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Com retorno, Atila cita reconstrução de Mauá

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Em ato no gabinete, socialista reassumiu cargo à frente do Paço, sem presença de Alaíde Damo


Fábio Martins
Do Diário do Grande ABC

13/09/2018 | 07:00


Com a formalização burocrática de seu retorno após quatro meses afastado do cargo, o prefeito de Mauá, Atila Jacomussi (PSB), usou as redes sociais para falar em recuperação do município – o socialista reassumiu ontem o posto no Executivo, em cerimônia realizada no gabinete, sem a presença da vice e então chefe do Paço interina, Alaíde Damo (MDB). “Quero afirmar que Mauá não tem um prefeito só, Mauá tem 470 mil prefeitos que vão ajudar a reconstruir nossa cidade”, afirmou, pouco antes do ato oficial, realizado no fim da tarde, quando houve a assinatura do termo de posse.

A palavra de ordem diante da transmissão, nos bastidores, era de evitar conflito com o grupo da família Damo, embora haja estremecimento. O único que concedeu entrevista pelo clã Jacomussi foi o pai de Atila e presidente da Câmara mauaense, Admir Jacomussi (PRP, confira declarações abaixo), reiterando que não haverá vingança, mas sobrou alfinetadas. “(Esse período) Foi prejuízo grande à cidade”, disse, depois de participar de reunião no Paço ao lado de Atila e aliados de primeira ordem do socialista. A conversa de início da transição e entrega das chaves – já que as fechaduras das salas foram trocadas – ficou a cargo do secretário de Governo, Antônio Carlos de Lima (PRTB), sobrinho de Alaíde.

A volta de Atila ao posto ocorre por força de liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que deferiu pedido do socialista para suspender os efeitos das imposições do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, entre eles reassumir o cargo e adentrar as dependências da Prefeitura. As restrições foram definidas logo depois de sua soltura, em 15 de junho. Ele havia sido detido, em flagrante, no dia 9 de maio, no âmbito da Operação Prato Feito – não havia mandado de prisão. Em busca e apreensão, a PF (Polícia Federal) encontrou R$ 87 mil em espécie na residência do prefeito.

O encontro no gabinete teria acontecido sem animosidade, segundo interlocutores. Foram atualizadas as situações de temas centrais, que ainda serão aprofundadas em nova reunião hoje, a exemplo do deficit financeiro, inclusive, com decreto de calamidade pública em vigência, contrato perto do fim da Saúde com a FUABC (Fundação do ABC) e dívida bilionária com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

O grupo de Atila teria começado a redesenhar os cargos do governo. Com a entrada de Alaíde, só foram mantidos sete dos 23 secretários ligados ao socialista. No rol de demitidos pela vice entrou até a mulher do prefeito, Andreia Rolim Rios, além de Márcio de Souza e Israel Aleixo, o Bell, ambos do PSB, homens da estrita confiança do prefeito. Ex-dirigente da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá), Bell, por exemplo, seria indicado ao posto de chefe da Pasta de Governo, função que era exercida por João Gaspar, preso também na Prato Feito – solto depois de habeas corpus, mas isolado frente às acusações contra ele. A PF achou R$ 588 mil em dinheiro na sua casa.

Márcio tende a retornar a posto da chefia de Gabinete e na liderança do setor de Comunicação. A remontagem envolve reavaliação de alguns quadros remanescentes, incluindo Chico do Judô (Serviços Urbanos) e Valtemir Pereira (Finanças). Outros devem integrar lista negra, como Rogério Babichak (Justiça) e David Ramalho (PSB, adjunto de Governo), além de Erenita Eman, servidora de carreira, porém gratificada por Atila – hoje é chefe de Gabinete de Alaíde.

Clima era de expectativa com aparição pública do prefeito

O clima durante todo o dia de ontem nos arredores do Paço de Mauá foi pela primeira aparição pública do prefeito Atila Jacomussi (PSB). Por recomendação da equipe jurídica, mesmo após alcançar sua liberdade, o socialista não realizou agendas políticas nem concedeu entrevistas neste período diante das restrições impostas pelo TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região. Cerca de 50 pessoas se deslocaram para a porta traseira da Prefeitura no aguardo do retorno de Atila ao cargo.

O socialista entrou na garagem do Executivo, no entanto, com seu veículo, encaminhando-se diretamente ao gabinete, sem dar sinalizações. Pouco tempo depois foi sua mulher, Andreia Rolim Rios, quem acessou o estacionamento do prédio, de carro. Os simpatizantes de Atila que compareceram ao local gritavam músicas relacionadas à campanha eleitoral de 2016, marcada pelo número do partido do hoje prefeito. Apesar dos insistentes pedidos por declarações do político, Atila limitou-se a acenar pela janela, por volta das 17h30, onde estendeu e balançou a bandeira de Mauá, com largo sorriso no rosto e fazendo sinal de positivo.

Boa parte da expectativa no entorno do Paço envolvia também a notificação do TRF-3 à Câmara e, consequentemente, comunicado da liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo, ao governo interino de Alaíde. Foram horas de espera. A Procuradoria tende a recorrer da decisão.

Após 125 dias longe dos holofotes – embora não distante dos noticiários –, Atila promete falar hoje, em entrevista coletiva, na Prefeitura.


Admir prega transição pacífica de governo

Presidente da Câmara de Mauá e pai do prefeito Atila Jacomussi (PSB), Admir Jacomussi (PRP) pediu a execução de transição “pacífica”, “sem traumas” e que a relação entre seu filho e a vice-prefeita Alaíde Damo (MDB) seja reconstruída.


Pela manhã, Admir e Israel Aleixo, o Bell, ex-superintendente da Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá) e presidente do PSB mauaense, foram à Prefeitura e se reuniram com o ainda secretário de Governo, Antônio Carlos de Lima (PRTB). Segundo o vereador, o encontro foi tranquilo e serviu para mostrar que o clã Jacomussi busca evitar trabalhar com revanchismo.

“Queremos um governo de transição, pacífico”, disse Admir. “A Alaíde continuará como a vice-prefeita. Não há nenhum tipo de mal-estar entre o Atila e a Alaíde. Ela foi eleita na chapa com o Atila e da nossa parte não tem nenhum tipo de problema. Tanto Atila quanto Alaíde voltam a ocupar seus cargos de origem. Não haverá maiores traumas”, emendou Bell.

Admir classificou as demissões de aliados de Atila, bem como algumas decisões de governo, por parte de Alaíde como “atos impensados”. “Vamos entender a situação e tomar as medidas que cabem ser tomadas.”

Funcionários ouvidos pela equipe do Diário logo pela manhã evitaram euforia com o retorno de Atila, autorizado pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Porém, por volta das 8h, o movimento de colaboradores, em especial ligados a Atila, aumentou. Chamou a atenção a passagem de funcionários que trabalharam com Atila para tentar conversar com o prefeito e reaver a vaga. Já colaboradores convidados por Alaíde mostraram insatisfação com o retorno do prefeito e afirmaram que não continuariam atuando no Executivo.  (Daniel Tossato)



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