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Aos 81 anos, coração silencia Fausto Polesi


Do Diário do Grande ABC

25/08/2011 | 07:01


 

O jornalista Fausto Polesi, um dos fundadores do Diário Grande ABC, morreu por volta das 6h de ontem, em sua casa, em São Bernardo, vítima de parada cardíaca. Aos 81 anos, deixa a mulher, Mathilde, os filhos Alexandre e Cassiano e quatro netos. O corpo deixará a Câmara de Santo André - onde foi realizado o velório - às 10h, em direção ao Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, na Capital. O enterro está marcado para as 11h.

Único dos fundadores nascido na região - em Santo André -, Fausto Polesi foi incansável na defesa de um jornalismo independente, imparcial, participativo e fiscalizador dos poderes públicos. Editorialista que não media palavras para cobrar ações de todos os atores sociais, Polesi era contundente: "Nossos homens públicos, em sua maioria, pensam mais em si que nos problemas da coletividade."

Nascido em 31 de março de 1930 na Rua Coronel Alfredo Flaquer, Fausto Polesi fez o curso primário no Primeiro Grupo Escolar de Santo André, onde hoje é o museu da cidade. A família teve de se mudar para São Paulo quando o pai, tecelão, conseguiu emprego em fábrica na região da Mooca, em 1941. A profissão, tradicional na família, o levou, aos 14 anos, a também trabalhar na função. Foram 13 anos na profissão.

Leitor assíduo de jornais quando criança, Fausto só voltou a estudar já adulto, no curso de Madureza, na Praça da Sé. Ali conheceu Edson Danilo Dotto, publicitário ativo que já fazia o jornal do bairro onde morava, na Vila Zelina, na Capital. Convidado, lá foi Polesi numa sexta-feira ajudar no fechamento da edição do News Seller, o precursor do Diário do Grande ABC. E estreou escrevendo o Editorial - comentário que indica a posição do jornal em relação aos fatos -, sua marca inconfundível em quase cinco décadas no Diário.

Quando decidiram trazer o News Seller para o Grande ABC, em 1958, Edson, Fausto e os demais sócios - Maury de Campos Dotto e Ângelo Puga - escolheram Santo André. A mudança foi com base em pesquisa feita por eles, quando perceberam que a cidade já se destacava como polo industrial. "Começamos com o sapato furado, mas com cara, coragem e trabalho", lembra Ângelo Puga, que foi o diretor administrativo do jornal.

Fausto Polesi, então, abandonou o emprego na tecelagem para se dedicar de corpo e alma ao jornal. "Não sabia no que iria dar, mas não imaginava que não iria dar, alguma coisa iria dar. E foi o que aconteceu", disse, em entrevista para o livro de 50 anos do jornal.

Como diretor de Redação do Diário do Grande ABC - nome adotado após dez anos da fundação -, Fausto Polesi não tinha feriado, Natal e Ano-Novo. No mínimo, passava pelo prédio da Rua Catequese para saber das coisas e dar apoio aos jornalistas que estavam de plantão.

 

As duas paixões eram o jornalismo e o Corinthians

 

Fausto Polesi respirava jornalismo. Mesmo após ter se desligado do Diário, em 2004, não deixou de lado o interesse pelas notícias. Nos últimos anos, presidia o Conselho Administrativo do Diário de Guarulhos, jornal comandado pelo filho Alexandre. E participava, esporadicamente, de reuniões editoriais.

Em casa, o passatempo predileto era assistir aos jogos do time do coração: Corinthians, do qual sempre foi torcedor fanático, desde os tempos de peladas na Vila Zelina, bairro onde morou e conheceu os outros três amigos e, mais tarde, fundadores da empresa jornalística Diário do Grande ABC.

"Lamentamos a perda dele. Afinal, tivemos uma tremenda história juntos", afirma o empresário e advogado Ângelo Puga, ex-diretor administrativo do Diário. "O Fausto sempre comandou a Redação com muita capacidade e orgulho", ressalta.

O que foi compartilhado por Daisy Mendonça Dotto, mulher do também fundador Edson Danilo Dotto, morto há 14 anos. "A Redação é a alma de um jornal, e o Fausto foi um expoente."

Noiva na época de Edson Dotto, Daisy lembra-se, com carinho, das primeiras reuniões dos quatro amigos em uma salsicharia na Vila Adelina, em São Paulo, para discutir a criação de um jornal no Grande ABC. "O Fausto, o mais velho e o único casado, levava o Alexandre (o filho mais velho) no colo", recorda Daisy.

Irmão de Edson e o quarto fundador do jornal, Maury Dotto está em viagem nos Estados Unidos. Evenson Robles Dotto, um dos filhos e hoje diretor no Diário, lamenta a perda. "Meu pai perdeu um grande amigo e companheiro de luta, de trabalho e de conquistas."



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