Reintegração
Nario Barbosa/DGABC

Após ter a falência decretada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em janeiro, a autopeça Karmann Ghia, de São Bernardo, foi reintegrada ao proprietário, dom Eudes Regnier Orleans e Bragança. Trineto de Dom Pedro II, ele reaveu a empresa há cerca de 15 dias por meio de liminar.
A metalúrgica está sem pagar as verbas rescisórias e os salários de seus funcionários desde fevereiro de 2015. Desde então, negociações vinham sendo feitas com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para o pagamento parcelado das dívidas. O diretor da entidade, Carlos Caramelo, afirma que nenhum acordo foi cumprido.
A liminar também determina o interdito do sindicato, que não pode se aproximar das instalações são-bernardenses. “Vamos acatar as ordens da Justiça, mas iremos recorrer no STJ (Superior Tribunal de Justiça), porque a empresa deixou os trabalhadores desamparados”, atesta Caramelo.
Ele ainda garante que todo o apoio necessário será dado pelo sindicato aos trabalhadores a fim de que eles reivindiquem seus direitos. É importante lembrar que, até o decreto de falência, estavam realizando vigilhas no local com o objetivo de evitar a retirada do ferramental por parte do dono.
Segundo o sindicato, aproximadamente 600 funcionários sofrem com a falta de pagamento. Parcela deles entrou com solicitação de rescisão indireta na Justiça – pedido acatado após comprovar abandono por parte da empresa –, uma vez que, com a baixa na carteira de trabalho, é possível sacar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e ter acesso ao seguro-desemprego. Para aqueles que ainda não o fizeram, a orientação de Caramelo é que procurem a empresa para fazê-lo e entrem com ações individuais contra a mesma.
HISTÓRICO
Esta é a segunda vez que o Judiciário suspende o decreto de falência da Karmann Ghia. A primeira vez foi em dezembro, após decisão tomada no mês anterior, sendo lacrada novamente em janeiro.
A equipe do Diário não conseguiu entrar em contato com a metalúrgica até o fechamento desta edição.
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