Futuro Distrito de São Bernardo mescla características típicas do Interior com problemas de cidades grandes
Nario Barbosa/DGABC

O distrito do Riacho Grande, em São Bernardo, completa 70 anos em 24 de dezembro. Com apenas uma entrada por via terrestre, a região – que concentra cerca de 60 mil pessoas – mantém o clima tranquilo que lembra municípios do Interior, mas enfrenta desafios dignos de cidades grandes, com o crescimento da população e as demandas por infraestrutura e mobilidade. Localizado a 11 quilômetros do Centro de São Bernardo, o local possui importância estratégica para cidade em virtude de sua vocação para o turismo.
Nas margens da Represa Billings – seu maior atrativo natural – o Riacho Grande recebe expressivo número de banhistas e pescadores ao longo do ano. Gerente de uma loja de artigos para pesca e camping e morador do distrito, Paulo Roberto dos Santos, 35 anos, cobra mais carinho e atenção para a represa. “Temos muitos lugares lindos que as pessoas nem imaginam. Se houvesse mais investimento para despoluir a água, teríamos ainda mais turistas”, opina.
Moradora do Jardim Boa Vista, a comerciante Tania Martins, 50, destaca o ambiente de sossego do Riacho. “É uma coisa que a gente não encontra em outros lugares. Uma segurança, a tranquilidade de não estar sempre trancando a casa”, citou. “Aqui é um lugar maravilhoso, mas precisamos preservar isso”, completou. Tania se queixa que, especialmente no verão, é possível notar o aumento do número de pessoas em situação de rua próximas à prainha.
O sub-prefeito do Riacho Grande, Ivar José de Souza, 61, destaca que os serviços de assistência social abordam essas pessoas e oferecem a transferência para abrigos da cidade. “Não existe lei que os proíba de ficar. Se perturbam outras pessoas acionamos a GCM, a polícia, do contrário, não há o que possa ser feito”, afirmou.
A dona de casa Olívia Mariano, 75, também avalia que a vida no distrito é “muito boa”. “Temos serviços de Saúde, temos atividades. Mas pode sempre ter mais”, declara.
Presidente da Associação Amigos do Parque Rio Grande, o assistente técnico de rodovia Anderson Carreiro, 29, relembra as mudanças dos últimos anos. “Implantaram a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), houve reformas em escolas, inauguração de creche e a ampliação da balsa, que era uma demanda antiga. Certamente temos muito o que comemorar”, afirma.
Para quem vive nas áreas do pós-balsa, as queixas são mais frequentes. A diarista aposentada Maria do Carmo Bezerra, 72, mora no bairro Santa Cruz e reclama da falta de coleta de esgoto e de caçambas para colocação do lixo. Por outro lado, elogia o atendimento recebido na UBS (Unidade Básica de Saúde) da área. “A médica que me atende é a melhor do mundo”, declarou.
Para a desempregada Carol Ferreira, 23, que mora no Taquacetuba, também na região pós-balsa, faltam posto médico 24 horas e lojas. “Quem mora do lado de cá (antes da balsa) tem uma vida mais fácil”, conclui.
Souza justifica que a retirada das caçambas visa educar os moradores a colocar o lixo na rua nos horários de coleta. A Sabesp esclarece que as moradias do pós-balsa são consideradas irregulares por estarem em área de manancial, o que impede a instalação de rede de coleta e tratamento de esgoto.
Data é celebrada com obras e melhorias
A Prefeitura de São Bernardo preparou série de ações para comemorar o aniversário de 70 anos do distrito do Riacho Grande. Na quarta-feira, foram acesas as luzes de uma árvore de Natal ecológica, especialmente instalada no trevo de acesso ao distrito, no Km 29 da Rodovia Anchieta.
O sub-prefeito Ivar José de Souza, 61 anos, explicou que o material utilizado para a confecção da árvore, feita de garrafas plásticas, foi coletado nas escolas públicas. “Um trabalho de conscientização ecológica. A iluminação foi custeada pelos comerciantes, então é um projeto sem gastos para a cidade”, afirma.
A região celebra também a entrega de balsa maior, cuja troca foi feita em outubro e ampliou a capacidade da travessia João Basso para até 40 veículos de pequeno porte e 400 pessoas, o dobro do equipamento anterior. A medida zerou a fila de espera durante a semana e reduziu o tempo em que motoristas precisam aguardar pela embarcação aos fins de semana para, no máximo, 30 minutos. Por muitos anos, os moradores chegaram a esperar até três horas para transpor a Represa Billings. O tempo de embarque hoje é de seis minutos e o de travessia de, aproximadamente quatro minutos.
“O Riacho Grande é um importante ponto turístico da cidade, e que tem de ser valorizado”, afirma o prefeito Orlando Morando (PSDB).
Entre as ações realizadas pela Prefeitura, estão ainda a inauguração da creche do Riacho Grande, em março, que zerou o deficit de vagas para crianças com idade entre zero e 3 anos. No início deste mês, houve a entrega das reformas da Biblioteca Machado de Assis, do banheiro público da Praça João Olímpio Bassani, bem como a troca da iluminação do local, além da assinatura de duas ordens de serviço para a revitalização do deck da Prainha e de uma pista de caminhada na Alameda Yakult, no Parque Rio Grande. Duas escolas municipais também receberão melhorias: Lorenzo Lorenzetti, na Vila Balneária, e Graciliano Ramos, no Parque Rio Grande.
Nome do distrito homenageia rio formador da Represa Billings
Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC
Em 24 de dezembro de 1948, a estrutura administrativa do Grande ABC formalizava a criação de novo município – São Caetano com o apêndice “do Sul” no nome – e dois distritos – Diadema e Riacho Grande. Viviam-se os primeiros anos desde a derrubada da ditadura do Estado Novo – 1937 a 1945 – e várias regras eram estabelecidas constitucionalmente. Uma delas: que os novos municípios e distritos tivessem nomes diferenciados em relação a outras localidades nacionais.
No caso de Riacho Grande, era preciso encontrar um nome que o diferenciasse da antiga Estação Ferroviária de Rio Grande, hoje sede de Rio Grande da Serra, já que o novo distrito ocupava o território da antiga Linha Colonial Rio Grande e/ou bairro Rio Grande, em alusão à passagem do mais caudaloso rio regional, o “Rio Grande”, que nasce em Paranapiacaba e deságua no Rio Pinheiros.
Bruna Bechelli Vertematti, 88, antiga moradora do Riacho Grande, lembra que um segundo nome foi pensado para o antigo Rio Grande: Lago Azul. A denominação não pegou, e ficou mesmo Riacho Grande, o principal formador da Represa Billings.
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