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Pequenos lucram com a greve

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Enquanto o Ceasa da região contabiliza perda de até R$ 8 mi, hortas sustentáveis triplicam vendas


Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

03/06/2018 | 07:13


Os efeitos da greve dos caminhoneiros, que paralisaram as estradas do País durante 11 dias, foram negativos para a maioria dos setores da economia. Um exemplo é a Aeceasa (Associação das Empresas da Ceasa do Grande ABC), que contabilizou perdas entre R$ 5 milhões e R$ 8 milhões em produtos hortifrúti, que deveriam ter sido carregados na região. Em contrapartida, os pequenos produtores chegaram a vender até o triplo de verduras durante a semana.

Na Vila Vivaldi, em São Bernardo, a procura principalmente pelo alface foi tão alta que há apenas 3% do estoque disponível para venda atualmente. Os produtores venderam praticamente todas as hortaliças plantadas, com valores de comercialização entre R$ 1 e R$ 3, abaixo do que era encontrado nos supermercados (média de R$ 3,99) durante a semana da greve. Não houve reajuste nos preços.

De acordo com o presidente da AGDS (Associação Global de Desenvolvimento Sustentado), responsável pela administração do espaço, Nelson Reis Claudino Pedroso, são cerca de 70 famílias que cuidam de hortas urbanas em terreno da AES Eletropaulo no bairro. “Teve produtor que chegou a vender o triplo do que costuma comercializar durante a semana. Pessoas que tiravam no mês cerca de R$ 1.200 vão conseguir fechar com uma média de R$ 3.500 de faturamento. Ninguém estava preparado para esta demanda, tanto que estávamos com cerca de 15% da capacidade plantada”, explica.

Entre os que comemoram está o agricultor Antônio Carlos Ananias, 65 anos, que atua há dez no espaço. Conhecido como Paraná, ele vendeu praticamente todas as verduras disponíveis. “Foi a melhor semana do ano para vendas. Não ficou nada, principalmente alface, almeirão, brócolis e até mesmo cebolinha e coentro. Agora só está faltando chuva para crescer de novo”, afirma ele, que também busca a aposentadoria rural para complementar a renda.

Segundo Paraná, apareceram muitos compradores além da clientela fiel, composta principalmente por vizinhos. “Em uma semana considerada muito boa, faturo cerca de R$ 500. Semana passada foi R$ 1.000”, afirma.

“As pessoas estavam tão desesperadas que queriam até levar os pés pequenos. Tinha poucos para a venda, porque eles estavam ainda novos”, afirma a agricultora Elis Regina de Oliveira, 53. Ela e Nair do Carmo, 50, cuidam de uma horta há cerca de um ano. “Se a gente considerar que vendemos R$ 20 em um dia, durante a greve a venda chegou a R$ 60 no dia. Os pés custam entre R$ 2 e R$ 3, isso sem falar que é tudo orgânico e sem agrotóxicos. Ninguém encareceu o preço por causa da demanda”, conta Nair.

PERDAS
De acordo com a estimativa da Aeceasa, deve levar cerca de 180 dias – pelo menos seis meses – para recuperar todas as perdas durante a paralisação dos caminhoneiros (que incluem desde os 11 dias em que o Ceasa do Grande ABC trabalhou de maneira precária até os produtos que não foram colhidos e aqueles perdidos nas estradas). “Neste primeiro momento, acontece aquele impulso do consumidor que ficou sem os produtos na geladeira. Passado de seis a oito dias já entra no mesmo sistema com economia do Brasil prejudicada e desemprego grande. Por isso a demora para recuperação”, afirma o diretor-presidente da associação, João Lima.
(colaborou Soraia Abreu Pedrozo)

Movimentação no Ceasa volta ao normal

Após ter praticamente zerado o abastecimento na última semana, o Ceasa do Grande ABC volta a ter movimentação de caminhões e entrada de produtos normalizados. De acordo com a Aeceasa (Associação das Empresas da Ceasa do Grande ABC), o reflexo disso é que o preço do tomate e da batata já estão mais baixos.

Os produtos foram os que mais sofreram alta durante o período de paralisação dos caminhoneiros. O aumento dos preços chegou aos consumidores que encontraram o quilo da batata por R$ 5,98 nas prateleiras dos supermercados.

No Ceasa, a saca com 50 quilos da batata chegou a ser adquirida por R$ 200 e a caixa de tomate de 18 quilos por R$ 120. “Com o movimento voltando ao normal, os preços caem bastante. A caixa de tomate já está por R$ 80 e a de batata por R$ 120”, explica o presidente da Aceasa, João Lima.

Apesar das quedas, os preços ainda não estão normalizados. Antes da paralisação dos caminhoneiros, que afetou diretamente a distribuição de hortifrúti, os itens eram adquiridos por R$ 70 e R$ 60 cada caixa, respectivamente.

As hortaliças também registraram queda nos preços. De acordo com Lima, a caixa com 24 pés de alface já está custando R$ 22, o que já é considerado preço normal. Durante a greve, ela custava R$ 50.

O alface foi um dos itens que praticamente já não eram mais encontrados nas prateleiras na última semana. Na região, o preço variou entre R$ 2,99 e R$ 3,99. “O ritmo de abastecimento está se normalizando de maneira acelerada. Acredito que nesta semana o consumidor já sinta a redução de preços, apesar de que a previsão para voltar ao (valor) de antes seja de cinco até oito dias”, projeta Lima.  



