
O juiz Maurício Fossen interrompeu às 19h15 desta quarta-feira o terceiro dia do julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de assassinar a menina Isabella. O magistrado também decidiu manter a mãe da garota, Ana Carolina Oliveira, isolada nas dependências do fórum de Santana, na Zona Norte de São Paulo, para uma possível acareação com os réus.
O casal Nardoni deve ser interrogado na quinta-feira, em depoimentos que devem durar o dia todo. Ainda não há definição sobre quem falará primeiro. A intenção era que os depoimentos começassem hoje, mas a análise sobre a liberação de Ana Carolina Oliveira acabou atrasando os trabalhos. O promotor Francisco Cembranelli queria que a mãe de Isabella fosse liberada, pois ela estaria extremamente deprimida. O juiz chegou a reconsiderar a decisão, mas voltou atrás quando consultou a doutrina jurídica e a legislação.
Dispensa - Os advogados de defesa resolveram dispensar oito das dez testemunhas que iriam depor nesta quarta-feira. Roberto Podval já havia falado da intenção de abrir mão de pelo menos metade das testemunhas listadas pela defesa com o objetivo de abreviar o julgamento.
Além das oito testemunhas, os defensores do casal também dispensaram a delegada Renata Pontes, que prestou depoimento na terça, mas teve que ficar à disposição da Justiça a pedido do advogado Roberto Podval.
Apenas duas testemunhas de defesa do casal foram ouvidas pelos jurados, de uma lista inicial de 17 pessoas. A primeira foi o jornalista Rogerio Pagnan, da "Folha de S. Paulo", que publicou uma reportagem em que o pedreiro Gabriel Santos Neto, que trabalhava em uma obra nos fundos do edifício London, disse que a construção havia sido arrombada na noite do crime. Ao levar os jurados até a maquete do prédio para mostrar a localização da obra, o jornalista acabou quebrando um pedaço do objeto.
Após o depoimento do jornalista, que terminou por volta das 17h35, os jurados ouviram o escrivão de polícia, Jair Stirbulov. As testemunhas dispensadas pela defesa hoje foram: o pedreiro Gabriel Santos Neto, o delegado de polícia Calixto Calil Filho, os peritos criminais Sergio Vieira Ferreira, Marcia Iracema Boschi Casagrande, Monica Miranda Catarino, os médicos legistas Carlos Penteado Cuoco e Laércio de Oliveira Cesar e o investigador policial Theklis Caldo Katifedenios.
Além das testemunhas de hoje, já foram ouvidas desde segunda-feira, quando começou o júri, a mãe de Isabella, a delegada Renata Pontes, o médico-legista Paulo Sérgio Tieppo e o perito criminal Luiz Eduardo Dória.
Perita - Primeira a prestar depoimento nesta quarta-feira, a perita do IC (Instituto de Criminalística) Rosângela Monteiro, testemunha comum à defesa e à acusação, afirmou que testes realizados após a morte de Isabella apontam que a menina foi jogada do sexto andar do edifício London pelo pai.
Segundo Rosângela, que depôs por mais de seis horas, a camiseta usada por Nardoni no dia do crime tinha marcas visíveis a olho nu. Na versão do acusado, a roupa ficou marcada quando ele se apoiou na tela para olhar para baixo. Na análise realizada pelos peritos, foram feitas quatro simulações para determinar que tipo de ação poderia ter produzido os vestígios encontrados na camiseta de Nardoni. Os testes foram feitos na mesma tela do apartamento, levada ao laboratório.
Nos dois primeiros testes, o modelo utilizado apenas olhou para baixo e colocou uma parte do corpo fora da janela. No terceiro, o modelo colocou os dois braços para fora, mas sem carregar nenhum objeto. Nesses testes, as marcas na camiseta do modelo foram incompatíveis com as da roupa usada pelo acusado.
Já no quarto teste, em que o modelo coloca os dois braços para fora carregando um peso de 25kg (peso aproximado de Isabella), o padrão de marcas entre as duas camisetas foi totalmente compatível. "Não basta encostar na tela. Ele precisa jogar o peso dele sobre ela. Não tem outra hipótese", afirmou a perita.
No início do depoimento, Rosângela respondeu às perguntas do juiz e do promotor Francisco Cembranelli. Ela foi enfática ao afirmar que o sangue encontrado no carro e apartamento do casal era de Isabella. Munida de laudos técnicos, a testemunha disse que é possível afirmar também que a menina já entrou sangrando no apartamento, carregada, contradizendo assim a alegação inicial da defesa de que a vítima foi agredida dentro de casa por uma terceira pessoa.
A perita declarou ao júri que no carro do casal foram identificadas três manchas de sangue: no assoalho, no banco do motorista e no lado esquerdo de um assento de bebê, no banco traseiro. Dois vestígios não foram possíveis analisar. O terceiro, encontrado ao lado da cadeira, tem elementos do DNA de Isabella e de um indivíduo do sexo masculino, que leva a crer ser o filho dos Nardoni.
Ainda de acordo com a perita, a fralda encontrada dentro de um balde com água no apartamento dos Nardoni tinha duas ou três manchas acastanhadas que, a partir de exame, comprovou-se serem de sangue humano. Perguntada por Cembranelli se havia a possibilidade de o reagente usado no teste provocar um resultado falso, Rosângela explicou que é possível, mas que o erro costuma ser detectado por um perito experiente. Segundo ela, pela intensidade e duração da luz emitida pela mancha durante o exame, a amostra era mesmo sangue.
O crime - A menina Isabella Nardoni, 5 anos, morreu em 29 de março de 2008 após ser arremessada da janela do 6º andar do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo, onde moravam o pai dela, Alexandre Nardoni, sua madrasta, Anna Carolina Jatobá e os dois filhos do casal. O crime comoveu o País e ganhou grande repercussão.
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