
Um casal de São Bernardo viveu momentos de tensão e desespero nos dias 11 e 12 para tentar salvar o filho. Simone Maria dos Santos Almeida, 25 anos, esperava a criança há três meses. Para evitar o pior, ela e o marido, Claudemir Leal de Almeida, 32 anos, percorreram diversas unidades de Saúde da região, até que foram comunicados que a mulher havia sofrido um aborto.
"Até aquele momento, não sabíamos de nada. Ela sangrava muito e tudo o que pensávamos era que tínhamos que salvar nosso filho", disse Claudemir, que é catador de papel.
Desde setembro, ele recebe cerca de R$ 500 da Previdência Social por conta de uma inflamação na perna. Ele, a mulher e o filho único, Isaac, 3 anos, moram em uma casa de quarto, sala, cozinha e banheiro na Vila São Pedro. "Já tínhamos planejado tudo. Seria nosso segundo e último filho."
No dia 11, Claudemir levou a mulher, que sangrava, até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) 24 horas, inaugurada em 29 de dezembro. "Ela foi levada ao PS Central somente duas horas depois. Lá, tomou remédio para dor, e o sangramento havia parado", contou o marido.
No dia seguinte, quando levava a mulher para fazer um ultrassom, a pedido do médico, o sangramento aumentou.
"Chamei o socorro pelo celular, e não conseguimos atendimento. Até fui xingado pela telefonista, que pensou que era trote. Um rapaz viu nosso sofrimento e nos levou ao PS Central, de onde saímos, em ambulância, para o (hospital) Serraria", lembrou Claudemir.
O município afirmou que unidades e profissionais envolvidos seguiram normas de humanização e usaram todos os recursos disponíveis para dar o melhor atendimento.
O casal registrou boletim de ocorrência no 1º DP, e a polícia investiga se houve omissão de socorro.
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