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Número de nascimentos na região recua 4% em 2016

 Mateus Pereira/SECOM/Fotos Públicas Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Instabilidade econômica e aumento do desemprego são justificativas para mudança de comportamento


Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

15/11/2017 | 07:00


 O número de nascimentos entre famílias do Grande ABC registrou queda de 4,22% no ano passado em comparação com 2015. O cenário, que segue tendência nacional e do Estado, é motivado principalmente pela crise econômica. Isso é o que mostra a pesquisa Estatísticas do Registro Civil, divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o estudo, foram contabilizados, no ano passado, 35.118 nascimentos – contra 36.666 no mesmo período de 2015 (veja arte ao lado). O índice corresponde à maior queda registrada entre as sete cidades desde 2010.

No Brasil, a redução de registros foi de 5,1%, mesmo índice do Estado de São Paulo.

“Diferentemente dos anos anteriores, onde a oscilação de nascimentos estava dentro da projeção feita pelo IBGE, desta vez os números mostram uma mudança no cenário nacional, justificado, a princípio, pela instabilidade econômica e política no Brasil, que na prática fez com que muitas famílias adiassem o seu planejamento de ter um filho”, explica Klívia Brayner de Oliveira, gerente da pesquisa de registro civil.

A redução de empregos formais, que, nos últimos três anos, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho, já resultou na eliminação de 89.584 postos de trabalho com carteira assinada na região, é outro fator citado pela especialista. “As famílias optaram por esperar a melhora do cenário econômico antes de comprometer seu orçamento”, afirma.

Atualmente grávida de 26 semanas, a operadora de atendimento Daiane Gomes, 28 anos, é uma das moradoras da região que, no ano passado, decidiram adiar o sonho de ser mãe em virtude da instabilidade do País. “Saber sobre a situação econômica e a febre do mosquito transmissor da zika me deixou bem assustada”, revela.

Segundo Daiane, a maternidade só se tornou realidade neste ano com a melhora do cenário, em sua visão, e também com a conclusão de um tratamento estético realizado pela futura mamãe em 2016.

Para Luiz Silvério, coordenador da Cátedra Gestão de Cidades da Universidade Metodista de São Paulo, a redução de nascimentos em todo o País, no entanto, deverá se estender ao longo dos próximos anos. “O que se nota é que a população do País tem envelhecido de maneira muito rápida, enquanto o número de nascimentos tem recuado. Como o próprio IBGE aponta, até 2030 nossa população deverá ser majoritariamente idosa”, afirma.

Por outro lado, em 2016, segundo dados do IBGE, o número de óbitos registrou alta de 5,98% na região, maior índice dos últimos seis anos. “Governantes, assim como toda a sociedade, precisam pensar em como iremos atender esta população. É preciso criar serviços aptos para este público, da mesma forma que é necessário reverter este cenário de crescimento vegetativo. Se seguirmos este ritmo, daqui a alguns anos não teremos pessoas para cuidar deste público com idade acima de 65 anos”, ressalta Silvério.

 



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Número de nascimentos na região recua 4% em 2016

Instabilidade econômica e aumento do desemprego são justificativas para mudança de comportamento

Daniel Macário
Do Diário do Grande ABC

15/11/2017 | 07:00


 O número de nascimentos entre famílias do Grande ABC registrou queda de 4,22% no ano passado em comparação com 2015. O cenário, que segue tendência nacional e do Estado, é motivado principalmente pela crise econômica. Isso é o que mostra a pesquisa Estatísticas do Registro Civil, divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o estudo, foram contabilizados, no ano passado, 35.118 nascimentos – contra 36.666 no mesmo período de 2015 (veja arte ao lado). O índice corresponde à maior queda registrada entre as sete cidades desde 2010.

No Brasil, a redução de registros foi de 5,1%, mesmo índice do Estado de São Paulo.

“Diferentemente dos anos anteriores, onde a oscilação de nascimentos estava dentro da projeção feita pelo IBGE, desta vez os números mostram uma mudança no cenário nacional, justificado, a princípio, pela instabilidade econômica e política no Brasil, que na prática fez com que muitas famílias adiassem o seu planejamento de ter um filho”, explica Klívia Brayner de Oliveira, gerente da pesquisa de registro civil.

A redução de empregos formais, que, nos últimos três anos, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho, já resultou na eliminação de 89.584 postos de trabalho com carteira assinada na região, é outro fator citado pela especialista. “As famílias optaram por esperar a melhora do cenário econômico antes de comprometer seu orçamento”, afirma.

Atualmente grávida de 26 semanas, a operadora de atendimento Daiane Gomes, 28 anos, é uma das moradoras da região que, no ano passado, decidiram adiar o sonho de ser mãe em virtude da instabilidade do País. “Saber sobre a situação econômica e a febre do mosquito transmissor da zika me deixou bem assustada”, revela.

Segundo Daiane, a maternidade só se tornou realidade neste ano com a melhora do cenário, em sua visão, e também com a conclusão de um tratamento estético realizado pela futura mamãe em 2016.

Para Luiz Silvério, coordenador da Cátedra Gestão de Cidades da Universidade Metodista de São Paulo, a redução de nascimentos em todo o País, no entanto, deverá se estender ao longo dos próximos anos. “O que se nota é que a população do País tem envelhecido de maneira muito rápida, enquanto o número de nascimentos tem recuado. Como o próprio IBGE aponta, até 2030 nossa população deverá ser majoritariamente idosa”, afirma.

Por outro lado, em 2016, segundo dados do IBGE, o número de óbitos registrou alta de 5,98% na região, maior índice dos últimos seis anos. “Governantes, assim como toda a sociedade, precisam pensar em como iremos atender esta população. É preciso criar serviços aptos para este público, da mesma forma que é necessário reverter este cenário de crescimento vegetativo. Se seguirmos este ritmo, daqui a alguns anos não teremos pessoas para cuidar deste público com idade acima de 65 anos”, ressalta Silvério.

 

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