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Identificado autor de extorsao a Beira-Mar

21/03/2000 | 22:48
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A Polícia Federal identificou o homem que aparece na gravaçao telefônica extorquindo o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, divulgada nesta terça-feira pelo Jornal do Brasil. Na fita, entregue há dois meses pelo juiz federal Odilon de Oliveira ao Ministério Público de Duque de Caxias, a voz que trata o traficante como ``chefe' seria do agente federal Luis Benício Ramos Brivat, o Luisinho. A Polícia Federal descobriu ainda que na época em que a conversa foi gravada, em maio de 1999, Luisinho era assessor do deputado-federal Wanderley Martins (PDT), integrante da CPI do Narcotráfico.

Brivat pertence à Polícia Federal. Após concurso público, ele tomou posse como agente da PF em dezembro do ano passado, quando deixou de ser assessor do deputado Wanderley Martins. Na investigaçao da Polícia Federal, Luisinho teria viajado pela Vasp, em maio do ano passado, para Ponta Pora (MS). Junto com ele, estariam os detetives cariocas Alexandre Campos Faria e Carlos Coelho Macedo, ambos da Delegacia de Repressao a Entorpecentes (DRE); Antônio Carlos Cypriano de Mello, da Delegacia de Homicídios (DH), e Sérgio Roberto Gapanowics, lotado na Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat). Os quatro detetives teriam viajado para o Mato Grosso do Sul em uma operaçao oficial para prender Fernandinho Beira-Mar.

Magalhaes - Toda documentaçao da investigaçao foi entregue à CPI do Narcotráfico em Brasília. Sao duas fitas cassetes com vários telefonemas do traficante, incluindo a execuçao do estudante Michel em Duque de Caxias. Durante a conversa gravada, aparecem duas vozes: a de Luisinho e do detetive Alexandre Faria. O agente e ex-assessor de Wanderley Martins, Luis Brivat, seria informante (X9) dos detetives. Nesta mesma conversa, o nome do detetive José Luis Magalhaes foi citado como já tendo extorquido o traficante quatro vezes. Os cinco sao acusados de seqüestrarem a namorada de Fernandinho Beira-Mar, Joelma Carlos de Oliveira, e seu amigo José Ailton do Nascimento no aeroporto de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Joelma e José Ailton teriam sido levados entao para Ponta Pora e obrigados a telefonar de um orelhao para Beira-Mar. De acordo com a investigaçao, os cinco teriam exigido R$ 100 mil para soltar a namorada e o amigo do traficante. Um advogado de Fernandinho em Ponta Pora teria chegado a almoçar numa churrascaria com o grupo, onde entao ficou acertado o pagamento de R$ 40 mil. Na hora, foram pagos R$ 20 mil e o resto foi dividido em prestaçoes de R$ 5 mil a cada 15 dias. A investigaçao mostra que um parente do traficante levaria às segundas-feiras o dinheiro na sede de Delegacia de Repressao a Entorpecentes (DRE), no Rio. Na época, o delegado-titular da DRE era Herald Espínola, atualmente lotado na Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). A última cota da extorsao teria sido paga no dia 12 de julho do ano passado.

DGABC

Depoimento - Atualmente, os detetives Alexandre Faria e Carlos Macedo estao presos no presídio Ponto Zero por acusaçao de extorsao ao traficante Marco Antônio da Silva Tavares, o Marquinhos, que fornece drogas para Niterói e Rio. nesta terça-feira, o detetive José Luis Magalhaes se apresentou à comissao que investiga a banda podre da polícia.

Acompanhado do advogado José Carlos Tórtima, Magalhaes depôs por cinco horas. ``Em nenhum momento o nome do detetive José Magalhaes foi citado na fita. Ele chegou tranqüilo e saiu aliviado', disse o advogado.




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