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Chacina em MT pode estar ligada a assassinato de juiz


Do Diário do Grande ABC

21/10/1999 | 17:44


As Polícias Federal, Militar e Civil do Mato Grosso nao descartam a possibilidade de ligaçao entre uma chacina ocorrida na madrugada de quarta-feira (20) em Mirassol D'Oeste (fronteira com a Bolívia, a 320 km de Cuiabá) e o assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral, encontrado morto mês passado no Paraguai. Dois homens - Rafael Fagundes de Moraes, 22 anos, e José Estevao, 48 anos - foram executados e uma mulher está em estado de coma na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto-Socorro de Cuiabá, atingida com quatro tiros na boca e na cabeça.

Trata-se da comerciante Vera Lúcia Alves Moreira, 40 anos, a mulher que esteve no dia 2 de setembro com o juiz, a quem se identificou como Ana Maria. Ela entregou provas contra integrantes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, denunciando venda de sentenças. Vera Lúcia foi localizada dia 19 de setembro em Puerto Suárez, na Bolívia, e confirmou o esquema da rede de corrupçao no TJ de MT. A polícia nao tem pistas dos três homens que, segundo testemunhas, executaram os dois homens e feriram Vera Lúcia.

Entre os documentos entregues ao juiz havia cópias de cheques, duas fitas cassetes, planos de vôo, ofícios e papéis timbrados do TJ de Mato Grosso. Vera Lúcia é ex-mulher do traficante Baltazar da Silva, homem de confiança do também traficante Valdenor Alves Marchezan, considerado um dos principais chefes do narcotráfico na fronteira. Ela disse que namorava o ex-policial Luiz Siqueira, assassinado dia 28 de agosto deste ano, em Cáceres (oeste do Estado), por traficantes rivais ao grupo de Valdenor. Marchezan tentava controlar o tráfico de drogas na fronteira da Bolívia com o Brasil.

Valdenor Marchezan e Baltazar da Silva foram flagrados pela primeira vez em 1992, em Santo André (SP), portando 57 kg de cocaína. Ambos foram condenados a 12 anos de prisao e recolhidos à Penitenciária do Carandiru (SP), mas em apenas três meses conseguiram transferência para Cuiabá e foram libertados em seguida. Os dois traficantes também estao envolvidos no caso da cocaína lançada de um aviao, no município de Chapada dos Guimaraes (a 64 km de Cuiabá ), em agosto de 97.

Na ocasiao, a Polícia Federal prendeu em flagrante os traficantes Joao Carlos de Lima, Filogônio Pedrosa de Lima, Ernesto Patino Gasser e José Carlos Nogueira com 48,5 quilos de cocaína. Eles lançaram a droga do aviao.

A PF comprovou no inquérito que tanto o aviao como a droga pertenciam a Valdenor Marchezan, mas todas as provas foram desconsideradas e julgadas improcedentes pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O parecer foi dado pelo desembargador Flávio José Bertin, relator do processo, que pediu apenas a condenaçao de Joao Carlos Lima, pela pena mínima de três anos.

Em primeira instância, o promotor da Comarca de Chapada dos Guimaraes, Jaime Romaquelli, sugeriu a condenaçao de oito anos para todos os traficantes envolvidos no caso, mas o juiz Joao Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Chapada dos Guimaraes, ainda ampliou as penas de cada um. Ernesto Gasser, por exemplo, foi condenado a 26 anos, Joao Carlos Lima, a 18 e Filogônio Lima a sete anos.

O delegado municipal de Mirassol D'Oeste, Adauri Berlanga Barbosa, confirmou a abertura de inquérito para apurar a chacina. Cinco pessoas foram ouvidas como testemunhas, mas a Polícia nao tem pista dos matadores. O delegado disse que as três vítimas estavam conversando na frente da casa de Vera Lúcia quando três homens apareceram fortemente armados. Os três foram empurrados para dentro da casa, onde foram baleados com tiros à queima-roupa.

Os três pistoleiros, segundo a polícia, saíram correndo da casa após a seqüência de tiros e entraram em um carro na esquina da Rua Benedito Cesário da Cruz, centro da cidade. Um homem, ao volante, os aguardava. A polícia descarta qualquer possibilidade de crime de latrocínio - roubo seguido de morte -, porque no bolso de José Estevao foram encontrados R$ 5.356,00 em notas de R$ 50,00, que nao foram levados. O corpo de Estevao foi transladado nesta quinta-feira para a cidade de Iraí (RS), onde mora sua família.



