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Nem precisa ter jogo para ir ao Pacaembu


Ademir Medici
Do Diário do Grande ABC

18/02/2018 | 07:00


O Museu do Futebol é um espaço obrigatório não apenas para esportistas. É também um laboratório para quem curte história e memória. E é lá que se reúne uma gente simpática que leva adiante o projeto do Memofut. Conhecem?

Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. Hoje não haverá jogo de futebol. Mas a movimentação é grande na Praça Charles Miller e no Museu do Futebol, incluindo a sua rica biblioteca, com jornais, revistas e livros das mais variadas épocas e lugares, todos tratando do esporte rei brasileiro.

No Auditório Armando Nogueira, parte integrante do Museu do Futebol, acontece a 95ª reunião do Memofut, sigla do Grupo Literatura e Memória do Futebol, que em março comemorará 11 anos de rica existência.

Na plateia, homens de várias idades, profissões e clubes do coração, e uma jovem esportista. Vários ostentam camisetas dos seus clubes. É possível ver um são-paulino conversando animadamente com um corintiano e um palmeirense. Um dos presentes veste a camisa da Seleção do Paraguai. O clima é da maior cordialidade.

Durante mais de três horas, com um pequeno intervalo para o café, a conversa gira em torno do futebol, e o tema é Copa do Mundo – e mesmo durante o café só se fala em futebol.

São todos, verdadeiramente, pesquisadores e amantes do futebol. Um complementa e amplia a memória de outro. Aquele jogo na Copa da Inglaterra em 1966, aquele lance na Copa da Suécia em 1958 – não obrigatoriamente de uma partida do Brasil.

Impressionante o alto grau de conhecimento desses brasileiros de várias partes da Capital, Grande São Paulo e de cidades como Jundiaí, de um grupo animado que tem entre os representantes Helio Maffia. Muito simpático. Maffia é um nome clássico da preparação física, com atuação nos grandes clubes paulistas, chegando a técnico do Corinthians.

GIPEM DO FUTEBOL

Para nós, do Grande ABC, que participamos da última reunião – a convite do designer Luiz Romano, de São Caetano – o Memofut lembra muito o Gipem (Grupo Independente de Pesquisadores da Memória). O Memofut, como o Gipem, é um grupo sem constituição jurídica formal. E funciona muito bem.

Missão: promover a difusão da literatura e outras formas de expressão cultural e artística do futebol e apoiar a preservação da memória do futebol.

Visão: ser uma referência na pesquisa, no estudo e no debate do tema futebol em todas as suas vertentes culturais e artísticas e na preservação da memória do futebol em todas as suas manifestações. Tornar-se um centro de referência para historiadores, pesquisadores e editores.

Valores: apartidário, sem fins comerciais. O grupo é extremamente rigoroso no respeito aos direitos autorais das fontes de pesquisa e publicará sempre que identificáveis as respectivas fontes.

Estes princípios, redigidos por Domingos Antonio D’Angelo Junior quando dos dez anos do MemofuT, foram facilmente observados durante a 95ª reunião, realizada em 3 de fevereiro último, um sábado pela manhã – as reuniões são sempre no primeiro sábado do mês – e de manhã.

O coordenador, professor Alexandre Andolpho, conduziu a reunião, que constou de três palestras das mais participativas.

Gustavo Carvalho alinhavou curiosidades sobre as Copas do Mundo.

O bibliotecário Ademir Takara discorreu sobre a história da história das Copas do Mundo.

Alexandre Andolpho analisou com a plateia os chamados ‘grupos da morte’ nas Copas do Mundo.

Em quase 11 anos participaram das reuniões do Memofut jogadores de futebol famosos, jornalistas, autores de obras sobre o futebol, colecionadores de álbuns de figurinhas e tanta gente mais.

GENTE, QUE BIBLIOTECA!

Deixamos o Pacaembu à tarde, desviando dos blocos de Carnaval paulistanos. Não deu tempo de visitar o Museu do Futebol propriamente dito. Um bom tempo foi passado na biblioteca, conduzidos pelo xará, Ademir Takara, que nos mostrou uma bibliografia riquíssima, com vários títulos referentes ao futebol do Grande ABC. Toda a obra do saudoso Paschoalino Assumpção, por exemplo, está nesta biblioteca.

Aprendemos muito. Fechamos alguns acordos. Descobrimos títulos belíssimos. Mas tudo isso fica para amanhã, aqui mesmo, em Memória.

AMANHÃ EM MEMÓRIA

Eles pesquisam e escrevem sobre futebol

Um intercâmbio com a biblioteca do Museu do futebol

Esportistas do Grande ABC que participam das reuniões do Memofut.


Diário há 30 anos

Quinta-feira, 18 de fevereiro de 1988 – ano 30, edição 6679

Manchete – EUA anunciam apoio financeiro ao Brasil

Informática – Grande ABC ainda carente de controle ambiental.


Santos do Dia

Flaviano
Heladio

Claudio
Bv. João de Fiesole


Municípios Brasileiros

Celebram aniversários em 18 de fevereiro:

Em São Paulo, Bady Bassitt, Cajamar, Cândido Rodrigues, Cássia dos Coqueiros, Colômbia, Embu das Artes, Itapevi, Luiziânia, Pardinho, Peruíbe, Sagres, Salmourão, Saruitaiá e Taguaí.

No Amazonas, Ipixuna

No Rio Grande do Norte, Nísia Floresta

Em Santa Catarina, Piratuba

No Rio Grande do Sul, Roca Sales

No Paraná, Salto do Lontra

Fonte: IBGE

Em 18 de fevereiro de...

1888 – Em São Bernardo, o capitão Joaquim Francisco de Jesus dá liberdade, “plena e incondicional”, a seus escravos de nomes Amaro e Benedicta. O mesmo faz o tenente Francisco Antonio de Oliveira Salles à sua escrava Vicentina.

Nota – Tenente Salles é hoje nome de rua no Centro de São Bernardo e possuí descendentes na cidade.

1918 – O Brasil na guerra. Do noticiário do Estadão. Santiago, 16. ‘El Mercúrio’ analisa a entrada do Brasil na guerra, e termina dizendo que findará o acordo do ABC com a aceitação do projeto de garantia da integridade territorial, apresentado pelo presidente Wilson, dos Estados Unidos.

Nota – Acordo ABC: Argentina, Brasil e Chile se comprometiam a não ocupar espaços territoriais vizinhos.
 



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