seja por conta do preço elevado; pela economia, por não ter que pensar em combustível, IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) ou seguro; ou simplesmente pela facilidade de se mover por meio da tecnologia, é grande desafio para as montadoras.

Segundo o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Antonio Megale, essa alteração já foi percebida pelas empresas. “Hoje, a mobilidade é mais importante do que a propriedade. Mas a gente não pode se esquecer de que quem fornece produto para os aplicativos somos nós, tanto que sentimos um aumento de vendas aos frotistas maior do que para o cliente final”, assinala. “Trata-se de mudança de hábito, mas baseado em nossas pesquisas o cliente ainda tem vontade de comprar carro, só está adiando um pouco. Porém, nos dias de hoje, é muito mais racional utilizar o multimodal, vai um pouco a pé, pega um Uber ou uma bicicleta, e o jovem está muito mais aberto a isso.”

Dados de pesquisa de novembro de 2018, encomendada pela Anfavea à Spry, mostram que 93% dos entrevistados da geração ‘Z’ (de até 25 anos de idade) já utilizaram esses aplicativos, e 25% o fazem mais de uma vez por semana. Na geração ‘Y’ (dos 26 aos 35 anos), 20% utilizam o serviço nesta frequência.

É o caso da vendedora Ingrid Anne de Camargo, 24 anos, moradora do Centro de Santo André, que nunca teve vontade de comprar automóvel. “Tudo que eu preciso resolver faço com transporte público ou de Uber. Eu costumo usar toda semana, então gasto em torno de R$ 400 por mês, menos do que eu gastaria com a parcela do carro, imposto e seguro. Isso sem falar que preciso tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação), mas acredito que o carro é mais um artigo de luxo, e não tenho essa prioridade”, afirmou.

Conforme reportagem publicada pelo Diário em setembro de 2018, a demanda para emissão da primeira via da CNH teve queda de 30% no Grande ABC entre 2014 e 2017 – passando de 45.683 para 32.213.

O auxiliar administrativo Romario Gomes de Sousa Barbosa, 28, morador do Golden Park, em São Bernardo, também não é habilitado e não gosta de dirigir. “Quando preciso ir para lugares mais distantes, sempre vou de carona com os amigos. Para perto, uso os aplicativos, que sempre me ajudam quando estou atrasado ou vou para alguma festa, por exemplo”, disse.

“Eu não tenho interesse em comprar carro. Para ir até o trabalho (no Centro) eu vou a pé ou pego carona. Também utilizo o Uber e divido o valor com uma colega de trabalho, então, gasto, em média, R$ 150 por mês. Prefiro investir futuramente em outras coisas, como na compra de um imóvel”, afirmou a comerciante Lian Gantinis, 29, moradora do Parque das Nações, Santo André.

NA PONTA DO LÁPIS - Até mesmo quem já teve um carro acaba preferindo se desfazer do bem por conta da economia. Só para se ter uma ideia, o Onix, da GM, carro mais vendido do ano passado, custa, em média, R$ 40 mil. O IPVA da versão 1.0 sair por R$ 1.600 e o seguro pode chegar a até R$ 8.000 dependendo da idade do motorista – quanto mais jovem o motorista, maior o valor cobrado.

O vendedor Dave Caramello, 41, morador da Vila Assunção, em Santo André, se desfez do carro há sete anos. “Eu trabalho a três quarteirões da minha casa, então vou a pé. Antes, para grandes distâncias eu usava táxi. Mas, hoje com os aplicativos, o valor é mais acessível”, contou.

A jornalista Aline Amaral de Souza, 31, moradora da Vila Maria, em São Caetano, também vendeu seu automóvel. “Não me arrependo. Só para encher o tanque eu estava gastando R$ 140, o que fazia mais de uma vez por mês, mas com aplicativo não chego a desembolsar R$ 100 por mês. Dá um alívio na alma porque finalmente consigo usar o 13º (salário) comigo, que antes deixava reservado para pagar o IPVA”, relatou.


Toyota já testa modelo de compartilhamento de veículo na planta

A montadora japonesa Toyota já testa um modelo de car sharing, ou seja, compartilhamento de veículo, dentro da fábrica de São Bernardo. Inicialmente em projeto piloto, a empresa disponibilizou modelos de veículos para serem alugados por determinadas horas ou dias. A ideia é que a iniciativa possa ser expandida para além dos portões da planta.

“Se o funcionário quer alugar por três horas ou por um fim de semana, ele consegue. Estamos testando o sistema com uma empresa que desenvolve o aplicativo, nossa parceira, e estamos analisando o comportamento dos colaboradores”, disse o gerente de comunicação da Toyota, Anderson Suzuki.

Por enquanto, ainda não há previsão para a expansão do projeto, que também funciona experimentalmente na Argentina, mas novidades devem ser anunciadas neste ano. “Este é o maior desafio da Toyota em 80 anos. Mas lembro que a montadora começou suas atividades como fabricante de tear. Queremos encontrar a melhor solução da mobilidade, seja com ou sem a propriedade do veículo, e para isso estamos analisando o cliente. A ideia é evoluir”, disse.

TENDÊNCIA - Para especialistas, este é o modelo a ser seguido para que as empresas não sofram com perda de fatia do mercado automotivo. Segundo o coordenador de MBA em gestão estratégica de empresas da cadeia automotiva da FGV, Antonio Jorge Martins, com o senso de propriedade se reduzindo a nível mundial, as montadoras devem investir na prestação de serviços.

“As empresas estão cada vez mais preocupadas não somente em oferecer o produto, mas também o serviço e, assim, aumentar o poder da competitividade, principalmente na medida em que se tem uma redução de compradores”, afirma. “A dinâmica das montadoras também vai ser em buscar redução de custos e despesas, caso se mantenha essa tendência natural.”

“A indústria automobilística vai precisar se reinventar. Entre as medidas está a possibilidade de interagir mais com o consumidor, planejar melhor o veículo junto com as cidades e conforme a vida das pessoas. Também precisamos ter uma indústria que projete carros para que eles sejam articulados com condições específicas da mobilidade”, avaliou o professor e coordenador do Conjuscs (Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Jefferson José da Conceição. 

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