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Mesada faz bem para a formação

29/08/2010 | 07:56
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No lugar de comprar tudo o que as crianças querem, os especialistas sugerem que, mesmo com dor no coração, os parentes deem mesadas aos pequenos. Assim, desde cedo eles começam a entender que o dinheiro não nasce em árvore e são estimulados a se tornarem consumidores conscientes no futuro.

"Tudo deve ser muito bem conversado", diz o professor educação financeira da BM&FBovespa José Alberto Netto Filho. "A criança acha que o dinheiro do pai vem dele. E é necessário que ela entenda que é proveniente do trabalho", orienta como um dos primeiros passos na hora da conversa.

IDADE - Não existe idade mínima para iniciar a mesada da garotada, diz o especialista em finanças pessoais e autor do livro Moneyfit, André Massaro. "Mas é possível que o entendimento da criança sobre dinheiro não seja formado com menos de dez anos." A condição financeira do doador também deve ser levada em conta.

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CONTROLE - Lucas Farias de Almeida, 11 anos, recebe mesada de seus dois irmãos mais velhos desde quando tinha 6 anos. "A primeira vez, ele ganhou R$ 10 e durou só um dia. Ele foi ao mercado com a minha mãe e pediu para que comprasse bolacha e doces. Naquele mês, quando ele pediu outras guloseimas nós dissemos que ele já tinha usado o dinheiro. A partir daí ele começou a segurar mais o valor que recebia", conta o empresário andreense Juliano Farias de Almeida, que é um dos irmãos mais velhos de Lucas e contribui com a mesada.

Hoje, Lucas já tem noção de consumo consciente e economiza quando quer algo especial. "Eu e meu irmão entregamos R$ 400 por mês para ajudar a minha mãe a cuidar dele. Ela dá algo em torno de R$ 50 para o Lucas. Mas ele sabe juntar e já comprou até um tênis (igual ao) que os amigos usam na escola", destaca Almeida.

Diferentemente de Lucas, Bianca Cantero, 14 anos, não conseguiu administrar bem sua receita e acabou perdendo o benefício dos pais. "Quando ela queria comprar algo, pedia para eu descontar da mesada. Só que pedia mais do que podia pagar", conta a mãe Roseli Cantero Torres, moradora de São Bernardo. "Então nós cortamos a mesada."

Massaro aconselha que os pais imponham limites aos filhos. "Mas não pode ser como Exército, pois eles têm que aproveitar a infância." Ele orienta que a mesada tenha pequeno valor, mas que sejam atribuídos bônus quando as crianças cumprirem suas obrigações, como tirar notas boas no colégio.

Netto Filho é contra pagamentos extras. "Tem que ser bem pensado, pois pode ser interpretado como chantagem", destaca.

 

CORTE - Como a mesada vai de acordo com a condição financeira do pagador, Netto Filho aconselha que os pais expliquem para os filhos a situação economia familiar em caso de dívidas. "Tudo tem que ser bem combinado e claro para eles."

Valores variam de acordo com a idade dos pequenos

Os valores das mesadas devem, além de acompanhar o orçamento familiar, atender aos anseios das faixas etárias dos jovens. Uma criança com seis anos não tem as necessidades de ir no cinema e comprar a camiseta ou saia da moda como um pré-adolescente. "O interessante é aumentar os valores de acordo com a idade deles", diz o especialista em finanças pessoais e autor do livro Moneyfit, André Massaro.

O professor educação financeira da BM&FBovespa José Alberto Netto Filho apresenta uma das formulas para estipular os valores. "Até os 11 anos é interessante trabalhar com semanada para que eles acostumem com a questão do tempo. Nesta faixa etária é interessante dar R$ 1 para cada ano de idade da criança. Para os mais velhos, a quantia pode ser entre R$ 5 a R$ 10 para cada ano, mas como mesada".

Ambos especialistas aconselham que, sem contar a idade, aumentos nos valores podem acompanhar o avanço na renda familiar.PS




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