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Pequenos lucram com a greve

Enquanto o Ceasa da região contabiliza perda de até R$ 8 mi, hortas sustentáveis triplicam vendas

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

03/06/2018 | 07:13


Os efeitos da greve dos caminhoneiros, que paralisaram as estradas do País durante 11 dias, foram negativos para a maioria dos setores da economia. Um exemplo é a Aeceasa (Associação das Empresas da Ceasa do Grande ABC), que contabilizou perdas entre R$ 5 milhões e R$ 8 milhões em produtos hortifrúti, que deveriam ter sido carregados na região. Em contrapartida, os pequenos produtores chegaram a vender até o triplo de verduras durante a semana.

Na Vila Vivaldi, em São Bernardo, a procura principalmente pelo alface foi tão alta que há apenas 3% do estoque disponível para venda atualmente. Os produtores venderam praticamente todas as hortaliças plantadas, com valores de comercialização entre R$ 1 e R$ 3, abaixo do que era encontrado nos supermercados (média de R$ 3,99) durante a semana da greve. Não houve reajuste nos preços.

De acordo com o presidente da AGDS (Associação Global de Desenvolvimento Sustentado), responsável pela administração do espaço, Nelson Reis Claudino Pedroso, são cerca de 70 famílias que cuidam de hortas urbanas em terreno da AES Eletropaulo no bairro. “Teve produtor que chegou a vender o triplo do que costuma comercializar durante a semana. Pessoas que tiravam no mês cerca de R$ 1.200 vão conseguir fechar com uma média de R$ 3.500 de faturamento. Ninguém estava preparado para esta demanda, tanto que estávamos com cerca de 15% da capacidade plantada”, explica.

Entre os que comemoram está o agricultor Antônio Carlos Ananias, 65 anos, que atua há dez no espaço. Conhecido como Paraná, ele vendeu praticamente todas as verduras disponíveis. “Foi a melhor semana do ano para vendas. Não ficou nada, principalmente alface, almeirão, brócolis e até mesmo cebolinha e coentro. Agora só está faltando chuva para crescer de novo”, afirma ele, que também busca a aposentadoria rural para complementar a renda.

Segundo Paraná, apareceram muitos compradores além da clientela fiel, composta principalmente por vizinhos. “Em uma semana considerada muito boa, faturo cerca de R$ 500. Semana passada foi R$ 1.000”, afirma.

“As pessoas estavam tão desesperadas que queriam até levar os pés pequenos. Tinha poucos para a venda, porque eles estavam ainda novos”, afirma a agricultora Elis Regina de Oliveira, 53. Ela e Nair do Carmo, 50, cuidam de uma horta há cerca de um ano. “Se a gente considerar que vendemos R$ 20 em um dia, durante a greve a venda chegou a R$ 60 no dia. Os pés custam entre R$ 2 e R$ 3, isso sem falar que é tudo orgânico e sem agrotóxicos. Ninguém encareceu o preço por causa da demanda”, conta Nair.

PERDAS
De acordo com a estimativa da Aeceasa, deve levar cerca de 180 dias – pelo menos seis meses – para recuperar todas as perdas durante a paralisação dos caminhoneiros (que incluem desde os 11 dias em que o Ceasa do Grande ABC trabalhou de maneira precária até os produtos que não foram colhidos e aqueles perdidos nas estradas). “Neste primeiro momento, acontece aquele impulso do consumidor que ficou sem os produtos na geladeira. Passado de seis a oito dias já entra no mesmo sistema com economia do Brasil prejudicada e desemprego grande. Por isso a demora para recuperação”, afirma o diretor-presidente da associação, João Lima.
(colaborou Soraia Abreu Pedrozo)

Movimentação no Ceasa volta ao normal

Após ter praticamente zerado o abastecimento na última semana, o Ceasa do Grande ABC volta a ter movimentação de caminhões e entrada de produtos normalizados. De acordo com a Aeceasa (Associação das Empresas da Ceasa do Grande ABC), o reflexo disso é que o preço do tomate e da batata já estão mais baixos.

Os produtos foram os que mais sofreram alta durante o período de paralisação dos caminhoneiros. O aumento dos preços chegou aos consumidores que encontraram o quilo da batata por R$ 5,98 nas prateleiras dos supermercados.

No Ceasa, a saca com 50 quilos da batata chegou a ser adquirida por R$ 200 e a caixa de tomate de 18 quilos por R$ 120. “Com o movimento voltando ao normal, os preços caem bastante. A caixa de tomate já está por R$ 80 e a de batata por R$ 120”, explica o presidente da Aceasa, João Lima.

Apesar das quedas, os preços ainda não estão normalizados. Antes da paralisação dos caminhoneiros, que afetou diretamente a distribuição de hortifrúti, os itens eram adquiridos por R$ 70 e R$ 60 cada caixa, respectivamente.

As hortaliças também registraram queda nos preços. De acordo com Lima, a caixa com 24 pés de alface já está custando R$ 22, o que já é considerado preço normal. Durante a greve, ela custava R$ 50.

O alface foi um dos itens que praticamente já não eram mais encontrados nas prateleiras na última semana. Na região, o preço variou entre R$ 2,99 e R$ 3,99. “O ritmo de abastecimento está se normalizando de maneira acelerada. Acredito que nesta semana o consumidor já sinta a redução de preços, apesar de que a previsão para voltar ao (valor) de antes seja de cinco até oito dias”, projeta Lima.  

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