
Jovens que faziam campanha para Collor distribuíam aos estudantes do CEAGB um jornal com elogios ao ex-presidente e dizeres contra Ronaldo Lessa (PSB), candidato à reeleição e principal adversário de Collor na disputa ao governo do Estado. O material distribuído pelos simpatizantes imitava o informativo 'O Exemplo', jornal escrito pelo movimento Caras-Pintadas e marcado por críticas a Fernando Collor. Até mesmo o endereço mostrado no informativo pró-Collor era o mesmo do 'O Exemplo'.
Membros dos Caras-Pintadas viram o panfleto e interpretaram o gesto como uma provocação. Os estudantes acionaram policiais militares que trabalhavam no CEAGB na hora da campanha, mas não houve qualquer atitude imediata dos PMs para deter os panfleteiros. A confusão teve início quando os próprios Caras-Pintadas partiram para coibir os simpatizantes de Collor. Alguns panfleteiros foram agredidos, oito foram detidos pelos próprios Caras-Pintadas e vários informativos foram confiscados. A PM interveio em seguida e levou os oito jovens presos para a CIAPC em dois camburões.
O delegado Jobson Cabral, irmão do candidato do PT ao governo do Estado, vereador Judson Cabral, abriu um inquérito policial para apurar a ocorrência. Ele avaliou que existe indício de crime eleitoral e falsidade ideológica caso a falsificação do 'O Exemplo' for confirmada. O delegado mandou que os oitos jovens fizessem exame de lesão corporal e assegurou que os agressores serão indiciados se houve mesmo agressão. Quatro Caras-Pintadas foram identificados pelos panfleteiros como agressores.
O comitê central de Fernando Collor negou a falsificação do jornal dos Caras-Pintadas e disse que os jovens que atuavam na CEAGB não têm ligação com a campanha. Uma menor detida, entretanto, confirmou que ganhou R$ 20 do comitê do PRTB para participar da panfletagem.
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