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Chacina em MT pode estar ligada a assassinato de juiz

Do Diário do Grande ABC

21/10/1999 | 17:44


As Polícias Federal, Militar e Civil do Mato Grosso nao descartam a possibilidade de ligaçao entre uma chacina ocorrida na madrugada de quarta-feira (20) em Mirassol D'Oeste (fronteira com a Bolívia, a 320 km de Cuiabá) e o assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral, encontrado morto mês passado no Paraguai. Dois homens - Rafael Fagundes de Moraes, 22 anos, e José Estevao, 48 anos - foram executados e uma mulher está em estado de coma na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto-Socorro de Cuiabá, atingida com quatro tiros na boca e na cabeça.

Trata-se da comerciante Vera Lúcia Alves Moreira, 40 anos, a mulher que esteve no dia 2 de setembro com o juiz, a quem se identificou como Ana Maria. Ela entregou provas contra integrantes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, denunciando venda de sentenças. Vera Lúcia foi localizada dia 19 de setembro em Puerto Suárez, na Bolívia, e confirmou o esquema da rede de corrupçao no TJ de MT. A polícia nao tem pistas dos três homens que, segundo testemunhas, executaram os dois homens e feriram Vera Lúcia.

Entre os documentos entregues ao juiz havia cópias de cheques, duas fitas cassetes, planos de vôo, ofícios e papéis timbrados do TJ de Mato Grosso. Vera Lúcia é ex-mulher do traficante Baltazar da Silva, homem de confiança do também traficante Valdenor Alves Marchezan, considerado um dos principais chefes do narcotráfico na fronteira. Ela disse que namorava o ex-policial Luiz Siqueira, assassinado dia 28 de agosto deste ano, em Cáceres (oeste do Estado), por traficantes rivais ao grupo de Valdenor. Marchezan tentava controlar o tráfico de drogas na fronteira da Bolívia com o Brasil.

Valdenor Marchezan e Baltazar da Silva foram flagrados pela primeira vez em 1992, em Santo André (SP), portando 57 kg de cocaína. Ambos foram condenados a 12 anos de prisao e recolhidos à Penitenciária do Carandiru (SP), mas em apenas três meses conseguiram transferência para Cuiabá e foram libertados em seguida. Os dois traficantes também estao envolvidos no caso da cocaína lançada de um aviao, no município de Chapada dos Guimaraes (a 64 km de Cuiabá ), em agosto de 97.

Na ocasiao, a Polícia Federal prendeu em flagrante os traficantes Joao Carlos de Lima, Filogônio Pedrosa de Lima, Ernesto Patino Gasser e José Carlos Nogueira com 48,5 quilos de cocaína. Eles lançaram a droga do aviao.

A PF comprovou no inquérito que tanto o aviao como a droga pertenciam a Valdenor Marchezan, mas todas as provas foram desconsideradas e julgadas improcedentes pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O parecer foi dado pelo desembargador Flávio José Bertin, relator do processo, que pediu apenas a condenaçao de Joao Carlos Lima, pela pena mínima de três anos.

Em primeira instância, o promotor da Comarca de Chapada dos Guimaraes, Jaime Romaquelli, sugeriu a condenaçao de oito anos para todos os traficantes envolvidos no caso, mas o juiz Joao Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Chapada dos Guimaraes, ainda ampliou as penas de cada um. Ernesto Gasser, por exemplo, foi condenado a 26 anos, Joao Carlos Lima, a 18 e Filogônio Lima a sete anos.

O delegado municipal de Mirassol D'Oeste, Adauri Berlanga Barbosa, confirmou a abertura de inquérito para apurar a chacina. Cinco pessoas foram ouvidas como testemunhas, mas a Polícia nao tem pista dos matadores. O delegado disse que as três vítimas estavam conversando na frente da casa de Vera Lúcia quando três homens apareceram fortemente armados. Os três foram empurrados para dentro da casa, onde foram baleados com tiros à queima-roupa.

Os três pistoleiros, segundo a polícia, saíram correndo da casa após a seqüência de tiros e entraram em um carro na esquina da Rua Benedito Cesário da Cruz, centro da cidade. Um homem, ao volante, os aguardava. A polícia descarta qualquer possibilidade de crime de latrocínio - roubo seguido de morte -, porque no bolso de José Estevao foram encontrados R$ 5.356,00 em notas de R$ 50,00, que nao foram levados. O corpo de Estevao foi transladado nesta quinta-feira para a cidade de Iraí (RS), onde mora sua família.

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