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Indústria sofre com falta de profissionais

06/04/2011 | 22:04
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Celso Luiz/DGABC
Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A retomada do crescimento econômico, após a crise financeira global, fez ressurgir o problema da falta de mão de obra qualificada no País. Pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgada ontem, aponta que 69% das fabricantes têm dificuldade de encontrar trabalhadores capacitados.

O estudo mostra que o problema atinge todas as áreas e categorias profissionais das empresas, mas afeta principalmente a produção e, especialmente, os operadores. Do total de companhias consultadas, 94% citam a dificuldade de preencher essas vagas do chão de fábrica. Depois, aparecem técnicos ligados à produção (82%) e funcionários ligados a vendas e marketing (71%).

A falta de profissionais qualificados afeta, por sua vez, a competitividade das indústrias brasileiras no País e no Exterior, ao limitar o aumento da produtividade e a melhoria dos produtos, também segundo análise da CNI.

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O gerente executivo da unidade de pesquisa da confederação, Renato da Fonseca, explica que os trabalhadores contratados com baixa qualificação levam mais tempo para produzir e demandam das companhias que elas gastem tempo e dinheiro para treiná-los.

Dessa forma, a saída das fabricantes, diante da falta de profissionais qualificados, é a capacitação no próprio local de trabalho. De acordo com o levantamento da CNI, 78% adotam essa solução. A ação é ainda mais utilizada pelas de grande porte, em que o percentual sobe para 86%.

Na região, montadoras de veículos como a Volkswagen têm unidades do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) dentro de suas instalações. Essa fabricante tem ainda centro de treinamento em que faz simulações práticas das operações, desenvolve programa de aulas presenciais na área de manufatura, faz parceria com instituições de ensino e oferece subsídio financeiros para cursos de pós-graduação.

Segundo o gerente executivo da CNI, as grandes empresas têm mais facilidade para oferecer capacitação, enquanto as pequenas têm menos recursos financeiros e menores condições de tirar parte dos funcionários da produção para se dedicarem a treinamento.

O estudo aponta ainda que a má qualidade da educação básica é obstáculo à qualificação do trabalhador. Entre as consultadas, 52% apontam esse como um dos principais entraves. Para Fonseca, esse problema exige esforços dos governos municipais, estaduais e federal. "Não existe um país que conseguiu dar um salto de crescimento sem investir em Educação", afirma.

O diretor da regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Santo André, Shotoku Yamamoto, concorda. "A qualidade do ensino é ruim. Para sermos competitivos, temos de enfrentar esse problema".

Pesquisa da UFABC atesta dificuldade de recrutar operador

Pesquisa desenvolvida pela UFABC (Universidade Federal do ABC) com pequenas e médias indústrias do ramo metalmecânico na região confirma a dificuldade de contratação de mão de obra para a produção relatada pela CNI.

Segundo o levantamento, as empresas do segmento têm dificuldade no preenchimento de vagas de operadores de CNC (Comando Numérico Computadorizado), soldadores e caldeireiros. "As novas gerações preferem fazer curso de programador a serem operadores", afirma o professor de Engenharia Sérgio Lourenço, que coordena o estudo.

Ele acrescenta que as pequenas fabricantes também precisariam ter engenheiros, para investir em inovação, o que lhes daria vantagens competitivas. No entanto, esbarram na escassez de recursos financeiros para contratar profissionais de nível superior.




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